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Brasília

Brasilienses vivem em busca do jeito de ser

Arquivo Geral

29/10/2012 7h12

Fábio Magalhães
fabio.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br

Inicialmente, Brasília foi berço para o sonho de muitos brasileiros. Fascinados com as promessas de melhores condições de vida, milhares de pessoas de todos os cantos do País vieram tentar a sorte nas terras até então pouco exploradas do Planalto Central.

De início, o projeto da nova capital seria restrito apenas ao Plano Piloto, que abrigaria uma média de 500 mil habitantes, entre funcionários públicos e familiares. Hoje, com o crescimento da importância da cidade no cenário nacional e um número acentuado de imigrantes, Brasília abriga quase seis vezes mais o número de habitantes para a qual foi planejada.

O serviço público e os bons salários ainda são alguns dos atrativos que arrebanham centenas de pessoas para a capital federal todos os anos. A proximidade com o centro do poder no País faz com que, na busca por um cargo público, inúmeras pessoas deixem seus locais de nascimento e migrem para cá. Outros, optam por viver na capital apenas para usufruir de melhores condições de moradia, saúde, educação e de qualidade de vida.

Brasília é uma cidade jovem, por isso mesmo, a identidade sociocultural das pessoas que aqui residem ainda está fortemente atrelada à região de onde vieram. Mesmo para a geração nascida aqui, continua forte a influência cultural herdada dos pais.  Essa característica se vê claramente estampada nas ruas da cidade onde são exibidas uma grande variedade de sotaques e comportamentos.

Vindos do Piauí, a estudante Catarina Cavalcante, 27 anos, e o advogado Antônio Cardoso, 35 anos, se encantaram pela cidade e com o que ela poderia oferecer. Acostumados com o modo de vida no Nordeste, de início, foi necessário um período de adaptação.

Com o passar do tempo, e em busca de novos projetos, Cardoso se mudou para o Rio de Janeiro. Mesmo morando à beira do mar, percebeu que a vida por lá era muito pior do que em Brasília. “No Rio, não existe infraestrutura que comporte aquela população”, diz Cardoso. Depois de refletir por algum tempo, decidiu retornar e está muito satisfeito.

Sem comparação
Cardoso afirma que não há comparação com o modo de viver na capital do País. Segundo ele, nenhuma outra cidade pode ser comparada com a capital. “Brasília é excelente, tanto na questão da moradia, como de trabalho, trânsito e segurança. Já saí para outros lugares, mas senti falta e voltei”, confessa o advogado.

De acordo com especialistas, as constantes variações na quantidade de indivíduos e as multifacetas da bagagem cultural de cada um desses grupos fazem com que a identidade sociocultural de Brasília esteja em constante formação e transformação. Por isso, o cidadão não possui apenas uma identidade social permanente, mas vivencia a constante mutação no modo de ser, de se comunicar, de viver.

Em Brasília, a mistura de modos de vida acontece de forma mais visível. Estudioso do povo brasiliense, o sociólogo e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Brasilmar Ferreira Nunes diz que, nos seus primórdios, a capital se apresentava como uma “colcha de retalhos cultural”.

Em seu entendimento, por ser uma capital política, o fato de não ter uma identidade específica permite que qualquer brasileiro se sinta um brasiliense. Porém, a diversidade está aos poucos criando um modo de ser.“Esse modo observa-se, sobretudo, entre os jovens nascidos na cidade, com hábitos cosmopolitas. Considero que a identidade de Brasília vem se manifestando de forma rápida e irreversível. Há evidências cada vez maiores de um modo de ser brasiliense”, acredita.

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