A Companhia de Saneamento Ambiental de Brasília (Caesb) promete acabar com o mau cheiro que incomoda moradores das regiões próximas às 17 estações de tratamento de esgoto do Distrito Federal. Após quatro anos de estudos e pesquisas, sales a empresa conseguiu aprimorar seu próprio sistema de desodorização e agora começa a colocá-lo em prática. Os primeiros resultados poderão ser vistos nos próximos meses nas unidades da Asa Sul, Asa Norte, Sobradinho, São Sebastião e Paranoá.
Atualmente, cada estação de tratamento recebe, em média, 1,5 mil litros de esgoto por segundo, o que equivale a um caminhão pipa cheio de dejetos que desemboca a cada quatro segundos no reservatório da Caesb. Hoje, a empresa atende 93% da população do DF e consegue tratar 100% de todo o volume de esgoto coletado em suas 17 estações.
O assessor da Diretoria de Engenharia da Caesb, Antônio Harada, explica que o odor é causado principalmente por desequilíbrios no sistema de tratamento de esgoto. O problema, segundo ele, não é constante, mas sempre incomoda quando ocorre. “O processo é feito com microorganismos que atuam na decomposição. Às vezes, o próprio esgoto traz algum produto ou veneno que mata esses decompositores. Isso acaba diminuindo o nível de gás metano e aumenta o sulfídrico, que provoca o mau cheiro”, detalhou.
A estratégia da Caesb será capturar os gases a partir de agora. O processo começará logo na primeira etapa, quando o material sólido de maior proporção é separado da parte líquida. Antes, esses dejetos eram colocados em contêineres abertos. Agora, ficarão lacrados. A etapa seguinte, de decantação, também terá mudanças. As caixas de passagem e armazenamento passarão a ser fechadas. Já o lodo produzido na seqüência será desidratado, evitando o apodrecimento.
Segundo Harada, uma parte dos gases capturados será queimada. A outra seguirá normalmente para a atmosfera. Ele explica que isso não trará impactos nocivos de grandes proporções para o meio ambiente, já que se trata de um processo de decomposição natural. “Esses gases contribuem pouquíssimo para o efeito estufa”, completou.