Brasília tem deixado de ser apenas uma cidade de turismo cívico, nos últimos anos, para ampliar seu leque de opções para grandes eventos culturais, esportivos e musicais, que têm atraído turistas de dentro e fora do Brasil. São shows internacionais, congressos e eventos como o SLS (Street League Skateboarding) — maior liga da modalidade e que viaja por diversos destinos pelo mundo —, que ocorre neste sábado e domingo (12 e 13).
“Começamos a fazer as tratativas para trazer o SLS, ainda em novembro do ano passado, é uma etapa do calendário que veio para Brasília, que terá a transmissão de emissoras oficiais, com calendário de atleta, o encarte deles não é fácil de se cumprir, mas chegamos a um bom denominador. Com isso, a secretaria cumpre o seu papel de promover o turismo e promover a marca Brasília, pautando a mídia”, detalha o secretário de Turismo, Cristiano Araújo.
A SLS é a principal liga de skate profissional do mundo e viaja, durante todo o ano, por diversos países levando os maiores nomes da modalidade, entre os campeões Rayssa Leal e Felipe Gustavo.
Para o chefe da pasta do Turismo, eventos como o SLS acabam agregando à cadeia produtiva, além de dar acesso a eventos que têm poucas aparições no cenário local. “A cidade, não apenas de forma institucional, ganha, assim como os hotéis. Fomentamos a rede hoteleira e a própria população sai satisfeita. Colocamos os ingressos gratuitamente e, em 15 ou 20 minutos, eles se esgotaram. Foram cerca de 20 mil convites, todos gratuitos, além de camarotes. É uma experiência, não apenas do ponto de vista do turismo, mas do esporte que é uma demanda muito reprimida, que precisamos trabalhar isso com os skatistas. Eles estão carentes desses eventos e de competições.”

Descentralização
O novo leque de opções vem sendo um trunfo para a cidade, movimentando tanto a rede hoteleira da Zona Central como de diversas regiões, como Brazlândia, Planaltina, Ceilândia e Gama, só para dar alguns exemplos. Para o secretário, levar para outras cidades eventos de grande porte, como festivais, gera renda também para as regiões administrativas.
“Aqui trabalhamos eventos que realmente justificam o turismo, como a festa do morango, festa da uva, da goiaba, que ocorrem tradicionalmente em Planaltina, Brazlândia. Teremos em breve o Capital Moto Week, que é o maior evento de moto da América Latina, onde passam mais de 150 mil turistas, mais de 1 milhão de pessoas. A secretaria passou a focar mais nesses eventos, seja com emenda parlamentar ou não”, afirma Cristiano Araújo. “Temos feito o aniversário de Brasília, Réveillon e Natal, que são festas que têm tudo a ver com o turismo. Claro, estamos criando essa marca, pois Brasília tem apenas 65 anos e estamos criando esse ‘calendário’ na cabeça das pessoas. Não é algo que a gente crie de hoje para amanhã, mas já fizemos um grande aniversário de Brasília, que tende a continuar. Isso vai consolidando a cidade na cabeça das pessoas.”
De acordo com o secretário, os eventos realizados recentemente aumentaram em cerca de 40% o número de turistas na cidade. “Isso ocorre muito pelo que é Brasília, com seu conjunto arquitetônico, pela segurança, rede hoteleira relativamente nova. O turismo rural cresceu muito na pandemia, e tem lugares fantásticos, como a Rota do Vinho, a do Queijo. São 19 rotas, como a do Rock, da Cultura e da Diversidade. É um momento de muito crescimento, com o nível de ocupação de 90%, em dias úteis, e 60% em média no ano.”
Araújo afirma ainda que o aumento de faturamento da rede é três vezes maior, devido ao aumento dos preços em decorrência da demanda gerada pelos eventos que ocorrem durante toda a semana na cidade.
“Brasília é conhecida como capital do poder, mas hoje eu digo que ela é uma capital de negócios, de entretenimento. Antes diziam que Brasília não tinha nada para fazer no fim de semana, hoje é o contrário. Hoje, por exemplo, temos o festival Na Praia, mês passado tínhamos o Fun Festival, vai começar o Moto Week, depois temos o São João do Cerrado e por aí vai. A cidade está pulsante”, completa.
Diferencial
Para o secretário, a proximidade com a rede hoteleira, assim como os baixos índices de violência da cidade têm sido pontos fortes, especialmente em relação a grandes centros.
“Brasília tem tudo de diferente. Eu fui a um show do Coldplay, no Allianz Parque, levei duas horas e meia para chegar no show. Não pude ir de relógio, pois fiquei com medo de ser assaltado. Aqui em Brasília, as pessoas chegam no Estádio Mané Garrincha em 15 minutos, quem estiver hospedado na rede hoteleira pode ir com seu relógio que não será assaltado. Alguns eventos, nos fins de semana, tem transporte grátis, temos o quarto melhor aeroporto do mundo em qualidade, temos as obras de Oscar Niemeyer, com uma cidade planejada, segundo pólo gastronômico, com toda a organização de uma cidade nova, com tudo que uma cidade grande tem”, conclui.