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Brasília

Bocas de lobo em Ceilândia Sul

Moradores da QNM 9, relatam entupimentos, lixo acumulado e falta de manutenção nas entrequadras

Redação Jornal de Brasília

12/07/2025 18h05

CARLIANE GOMES
redacao@grupojbr.com

A falta de manutenção das bocas de lobo nas entrequadras da QNM 9, em Ceilândia Sul, tem gerado transtornos para os moradores e comerciantes da região. Segundo relatos, o serviço de limpeza e desobstrução é realizado apenas nas vias principais, como a Via Leste, enquanto os trechos internos permanecem esquecidos. Geisel Gabriel, 42 anos, trabalha como borracheiro em Ceilândia e afirma que já presenciou diversos problemas causados pela falta de manutenção. “Entope as bocas e, no tempo de chuva, a água acaba alagando a pista e passa por cima do meio-fio. Isso causa acidente. Já vi pneu rasgado, roda amassada. A limpeza só acontece nas avenidas principais. Aqui nas quadras, nunca vi fazer”, contou.

Além dos prejuízos a motoristas, os moradores da QNM 9, relatam que a falta de manutenção nas bocas de lobo nas entrequadras tem gerado acúmulo de lixo, mau cheiro e insegurança. No Conjunto C, a aposentada Euda Lins, 62 anos, disse que só conseguiu a limpeza em frente à sua casa após insistir diretamente com a Administração da cidade. Segundo ela, o serviço foi bem feito, mas pontual, as demais bocas de lobo da rua, segundo ela, continuam entupidas, quebradas e cheias de lixo. “A da esquina está podre. Destampada, toda quebrada. Mais acima, está tudo sujo também. Como minha casa fica numa parte mais baixa, o lixo da rua desce e para tudo aqui. Já achei até animal morto, sacola, garrafa e copo descartável. Tive que colocar uma tela por conta própria para evitar que o lixo entrasse de novo”, contou a moradora, que vive há 20 anos na mesma rua.

Ela também destacou a falta de conscientização da própria população, que, segundo ela, ignora os dias corretos da coleta de lixo. “O caminhão de lixo passa direitinho. O reciclável à noite, o comum também, tudo certinho. Mas tem gente que joga lixo fora do horário, ou larga na rua. A administração deveria conscientizar, multar quem joga lixo. Só assim o povo aprende”, opinou. Para Euda, a situação não se resolve apenas com limpeza. Ela cobra campanhas educativas e manutenção mais frequente durante o ano. “Não adianta limpar uma vez e esquecer o resto da rua. Tem que cuidar de todas. E conscientizar os moradores. Porque a sujeira vem voando com o vento, vem da rua de cima, e se acumula aqui embaixo na minha porta”.

Na porta da escola

A situação também preocupa quem passa diariamente pela área escolar. Olga Soares, 45 anos, moradora da região e mãe de uma aluna da Escola Classe 19, denuncia o acúmulo de lixo na entrada da unidade desde que a lixeira externa foi retirada. “Mesmo sem a lixeira, as pessoas continuam jogando lixo na porta. Com o vento e o tempo seco, tudo vai parar dentro da boca de lobo”, conta. Segundo ela, existe uma boca de lobo entupida no Conjunto F, por onde escoa a água de um lava-jato instalado recentemente. “A água escorre direto para a rua, e como a boca de lobo está entupida, fica tudo acumulado. Quando começa o período de chuva, a situação piora, é mau cheiro, água parada e a estrutura não aguenta”, relata.

Olga também já presenciou o descarte de grandes volumes de lixo, como colchões e móveis velhos, e até queimadas na calçada próximo de outra escola na região. “A diretora tinha acabado de pintar a escola, mas colocaram fogo no lixo e atrapalhou a passagem. Falta consciência. Tem gente que paga carroceiro e mesmo assim deixa entulho na rua”. Para ela, além da limpeza regular, é necessário instalar contêineres maiores nas entrequadras e intensificar a presença do poder público. “Já vi o SLU recolher, mas não basta. Falta fiscalização, falta campanha de conscientização e falta estrutura”, desabafa.

Cronograma

O Jornal de Brasília procurou a Administração Regional de Ceilândia que afirmou existir um cronograma de manutenção das bocas de lobo nas entrequadras da cidade, inclusive na QNM 9. Segundo o órgão, o trabalho conta com o apoio de reeducandos e também com reforço da Novacap nas vias principais. “Por isso a população sempre vê os caminhões de desobstrução nas principais vias da cidade”, explicou. Sobre as reclamações específicas da QNM 9, a Administração informou que uma equipe técnica será enviada à região para realizar uma vistoria nas bocas de lobo quebradas e entupidas, como as localizadas nos conjuntos C e F, citadas por moradores.

Além disso, questionada sobre campanhas de conscientização, a pasta declarou que existem ações educativas, mas reforçou que a colaboração da população é fundamental para evitar o descarte irregular de lixo e entulho nas ruas. “Tem placas nos locais onde é proibido jogar lixo, mas depende da consciência de cada morador”. A Administração também informou que qualquer cidadão pode solicitar serviços diretamente na sede da Administração Regional de Ceilândia, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Os pedidos também podem ser feitos pelos canais digitais do Governo do Distrito Federal (GDF), como o site Participa DF, a plataforma Administração 24h ou pela Ouvidoria, no telefone 162.

O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informou ao Jornal de Brasília que mantém equipes de mobilização social atuando diariamente, com ações porta a porta, em diversas regiões do Distrito Federal para orientar a população sobre o descarte correto dos resíduos. Segundo a pasta, na região da QNM 9, essas ações ocorreram no início de março e também na última quarta-feira, 9 de julho. Sobre como os moradores podem consultar os dias e horários da coleta regular em suas quadras, o SLU orienta que é possível verificar essas informações por meio do aplicativo SLU Coleta DF ou pelo site da instituição. “É possível realizar a busca pelo endereço ou pela localização do telefone no Aplicativo (App). O SLU reforça que os resíduos devem ser colocados em frente às residências no máximo 2 horas antes do caminhão passar”, destacou.

Em relação à possibilidade de instalação de latas de lixo fixas ou contêineres nos pontos mais críticos, como próximo à escola do Conjunto D, o SLU esclarece que não fornece lixeiras nem caçambas para uso individual. “As papeleiras disponibilizadas pela SLU são destinadas a locais públicos de grande circulação e servem para o descarte de pequenos resíduos. Já os contêineres utilizados por condomínios e estabelecimentos são de responsabilidade dos próprios usuários”. A instituição ainda reforçou que a instalação de papa-lixos, equipamentos públicos para descarte de resíduos domiciliares, pode ser solicitada via Ouvidoria (162) e terá sua viabilidade avaliada pelas equipes técnicas. A SLU informou que está em andamento uma licitação para contratação de novos equipamentos.

Sobre o descarte irregular de objetos volumosos, como restos de obras e podas em locais públicos, o SLU afirmou que atua rotineiramente com equipes de limpeza seguindo cronograma de recolhimento, mas que esses resíduos devem ser levados pela população aos pontos de entrega voluntária, os papa-entulhos. “A região de Ceilândia conta com três unidades, localizadas na QNN 29, na QNM 27 e na QNP 28/24. Os endereços dos demais equipamentos do DF estão disponíveis no site do SLU”, frisou.

Procurada pela reportagem, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) informou que a região da QNM 9, em Ceilândia, já foi vistoriada por uma equipe técnica. Após o levantamento, a área foi incluída na programação de serviços da companhia, com previsão de início das intervenções para a primeira semana de agosto.

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