Jéssica Antunes e Ingrid Soares
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Os termômetros marcam temperaturas acima de 30 °C. No céu, a fumaça das queimadas do Cerrado o torna cinzento. Com a sensação térmica ainda mais intensa e a cidade em estado de alerta por conta da seca, uma saída é procurar se refrescar na água. Mas todo cuidado é pouco. Nos primeiros seis meses do ano, houve 26 afogamentos e 13 mortes no Distrito Federal. Entre sábado e ontem, três pessoas morreram em cinco afogamentos registrados.
Na tarde de ontem, próximo à Ponte JK, um adolescente foi resgatado por um homem que estava com uma prancha. De acordo com o Samu, quando recebeu atendimento, o jovem ainda estava desacordado, mas respirando. Ele foi encaminhado para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), com máscara de oxigênio, mas consciente. No momento do afogamente, ele estava acompanhado de amigos.
Planaltina
No início da tarde de sábado, o corpo de um homem foi encontrado no Lago da Estrela, no Vale do Amanhecer em Planaltina. Sem identidade ou idade divulgados, o homem de cerca de 40 anos foi retirado da água por mergulhadores após tentar atravessar o reservatório nadando. O Corpo de Bombeiros acredita que ele tenha ficado submerso por cerca de 40 minutos.
No domingo à tarde, as águas fizeram duas vítimas: Neidison dos Santos, de 38 anos, e Regis Resing Santana Oliveira, de 14 anos. O corpo do adulto foi encontrado no Núcleo Rural Fazenda Larga, em Planaltina, às margens da BR-020, e o jovem no Rio São Bartolomeu, em São Sebastião, km 26 da BR-251, sentido Unaí (MG).
Enquanto o Corpo de Bombeiros não soube precisar o que ocorreu com o homem mais velho, o que se sabe é que o jovem nadava com a família quando não conseguiu deixar a água e retornar à margem. Foram necessárias duas horas de buscas para encontrar seu corpo.
Recomendações
Para o sargento Ronaldo Reis, do Batalhão de Buscas e Salvamento, não há segredo para evitar acidentes na água. “Tem que prevenir. Se não sabe nadar, não entre na água. Se beber, não entre na água. Criança sem acompanhamento de adulto não pode. Tem que estar o tempo todo ligado. Um segundo de vacilo e já era. Nessa época do ano, com feriado, é natural que procurem lugares mais frescos, que tenha água. Então, é comum que tenha mais afogamentos”, diz.
Adolescente resgatada na Prainha
Ainda na tarde de domingo, uma jovem de 15 anos foi resgatada na prainha do Lago Norte. Segundo o Corpo de Bombeiros, ela foi encontrada com grau 4 de afogamento – com parada cardiorrespiratória e espuma na boca e no nariz.
A equipe médica dos bombeiros que estava no local em trabalho de prevenção prestou os primeiros socorros. De helicóptero, ela foi levada ao Hospital de Base. O estado de saúde da jovem não foi divulgado.
Cinco pessoas morreram afogadas no Lago Paranoá no primeiro semestre do ano. A maior parte da orla, em processo de desobstrução, ainda não está liberada para o público, por conta do entulho e cercas derrubadas. O major Lourival, do Corpo de Bombeiros, explica que, quando o local estiver aberto para banho, a recomendação é de que as pessoas sejam cuidadosas.
“Não é aconselhável que atravessem o lago, mesmo quem sabe nadar. É muito perigoso. Parece calmo, mas tem correntes fortes. Muitas pessoas tentam voltar, mas ficam cansadas e nervosas e não conseguem”, ressalta. Ele alerta sobre os efeitos do consumo de bebidas alcoólicas ou outras drogas antes de entrar na água. “A pessoa fica com movimentos limitados e não consegue reagir direito”, afirma.
Entre os pontos de maior risco, além das residências com piscina, está a Barragem do Rio Descoberto. No Lago Paranoá, o local mais frequentado é a prainha. “Sempre colocamos o nosso pessoal de plantão nesse local. O aumento da temperatura é um atrativo, geralmente um convida o outro e, com essa recreação, também aumenta a probabilidade de acidentes”, explica.