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Brasília

Câncer de pulmão: pacientes lutam contra o tempo

Arquivo Geral

13/11/2017 6h59

Pedro Ribas/SMCS/FotosPúblicas

Matheus Venzi
matheus.venzi@grupojbr.com

O câncer de pulmão é o tipo mais comum no mundo e também o mais mortal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a doença é a principal causa de morte da população masculina, e a segunda entre as mulheres. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (inca), estima-se que aproximadamente 28.220 novos casos da patologia sejam registrados entre 2016 e 2017.

Devido à velocidade de progressão da doença, o tempo é um elemento fundamental para o tratamento. Entretanto, muitas pessoas acabam prejudicadas pela demora dos diagnósticos. No Distrito Federal, a estimativa é de que 310 novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquios ocorram este ano. Já o DataSUS, do Ministério da Saúde, aponta que 275 pessoas morreram por causa de uma das três patologias em 2015.

O oncologista clínico da Northwestern University em Chiago, EUA, Marcelo Cruz, afirma que um paciente com câncer de pulmão no Brasil leva dois meses e meio entre diagnóstico e tratamento na rede privada. Já na pública é bem pior: são necessários 12 meses. Entre as principais causas da doença estão o tabagismo, a poluição do ar e a inalação de poeira, a exposição a determinados agentes químicos e até mesmo fatores genéticos.

“Quanto mais rápido for o diagnóstico, menores são as chances de os pacientes serem submetidos a novos procedimentos invasivos para retirada de material tumoral” explica Cruz. Pensando nisso, três grandes farmacêuticas, AstraZaneca, Bristol-Myers Squibb e Pfizer desenvolveram juntas o projeto Inspire, que reduz o tempo do diagnóstico de 60 para apenas 17 dias úteis.

As companhias passam a realizar, consecutivamente, três testes comercialmente disponíveis para identificação dos diferentes subtipos da doença. A mesma amostra será usada para todos os exames, o que reduz o tempo de análise, além de fazer com que o paciente passe por menos cirurgias que o comum.

No projeto, as três plataformas dialogam entre si e todos os pedidos são recebidos igualmente. Então, o médico tem a possibilidade de realizar os três exames utilizando apenas uma das plataformas, caso ache necessário. O programa abrange qualquer paciente com câncer de pulmão e ele pode vir tanto do setor público como do setor privado de saúde.

Segundo o diretor médico da Bristol-Myers Squibb, Roger Shoji Miyake, o projeto vai ajudar os médicos a fazer um diagnóstico preciso, e assim, possibilitar que eles indiquem um tratamento personalizado. “A luta contra o câncer é como uma guerra e o melhor jeito de vencê-la é conhecer bem o seu inimigo”, compara.

Não-fumantes correm risco

O oncologista Marcelo Cruz também chama atenção para o fato de que o número de não fumantes que desenvolvem o câncer de pulmão está crescendo. “A cara do paciente desta patologia está mudando. Pessoas cada vez mais jovens estão desenvolvendo a doença com mais frequência”, aponta.

Segundo ele, a poluição do ar e a inalação da fumaça do cigarro de forma passiva estão entre as principais causas. “Mesmo assim não quer dizer que as pessoas podem voltar a fumar, a maioria dos casos ainda acontece com tabagistas, além dos outros tipos de câncer que o cigarro provoca”, finaliza.

Saiba mais

Segundo o médico Marcelo Cruz, a maioria dos pacientes da doença não é testada para um tipo específico de mutação . “Descobrir a especificidade faz com que o tratamento seja individualizado, especializado e bem mais efetivo”, destaca. O oncologista também revela que a maioria dos diagnósticos da doença é feita no estágio final.

De acordo com Cruz, tratamentos como a imunoterapia, na qual as células de defesa do corpo do corpo são estimuladas para combater o câncer, são os mais inteligentes e prejudicam menos a saúde do paciente em comparação com outros métodos. “A quimioterapia faz com que a pessoa sofra muito, por causa dos efeitos colaterais e pela própria rotina do processo. Ela perde qualidade de vida e até a produtividade no trabalho”, completa. (O repórter viajou a convite das empresas AstraZeneca, Bristol-Myers Squibb e Pfizer)

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