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Brasília

Buriti abre crédito para repatriar empresas

Arquivo Geral

25/10/2017 7h00

Valdir Oliveira: empresas do DF ganharão condições para disputar mercados em todo o País, sem ficarem limitadas ao mercado brasiliense. Foto: Kleber Lima

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

O governo Rollemberg (PSB) colocou na praça R$ 3,2 bilhões de crédito pelo Financiamento Especial para o Desenvolvimento (Fide). Inicialmente, o fomento público tem como objetivo incentivar atacadistas e distribuidores a crescerem, gerando mais empregos e impostos para o Distrito Federal. Dentro do contexto da guerra fiscal entre os estados, o projeto também visa resgatar empresas que deixaram Brasília em busca de condições melhores e mais competitivas ao longo dos últimos anos.

Formulado como uma política de Estado, o financiamento bilionário estará disponível para o setor ao longo dos próximos 30 anos. Resumidamente, o crédito proporcionará para as empresas brasilienses fôlego para competirem por mercados em todo Brasil. Enquanto outras unidades da Federação contam com diferentes mecanismos de apoio regionais, o DF não oferece uma ferramenta competitiva para o setor desde 2011. Sustentado pelo Fundo de Desenvolvimento do DF (Fundefe), o Fide estará disponível para empresas de portes médio e grande.

“Nossas empresas têm focado apenas no mercado do DF. Agora poderão competir no mercado nacional com vendas em grande escala. E esse crédito vai aumentar conforme as adesões. Eu te afirmo”, afirmou o secretário de Economia, Desenvolvimento, Inovação, Ciência e Tecnologia, Valdir Oliveira. Hoje o atacado brasiliense é composto por 300 empresas.

Setor terá condições de competir, diz atacadista

Com aproximadamente seis meses de gestão, Valdir de Oliveira tem construído um projeto focado em resultados. Por exemplo, na linha do fomento ao setor produtivo em geral, além do Fide, o governo também liberou neste ano R$ 500 milhões via Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO).

“As pessoas têm me perguntado se sou liberal ou socialista. E sempre respondo: Prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Apelo para Raul Seixas. O mundo de hoje não aceita mais rótulos. A população, a sociedade quer soluções”, argumentou o secretário.

Enquanto outras pastas do GDF ainda patinam, a secretaria de Economia tem conquistado reconhecimento em diversas frentes. “No DF não tinhamos condições de competir com concorrentes externos. O Fide vem para ajudar. Devemos isso ao secretário Valdir. O Sindicato do Comércio Atacadista (Sindiatacadista), como entidade, vai fazer de tudo para mobilizar as empresas do setor”, afirma o diretor-executivo do Sindiatacadista, Anderson Pereira Nunes.

Segundo Nunes, o Fide é um passo positivo mas não resolve todos os problemas do setor. Afinal, o crédito de R$ 3,2 bilhões é para todo o segmento ao longo de 30 anos. “O programa gera compromissos, geração de empregos e impostos. Não estou sendo contrario a geração, mas é um ônus”, explica.

O atacado emprega no DF, diretamente, 15 mil trabalhadores e 6 mil representantes comerciais. Indiretamente, gera 50 mil postos e trabalho. A cada ano, o setor gera para os cofres públicos R$ 1.3 bilhão na forma de arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Como vai funcionar

Conheça os detalhes do programa

  • Coordenado pela pasta de Economia, o programa libera para empresas de médio e grande porte financiamentos com parcelas mensais com valores mínimos e máximos, conforme a apresentação de um projeto de negócio.
  • O crédito é calculado conforme as propostas de geração de empregos, impostos e o crescimento da empresa.
  • Em números redondos, o custo dos empréstimos orbita entre 14% e 15% do valor do crédito.
  • Como contrapartidas, as empresas precisam gerar empregos, estar com os impostos pagos em dia e prestar contas mensalmente para o GDF, sob pena de perder as parcelas.
  • As empresas precisam assinar em termo de adesão com o Banco de Brasília (BRB). Na sequência precisam apresentar o projeto de negócio para a Secretaria de Economia. O documento será apreciado também pela pasta da Fazenda. A palavra final será do Conselho de Gestão do Programa de Apoio ao Empreendimento Produtivo (Copep).
  • O Fundefe possui diversas fontes de alimentação. Além dos resultados do BRB, o fundo também é irrigado, por exemplo, por ações da Companhia Energética de Brasília (CEB) e pelos próprios empréstimos.

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