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Brasília

Carnaval em Brasília teve menos gente e mais segurança

Arquivo Geral

15/02/2018 8h13

Foto: Myke Sena

Eric Zambon
eric.zambon@grupojbr.com

Para o Carnaval de Brasília em 2018, menos foi mais. As forças de segurança contabilizaram cerca de 750 mil foliões nas ruas desde o último sábado, quase um terço do estimado para a festa – 2,5 milhões -, mas, apesar da frustração, isso trouxe benefícios. Conforme a Secretaria de Cultura, a quantidade menor de pessoas fez com que a estrutura oferecida comportasse melhor a demanda e o número de ocorrências caísse 22% em relação ao último ano. Foram 437 contra 562 em 2017.

E, mesmo com um público menor, o subsecretário de Promoção e Marketing da Secretaria de Turismo, Sandro Cunha, assegurou que houve 20% a mais de turistas este ano, somando 25 mil pessoas de fora. O tíquete médio desses visitantes, que permaneceram por em média 3,5 dias no cálculo da pasta, foi de R$ 625, injetando quase R$ 55 milhões nos quatro dias de folia.

“Ainda que não tenhamos a tradição de outras cidades, houve esse crescimento e a perspectiva é de que isso progrida”, pontuou Cunha, otimista. Ele ressaltou que não existe um planejamento para popularizar os blocos em si, mas para oferecer um contexto que favoreça a exposição dos principais eventos, como o Galinho, “filho” do homônimo em Recife, e o Babydoll de Nylon, que não saiu este ano por dificuldades financeiras e estruturais.

As polêmicas

Sem a presença do governador Rodrigo Rollemberg, que se ocupava do viaduto da Galeria dos Estados, o balanço do Carnaval foi divulgado no Palácio do Buriti com a presença dos representantes de todas as secretarias envolvidas na festa, à exceção do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). O clima de otimismo reinante despencou quando eles foram questionados sobre os problemas.

Relatos em redes sociais apontaram ações truculentas da polícia no encerramento dos blocos, com direito a spray de pimenta para forçar o fim dos eventos. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marcos Antônio Nunes de Oliveira, chamou essas publicações de “fake news” (termo popularizado por Donald Trump para atacar a imprensa dos EUA) e garantiu ter comparecido ao encerramento de todos os 228 blocos.

“A utilização do gás é uma recomendação da ONU (Organização das Nações Unidas) e usado em todos os países do mundo. Ele evita agressões”, defendeu o militar, que não reagiu bem a uma pergunta mais incisiva sobre possíveis excessos dos seus comandados. “Qual método você recomenda?”, rebateu, ríspido, a uma jornalista que questionou se a atitude seria a mais correta em meio à multidão.

Mais calmo, porém igualmente contrariado, o secretário de Cultura, Guilherme Reis, enfatizou o lado positivo da festa, dizendo que pouco menos de 500 contravenções não podem ganhar mais espaço na mídia do que os outros 750 mil foliões pacíficos que se divertiram. “Temos que ouvir as críticas e aprender, principalmente na questão dos horários, da movimentação”, complementou.

Ele endereçou duas questões delicadas: a reclamação dos blocos de carnaval, que criticaram a atuação da secretaria na obtenção de recursos; e as provocações do Ministério Público do DF a respeito da organização da festa e barulho. Sobre os blocos, ele admitiu que existe progresso de políticas públicas a serem feitos, mas negou que a pasta tenha prejudicado a captação de patrocinadores. A respeito do MP, garantiu o envio de um relatório.

Quebra-quebra no metrô e nos ônibus

O Carnaval passou, mas o prejuízo deixado pelo “bloco dos vândalos” não foi pequeno. Tanto a Companhia Metropolitana (Metrô-DF) quanto a Associação das Empresas Brasilienses de Transporte Urbano de Passageiro (Abratup), que cuida dos ônibus, ainda não contabilizaram todos os estragos, mas já sabem que não foram poucos. Segundo as organizações, não foi possível identificar a autoria dos danos. Apenas dois boletins de ocorrência foram registrados por parte do Metrô.

De acordo com o diretor de Operação e Manutenção do Metrô, Carlos Alexandre da Cunha, do sábado à terça de Carnaval, sabe-se que foram danificados 48 janelas, 25 portas, 118 capas de botões de emergência, 21 extintores, cinco luminárias e três trens pichados. Cinco dos trens vandalizados não puderam rodar mais.

“Deixamos claro que houve empenho máximo de toda a equipe da empresa. Não podemos furtar o brasiliense de ter o transporte, mas vamos pensar estratégias para tentar conter a violência”, afirma. Para ele, será preciso um policiamento maior dentro dos vagões, pois a maior parte das depredações ocorreu com os trens em movimento. Neste ano, os militares teriam embarcado na estação Central e desembarcado no Guará.
Esta não foi a primeira vez que o transporte funcionou com horário diferenciado. Em 2016, o vandalismo também ocorreu.

Em relação aos ônibus, nos quatro dias de folia, houve depredação em 58 veículos. Alguns deles devem ficar sem rodar por alguns dias. Segundo a assessoria da Abratup, dos 31 carros da empresa Urbi danificados, 20 já estão rodando. Da Piracicabana, foram 15 carros, da Pioneira, 10 e da Marechal, 2.

Por nota, a Secretaria de Mobilidade lamentou o ocorrido e informou que a população não será prejudicada, já que os veículos serão substituídos rapidamente.

Números

– Conforme o SLU, foram recolhidas 118 toneladas de lixo no Carnaval deste ano, com destaque para a redução da quantidade de vidro. “Isso é bom por dois motivos: reduz a quantidade de acidentes entre foliões e garis e ajuda no descarte, porque não existe empresa que compre esse material nas redondezas”, exaltou a diretora-geral do órgão, Heliana Kátia.
– Segundo a Secretaria de Segurança, só foram registrados dois crimes contra a vida diante de sete ocorrências em 2017. Foi uma tentativa de homicídio e uma tentativa de latrocínio.
– No trânsito, o Detran-DF estimou 314 mil veículos circulando pelas vias centrais da cidade, o que resultou em 1.549 autuações de trânsito por motivos como falta de cinto de segurança e som automotivo. Conforme o órgão, não houve mortes relacionadas à festa, sendo que em 2016 e 2017 foram registrados 5 óbitos em cada ano.

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