Por Thamires Pinheiro
O bolso dos brasilienses sentiu menos pressão da inflação em julho. O IPCA ficou em 0,04% no Distrito Federal, uma desaceleração vantajosa em relação aos 0,52% registrados em junho. No país, o avanço foi de 0,07%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11/8).
Apesar da variação pequena no mês, os preços não se comportaram de forma uniforme. Enquanto alguns gastos importantes ficaram mais caros, outros recuaram e ajudaram a segurar o resultado. Em Brasília, a inflação acumulada chegou a 3,09% desde o início do ano e a 4,56% em 12 meses.
Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, seis registraram alta em julho. O principal impacto veio de saúde e cuidados pessoais, que subiu 0,53% e acrescentou 0,08 ponto percentual ao índice da capital.
Plano de saúde pesa entre os gastos que subiram
Dentro do grupo de saúde, o plano de saúde teve alta de 0,42% e foi o item que mais contribuiu para o resultado. O movimento ocorre em um período em que os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) passaram a aparecer nas mensalidades de parte dos consumidores.
Para os planos individuais e familiares regulamentados, com aniversário entre maio de 2026 e abril de 2027, a ANS estabeleceu teto de reajuste de 5,11%. O percentual é um limite máximo, e as operadoras podem aplicar índices menores.
A pressão sobre os gastos relacionados à saúde ocorre em um setor que atende milhões de brasileiros. Segundo a ANS, o país tinha mais de 53 milhões de beneficiários de planos de assistência médica em maio de 2026.
Conta de luz e aluguel também ficaram mais caros
A segunda maior pressão sobre a inflação veio de habitação, com alta de 0,38%. A energia elétrica residencial avançou 1,50%, enquanto o aluguel residencial subiu 0,42%.
A conta de luz também foi influenciada pela bandeira tarifária amarela, que permaneceu em vigor durante julho. O sistema adicionou R$1,885 a cada 100 kWh consumidos. Segundo a Aneel, a bandeira amarela refletiu condições menos favoráveis para a geração de energia durante o período seco, com menor disponibilidade dos reservatórios e necessidade de acionamento de usinas termelétricas.
A taxa de água e esgoto teve alta de 0,24%. Em Brasília, o resultado se juntou ao reajuste de 3,97% aplicado ao serviço desde 1º de junho.
Gasolina e roupas ajudam a aliviar o orçamento

Do outro lado da balança, o economista Cristiano Fagundes explica que alguns preços recuaram e impediram que o resultado mensal fosse maior. O grupo vestuário, por exemplo, teve queda de 1,83%, a maior entre os segmentos que apresentaram redução.
A baixa foi puxada principalmente por blusas, que ficaram 3,72% mais baratas. Vestidos tiveram redução de 3,46%, enquanto camisas e camisetas masculinas recuaram 1,47%.
“Os transportes também ajudaram a conter a inflação. O grupo caiu 0,22%, principalmente devido à redução de 2,64% no preço da gasolina. Os automóveis novos tiveram queda de 1,46% e o seguro voluntário de veículos recuou 1,26%.”
O comportamento dos transportes, porém, não foi uniforme. “As passagens aéreas subiram 9,56%, enquanto os preços de consertos de automóveis avançaram 0,63% e os gastos com emplacamento e licença tiveram alta de 0,40%”, explica Cristiano.
Inflação menor não significa preços menores
Cristiano também explica que a diferença entre as altas e as quedas mostra por que uma inflação mensal próxima de zero não significa que os produtos ficaram mais baratos de forma geral. O índice vai medir a variação média dos preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias.
“Assim, quando o IPCA fica em 0,04%, significa que, na média, os preços pesquisados tiveram uma pequena alta. Alguns itens podem subir bastante ao mesmo tempo em que outros caem”, completa o economista.
No caso de Brasília, o resultado de julho ficou próximo ao observado no mesmo mês de 2025, quando o IPCA havia avançado 0,01%. A diferença é maior quando a comparação é feita com junho deste ano, quando a inflação da capital chegou a 0,52%.
“O resultado de Brasília mostra um mês de movimentos opostos no orçamento das famílias. Enquanto a queda da gasolina e das roupas trouxe algum alívio, despesas como saúde, energia elétrica, aluguel e móveis avançaram. No acumulado de 12 meses, porém, a capital ainda registra alta de 4,56% nos preços”, finaliza.