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Brasília

Câncer de mama: o drama de quem não tem a grana da atriz

Arquivo Geral

19/05/2013 13h59

A decisão tomada pela atriz Angelina Jolie surpreendeu o mundo. Retirar os seios antes mesmo que um câncer fosse diagnosticado foi a estratégia encontrada pela atriz para lidar com o alto risco da doença. O diagnóstico não veio de forma simples, já que foi necessário um exame nada popular, para trazer a informação de que havia uma mutação genética que poderia ser responsável por uma complicação no futuro. No Distrito Federal, pacientes que já tiveram câncer aprovaram a iniciativa, mas especialistas ponderam que cada caso deve ser analisado de maneira isolada.

 

Planos de saúde e a rede pública não cobrem o exame de sequenciamento genético feito pela atriz hollywoodiana. Justamente por conta do preço, R$ 7 mil. Com ele, é possível identificar fatores hereditários de risco, de vários genes. No caso de Angelina, a família já teve ocorrência de câncer de mama: a mãe da atriz morreu aos 56 anos.

 

Após os resultados, ficou comprovado que ela tinha alterações no gene BRCA1, que elevam as chances de câncer de mama em 87% e de ovário em 50%. A retirada dos seios foi a primeira das medidas, já que a atriz planeja retirar os ovários, para minimizar riscos.

 

Brasília

 

Em Brasília, o exame é feito pelo laboratório Sabin. Não há, porém, cobertura dos planos de saúde, muito menos do Sistema Único de Saúde. O doutor em biologia molecular Gustavo Barra, do Sabin, explica que é necessária recomendação médica, para ser feito o exame de sequenciamento genético. “Quais são os genes que precisam ser sequenciados? Dependendo do caso, analisamos de 50 a 60 genes, para encontrar mutações que causem pré-disposição”, disse. 

 

De acordo com Barra, o sequenciamento não é recomendado a quem não tem o que investigar, quando não há histórico de doença grave na família. “O teste é para quem tem indicação clínica. A decisão deve ser com o médico.”

 

Ele acredita que, no futuro, o valor pago pelo teste poderá diminuir, graças ao avanço tecnológico. “Hoje, é possível fazer mapeamento de todo o genoma, que não tem tanta utilidade para prevenção de doenças, por mil dólares e em um dia.”

 

Preocupação deve começar cedo

 

 

Segundo a especialista em imagem de mama Maria Helena Mendonça, do laboratório Exame, o acompanhamento em relação a um possível câncer de mama é algo que deve ser feito por todas as mulheres, mas, em especial, por quem teve histórico da doença na família. “Não é possível fazer prevenção, já que é uma doença que não pode ser evitada, mas ela pode ser detectada precocemente”, explicou. 

 

“A mulher que teve caso na família deve começar a fazer exames dez anos antes do que a parente que teve câncer fez. Por exemplo, se a mãe da paciente teve câncer aos 40 anos, a filha deve começar a monitorar a situação aos 30”, concluiu. O acompanhamento médico, de acordo com Maria Helena Mendonça, precisa ser iniciado após os 25 anos, por conta da densidade da mama da mulher nessa idade.

 

Prevenção

 

 

O oncologista Anderson Silvestrini, do grupo Acreditar, explica que existem muitas variáveis envolvidas na escolha sobre retirar ou não as mamas. Além disso, outras alternativas podem ser adotadas para prevenir o câncer, após resultados preocupantes no teste de sequenciamento genético.

 

“Não há um consenso sobre o que deve ser feito. E pode ser adotada uma quimioprevenção, que diminui o risco de câncer em 30%”, disse. “A retirada dos ovários é uma opção, mas pode ser mais grave do que a retirada das mamas, porque promove a menopausa mais cedo e pode causar osteoporose”, avalia.

 

Apesar do pedido de sequenciamento ser mais frequente quando o paciente possui câncer de mama, o médico lembra que apenas 10% dos casos pode ser motivado por componente genético. A necessidade de se fazer o teste e até da retirada de órgãos antecipadamente deve ser discutida entre médico e paciente, porque existem vários fatores a serem avaliados.

 

Total apoio à iniciativa

 

A presidente e fundadora da Recomeçar, Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, Joana Jeker, diz que a atriz norte-americana teve coragem para falar sobre o assunto, já que ainda existe um tabu. “É importante por que causa uma repercussão e traz à tona o tema. Inclusive, vamos trabalhar para que o SUS faça o teste de sequenciamento genético, que é caro. E é preciso pressionar os laboratórios para deixarem acessível o exame.”

 

Joana acrescenta que a escolha é pessoal e que deve ser tomada em conjunto com o médico. “Cabe à mulher decidir”, afirmou.

 

Diagnóstico

 

Ela foi diagnosticada aos 30 anos com câncer e fez tratamento pelo SUS. Joana retirou a mama, fez quimioterapia e ficou careca. Após três cirurgias, teve os seios reconstruídos. “Minha recuperação dos seios foi em três etapas. Na primeira, foi restabelecido o volume da mama. Aí, operei para deixá-los do mesmo tamanho. Por último, foram reconstruídos a auréola e o bico”, diz.

 
 
 
Pensamento positivo e fé contra doença
 
 
 
Já se passaram cinco anos desde que a assistente de reprografia Sheyla Machado foi diagnosticada com câncer de mama. Ela foi o primeiro caso da família, não o único. Sua irmã descobriu há três anos que deveria fazer o tratamento. Apesar de ter passado pela difícil experiência com alto astral, Sheila conta que a parte mais difícil foi o tempo entre a retirada da mama e a reconstrução. “Usava prótese e estava careca por causa da quimioterapia. Não podia usar blusas decotadas ou sem manga, além de não ir ao clube.”
 
 
A fé e o pensamento positivo foram os pilares da recuperação. Para ela, o ato de Angelina é importante para a conscientização sobre o câncer de mama. “Uma mulher inteligente fazer isso é ótimo. Ela quis evitar o câncer para alertar o mundo sobre os riscos da doença”, disse.
 
 

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