
Mesmo após várias reclamações de moradores para que as “badernas” no bar Balaio Café, na 201 Norte, chegassem ao fim, o clima de pré-carnaval não deixou que isso prevalecesse. O bloco “Me’ngole que eu sou jiló”, que já acontece há dois anos, recebeu todo o apoio daqueles que frequentavam o bar e se concentrou em frente ao local na noite desta segunda (1º). O evento teve início às 19h, na Praça dos Prazeres, ao lado do Balaio, como uma forma de protesto contra a Lei do Silêncio.
Por volta das 21h30, os foliões saíram da Quadra 201 Norte e seguiram para o Eixinho. De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), cerca de 250 pessoas estiveram no local. Segundo um dos fundadores do bloco, André Flexa, o motivo do nome do bloco é porque é uma coisa difícil de digerir. “Por ser um evento grande, nós não temos espaço e isso se torna algo difícil até para realizar”, conta.
Como protesto contra a Lei do Silêncio, a personagem Lady Silêncio foi o tema do bloquinho para este Carnaval.
Colaboradores
De acordo com André Flexa, conhecido como “Flexinha da Aruanda”, o evento teve como principal tema abordar e fazer um protesto contra a Lei do Silêncio. Portanto, a ideia deste Carnaval foi realizar a marchinha contra a lei. “Ela tem prejudicado a vida cultural de Brasília”, diz Flexa.
Uma outra colaboradora que está presente e fazendo parceria com a maioria dos organizadores dos eventos de Brasília é Luana Ferreira, que fornece bebidas, comidas e outros produtos durante a folia.
A proposta dela é fortalecer o movimento espontâneo da cultura em Brasília. “Além de fornecer produtos, a nossa intenção é potencializar também a cultura de nossa cidade”, conta a colaboradora. Ela ressalta ainda que o fechamento do Balaio tem prejudicado vários artistas e músicos da capital.
“O fechamento do Balaio vem de uma burocracia falida de um pensamento equivocado do que é o Estado. Isso tem prejudicado e dificultado a vida do artista”, completa Luana.
A equipe fundadora do bloco recebeu também a colaboração da Secretaria de Cultura para a realização do evento. Conseguiram o apoio com a infraestrutura de banheiro, tenda, uma parte do som e policiamento.
Surpreendida com a ajuda do GDF, Luana deixa claro que acredita na bondade das pessoas. “Acredito que ainda existem pessoas boas e inteligentes, apesar das mentes conservadoras”, contou.
A equipe da Secretaria de Estado de Ordem Pública e Social (Seops), esteve no local para controlar o evento juntamente com a Polícia Militar.
“Desrespeito”
Segundo as moradoras da região, Dulcinéia Souza e Mariana Souza, os eventos que acontecem no Balaio acabam incomodando, não só pelo barulho constante, mas também pela falta de respeito. “Nós gostamos de Carnaval, mas o que incomoda é a falta de respeito dos foliões, por passarem durante a madrugada entre os blocos fazendo barulho com batucada”, relatam.
Lei do Silêncio
A norma, vigente desde 2008, determina que o barulho em área residencial próxima a comércio não pode exceder os 55 decibéis durante o dia e 50 decibéis durante a noite. Os críticos afirmam que tais medições são impraticáveis, por serem baixas demais, e defendem a alteração da lei.
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