Por: Elisa Costa
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Com a pandemia, a crise financeira assolou o país devido à escassez de recursos. No DF, o índice que calcula a prévia da inflação mensal no mercado varejista, o IPCA-15, atingiu a terceira maior alta entre as capitais pesquisadas em maio, com aumento de 0,94%. Isso reflete diretamente no dia a dia da população, principalmente nas compras básicas de diversas famílias.
Segundo a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), o número está acima da média nacional, de 0,59%. No acumulado em 12 meses, a capital federal registrou uma inflação de 11,21%, sendo mais que o dobro do limite estipulado pelo Banco Central para o ano de 2022, de 5,0%. No mês de maio, as maiores contribuições foram do grupo de Transportes, seguido por Saúde e Cuidados Pessoais.
Em contrapartida, houve queda na contribuição do grupo de Habitação, motivada pelo preço do botijão de gás (-0,02%) e da energia elétrica residencial (-0,50%). A maior alta entre os subitens está na gasolina (0,35%) e na passagem aérea (0,14%). Em abril, os resultados também não foram bons, o IPCA-15 do mês teve aumento de 1,58%, impulsionado pelo grupo de Transportes e Alimentação e Bebidas.

Milena Oliveira, comunicadora social de 25 anos, é uma das afetadas pela inflação. Com a alta dos preços nos mercados, a jovem e a família tiveram que riscar alguns produtos da lista de compras. “Tiramos aqueles que chamamos de ‘besteiras’, como biscoitos e iogurtes. E por isso, começamos a fazer alimentos caseiros, como bolos e pães”, explicou. Apesar da inflação, alguns itens são indispensáveis no seu dia a dia, como leite, café e verduras.
A brasiliense já tinha o costume de pesquisar preços em diferentes mercados, mas atualmente, opta por comprar em atacadistas. Segundo Milena, ela encontra os produtos básicos como arroz e feijão por um preço mais acessível nesses locais. “Está difícil comprar carne vermelha, os preços estão extremamente altos. Antigamente, nossa geladeira era cheia, hoje escolhemos as opções mais baratas como frango e linguiça”, pontuou.
Para o videomaker Raphael Macedo, de 26 anos, morador da Asa Norte, a solução de sua família para contornar a inflação foi apostar em feiras autônomas: “Encontramos uma perto de casa que vende verduras e legumes a preços mais em conta, e isso tem ajudado bastante. Além disso, temos reduzido o consumo de carne, que está muito cara. A solução é mudar a dieta e comprar em outros lugares”.

Para o jovem, a pesquisa de mercado é difícil pela falta de um veículo próprio, mas sempre que possível, sai a pé para recolher panfletos perto de casa. Questionado sobre quais produtos têm “apertado” o bolso, ele comentou: “Definitivamente o café, a carne e o arroz. Queijo, presunto e pão também tem nos assustado com o valor”. Na rotina de Raphael, não falta leite, manteiga e pão, itens que usam diariamente. Contudo, o arroz já não é mais presente em todas as refeições.
A reportagem do Jornal de Brasília apurou o valor de alguns itens básicos em supermercados do DF, para que o consumidor tenha um parâmetro de preços. O saco de 5 quilos de arroz branco está entre R$25,99 e R$31,99. O óleo de soja está entre R$10,59 e R$16,89. A embalagem de 5 quilos de açúcar varia entre R$19,99 e R$23,99. Um quilo de sal custa de R$2,89 a R$4,65. O pacote de 500 gramas de macarrão está entre R$3,99 e R$5,59. Uma bandeja de 150 gramas de queijo mussarela fatiado custa de R$6,99 a R$13,79.
Enquanto em São Paulo a oferta do feijão carioca está menor, em Brasília, o produto é achado facilmente, principalmente das marcas Camil, Kicaldo, Dona Dê, Qualitá e Tio Jorge. Aqui, o valor do pacote de 500 gramas de feijão carioca está entre R$7,89 e R$15,19. A mesma quantidade de café varia entre R$18,99 a R$22,79. Um quilo de farinha de trigo está entre R$4,09 e R$6,99.
Saiba como economizar:
De acordo com o economista e ex-presidente do Conselho Regional de Economia do DF (Corecon-DF), César Bergo, a inflação é um fenômeno que sempre ocorre, contudo, pode ocorrer com mais intensidade ou menos intensidade, se caracterizando com um aumento desordenado e generalizado de preços. A inflação é causada, principalmente, quando o governo gasta mais do arrecada, e quando a oferta e demanda não estão equilibradas.
“Com a inflação, você tem uma perda do poder aquisitivo, que afeta as compras de supermercado e qualquer outra compra. Quando a demanda aumenta, de maneira irregular, isso faz com que os preços subam, porque começa a faltar estoque, e isso é repassado aos preços”, explica o economista.
Segundo César, a recomendação é diversificar as compras nesse momento. Além disso, outros comportamentos do consumidor podem ajudar a amenizar os efeitos da inflação, como escolher produtos mais baratos ou adiar uma compra, para esperar por um momento propício. “É importante ficar atento às promoções, fazer uma pesquisa com amigos e familiares e comprar itens em grupo, porque acaba saindo mais barato que a unidade”, aconselhou.
De acordo com o especialista, a tendência da inflação para o DF é de queda nos próximos meses, por isso, vale a pena pensar duas vezes antes de gastar dinheiro, dando atenção à poupança e evitando o consumo impulsivo. Para que os preços voltem a um patamar normal na capital federal, é preciso que a gestão pública trabalhe nas finanças e regule os estoques, para garantir o abastecimento permanente dos mercados.