Eric Zambon
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Sem o desfile das escolas de samba, o Carnaval do Distrito Federal será, uma vez mais, concentrado nas ruas. Como o Governo de Brasília alega falta de verba para apoiar as festividades, os blocos buscaram solução na inicativa privada. Na manhã de ontem, 47 grupos da cidade ganharam patrocínio integral de uma empresa, com aprovação do secretário de Cutura, Guilherme Reis, e do subsecretário de Turismo, Jaime Recena.
“A tendência é esse tipo de parceria crescer”, comemorou Reis, após a empresa anunciar sua proposta. “A gente tem que profissionalizar essa relação. Cabe criar uma licitação, um chamamento público para atrair mais empresas nos próximos anos”, sugeriu o titular da pasta.
A Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) lançou sua campanha de marketing com a promessa de expandir o patrocínio nos próximos anos. Segundo a empresa, que colabora com blocos da capital há três anos, de 2015 para este ano já houve contemplação de 27 grupos a mais, um aumento de 135%.
Sem direito
As escolas de samba, no entanto, uma vez mais não tiveram direito a uma fatia do bolo. Segundo a gerente regional de marketing da Ambev, Roberta Barreto, a culpa foi das próprias agremiações. “No ano passado, haveria apoio às escolas, mas, neste ano, nem teve movimentação por parte delas. Então, focamos apenas nos blocos”, explicou.
De acordo com Roberta, não houve critério para definir quem seria contemplado. Os representantes que buscaram a empresa e apresentaram propostas foram atendidos e incluídos. A Ambev, além de aporte financeiro e cessão de objetos de marketing para veiculação durante a folia, deve disponibilizar estruturas físicas e carros de som.
Licitação
Conforme o secretário de Cultura, Guilherme Reis, o governo abriu uma licitação ontem para conseguir banheiros químicos, quiosques e afins. A promessa é que, até o dia 30 deste mês, ela seja concluída. Ao todo, devem ser investidos R$ 780 mil dos cofres públicos para cobrir as despesas com a folia.
Ainda em fase de ajustes
O diretor dos Raparigueiros, Pedro Neri, disse não ter podido comparecer à formalidade na manhã de ontem por motivos pessoais. Então, não soube confirmar se o apoio financeiro foi oficializado para o seu bloco. Ele destacou, porém, que a Ambev colaborou nos anos anteriores, inclusive estampando a marca de uma de suas cervejas na camisa oficial do grupo.
“As tratativas estão acontecendo. Temos que ver em que parte entra o governo e o que as empresas privadas vão poder bancar. Sabemos que a crise se instalou no Brasil e as coisas estão difíceis”, disse Neri. Ele lembrou que, a partir de sábado, as burocracias devem estar definidas, uma vez que será o “esquenta” para os oito grupos da Liga dos Blocos Tradicionais, na 302/303 Norte.
Organizador do Babydoll de Nylon, David Murad também não soube precisar se o acerto financeiro da Ambev com o bloco foi confirmado, mas salientou o apoio nos anos anteriores.
A reportagem não conseguiu contato com o presidente nem com o vice da Liga dos Blocos Tradicionais até o fechamento desta edição. Conforme apresentação da Ambev, porém, os blocos citados fazem parte dos contemplados com patrocínio integral.