Por Vítor Ventura
Com o final do ano chegando, uma das alternativas para os brasilienses passarem as festas e começarem 2026 sem nenhum aperto nas contas é a negociação de dívidas. Nesta segunda-feira (3), foi iniciado o Feirão Limpa Nome da Serasa, que já apresentou uma alta procura na capital. Somente no dia de abertura, mais de 5.000 acordos foram feitos no Distrito Federal, um número recorde segundo a porta-voz da ação Mônica Seabra.
A iniciativa vai até 30 de novembro, reunindo mais de 1,6 mil empresas parceiras e contando com o apoio dos Correios. O atendimento é feito tanto presencialmente em agências dos Correios como de forma online em canais oficiais da Serasa.
Mônica contou ao Jornal de Brasília que a ação já apresentou números surpreendentes no DF. No primeiro dia, foram 5.172 acordos feitos, um aumento de 144% considerando o dia de abertura do feirão no ano passado, no qual foram realizados 2.117 acordos. Até as 16h20 do segundo dia, conforme dados da Serasa, mais 3.219 foram feitos.
Uma das pessoas que não perdeu a oportunidade e conseguiu negociar as dívidas foi Herlien Ferreira, morador de Taguatinga. “Eu tinha visto na televisão [o início do feirão] e como eu estava um pouco enrolado, vim aqui para ver como eu conseguiria parcelar a minha dívida”, contou.

Herlien, assim como cerca de 1,4 milhão de brasilienses, estava convivendo com a inadimplência. Aqueles três anos de uma dívida que, segundo ele, não parava de crescer foram resolvidos com um atendimento rápido pela manhã na Agência Central dos Correios, um dos pontos de atendimento presencial. “Foi uma dívida do cartão de crédito, com o banco. Foi uma necessidade que tive, mas acabei me enrolando e não consegui pagar”, explicou Herlien.
De acordo com ele, o valor a ser pago já estava bem alto, mais de R$ 6.000. “Parcelando ela vai ficar bem em conta para mim. Eu dei uma entrada de R$ 1.000, vai ficar tranquilo”, contou. Agora Herlien comentou que vai virar o ano mais tranquilo e também com mais cuidado com as contas. “Meu plano é me manter, ter crédito de novo para voltar a comprar, mas com mais sabedoria e responsabilidade”, completou.
Na mesma pegada para ter mais tranquilidade no final do ano, Sinvaldo Santana, morador de Sobradinho, aproveitou que trabalhava ali por perto e adiantou a negociação para o pagamento de uma dívida. “É realmente uma ação muito boa, fica muito fácil para resolver. Eles parcelam até no boleto, só que a minha vai compensar se eu pagar à vista”, disse.
Em menos de uma hora, ele deixou tudo acertado para pagar a dívida que tinha no nome. Ele explicou que uma confusão com contas de telefone resultou no crescimento da dívida, que ele deve quitar com o auxílio do feirão nos próximos dias. “Vai dar uma aliviada, graças a Deus. Vai ficar bem melhor”, contou Sinvaldo.
Diminuição da inadimplência
Conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) divulgados nesta terça-feira (4) pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 76,5% das famílias do DF estavam endividadas em outubro de 2025. Além disso, 42,1% estavam com contas atrasadas e 18,4% sem condições de pagar as dívidas.
Em números absolutos, são 819.778 mil famílias endividadas, 450.778 mil com contas atrasadas e 196.931 sem condições de pagar. O percentual de famílias endividadas no DF atingiu a marca de 70% em maio e tem aumentado a cada mês. Esse cenário da capital impulsionou o Feirão Limpa Nome no DF, segundo Mônica Seabra. “No primeiro dia a gente já bateu recorde de acordos”, explicou.
Mônica projetou que essa é uma ação que pode contribuir para a diminuição do endividamento no DF. “Usando como comparação as edições passadas, a gente conseguiu reduzir em 15% a taxa de inadimplência. Então nós estamos trabalhando com essa projeção”, contou.
Ela reforçou a importância de sempre monitorar o CPF para não ser surpreendido com uma dívida. “Nós temos muitos consumidores que vêm aqui e nem sabem que estavam negativados. Ou foi o filho que fez [a dívida], ou foi o nome que emprestou para um amigo, uma conta de água. Essas pessoas precisam monitorar para não serem surpreendidas”, enfatizou Mônica.