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Brasília

Brasília está muito além da política

Arquivo Geral

21/04/2015 8h30

Há 55 anos, foi necessário certo esforço para que muitos deixassem o Rio de Janeiro e sua maresia para morar em Brasília com seu clima seco típico do Cerrado. De lá para cá, a impressão da cidade pode ter sofrido mudanças ao longo das décadas, mas forasteiros ainda têm conceitos por vezes errôneos de quem vive por aqui. 

“Para quem está longe, a impressão é de que aqui o pessoal vive bem, mas isso é causado pela elite política – ministros, deputados e senadores – e pelo próprio funcionalismo público, que paga muito bem. É uma conotação falsa de Ilha da Fantasia, um rótulo, um estigma que quem não é daqui dá a Brasília”, avalia Silvestre Gorgulho, jornalista e historiador, que guarda memórias e registro da cidade. 

Do lado de cá do quadradinho central, a população comum é, muitas vezes, comparada ou confundida com o que ocorre na Praça dos Três Poderes e as atitudes dos políticos que, eleitos em suas cidades, chegam aqui para governar durante os mandatos. Das bancadas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, a capital representa 3,7% e 1,5%, respectivamente, das cadeiras – são oito deputados e três senadores em exercício.

“Quando saímos e falamos que somos daqui, só sabem falar de corrupção e política. Acham que todos somos ricos e temos alguma relação com o Congresso”, reclama Rayara Correia, 24 anos, vocalista de uma banda.

O operador de telemarketing Rodnes Tauata, 22, e os estudantes Lucas Costa e Ane Caroline, de 17 e 16 anos, concordam com a visão preconceituosa sobre quem vive no centro político do País. “Acham que só mora aqui quem compactua com o que ocorre na política e não é bem assim”, ressalta Lucas.

É possível ser jovem no quadradinho

Outra coisa que muitos brasilienses têm em comum é o amor pela cidade. Todos dizem que não trocariam Brasília por nenhum outro lugar. “O vínculo com a cidade é grande”, explica o operador de telemarketing Rodnes, que enaltece a arquitetura: “É o que mais atrai. Contribui muito para a beleza da cidade”.  

Com o longboard a tiracolo, Rodnes diz que o Complexo Cultural da República é o local que mais gosta na cidade. Lá, no fim da tarde, dezenas de jovens se reúnem para praticar esportes, geralmente sobre rodas. 

A cantora Rayara destaca, ainda, a cultura. “Tem shows de graça, eventos aqui mesmo no museu. Muitas exposições, parques, Eixão do Lazer. Apesar de não ter uma vida noturna agitada, dá para ser jovem em Brasília”, avalia. 

Mas nem tudo são flores. Temos a segunda maior favela da América Latina,  mas o agora Condomínio Habitacional que está se tornando o Sol Nascente começa a receber infraestrutura. Novas ocupações irregulares, que se tornaram tradição no Distrito Federal, não serão permitidas – pelo menos é o que diz o governo. Problemas com saúde, educação, segurança, transporte aparecem diariamente. “Brasília é uma cidade cheia de problemas, mas é como toda cidade”, minimiza Rodnes.

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