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Brasília

Bloco Aparelhinho comemora 15 anos de carnaval inovador em Brasília

O bloco, inspirado nas aparelhagens do Pará, anima as ruas do Setor Bancário Sul com música eletrônica e promove a ocupação inclusiva do espaço público na capital federal.

Redação Jornal de Brasília

14/02/2026 18h01

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

No sábado (14), o Bloco Aparelhinho completou 15 anos de existência em Brasília, consolidando-se como um movimento cultural que ressignifica o carnaval de rua e a apropriação do espaço público na capital federal. Inspirado nas aparelhagens do Pará, o bloco começou como um simples som eletrônico montado em um carrinho alegórico, cruzando ruas onde o carnaval era considerado inexistente.

Fundado por DJs como Rafael Ops e Rodrigo Barata, o Aparelhinho evoluiu de um objeto empurrável construído na oficina de marcenaria da Universidade de Brasília (UnB) para uma estrutura mais tecnológica, com cores azul e laranja. Rafael Ops, em entrevista ao programa Espaço Arte da Rádio Nacional FM de Brasília na sexta-feira (13), destacou o amor pela cidade e a vontade de ver o carnaval de rua acontecendo. ‘É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas’, disse ele, explicando que o carrinho foi projetado para ocupar marquises, túneis e calçadas, sem expectativas iniciais, mas com ampla aceitação desde o primeiro ano, em 2012.

Ao longo dos anos, o bloco passou por diversas transformações, incluindo versões de madeira, ferro, online durante a pandemia, charrete, trio e carreta. A edição atual conta com o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e envolve cerca de 100 pessoas na organização. Para 2026, o apoio financeiro continua, reforçando o movimento inclusivo que atrai foliões de diversas idades e promove a formação de novos públicos carnavalescos.

A publicitária Bruna Daibert, frequentadora desde a primeira edição, enfatizou a importância de ocupar a cidade inteira durante o carnaval, uma vez por ano. ‘Acho muito importante a gente formar esse novo público de carnavalescos, pra gente se fixar cada vez mais e o carnaval ocupar, inclusive, o meio das quadras’, afirmou, defendendo a folia apesar de disputas sobre locais de concentração devido a barulho e sujeira. Em 2023, o bloco Galinho de Brasília, por exemplo, cancelou desfile por restrições em áreas residenciais da Asa Sul e se concentrou no Setor de Autarquias Sul.

O repertório musical, elaborado pelos DJs fundadores Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata, além de convidados como Biba e Mica e Pororoca DJs (Emidio e Leroy), baseia-se em eletrônica e inclui remixes de músicas carnavalescas brasileiras, frevos, axés, sambas-enredo, brega funk, piseiro, rock and roll e vertentes da música eletrônica. ‘A gente toca música do mundo’, explicou Barata à Rádio Nacional FM de Brasília.

Para o cozinheiro Iago Roberto, em seu primeiro carnaval, a energia da galera no Setor Bancário Sul superou expectativas. Após três anos morando fora do Brasil, ele retornou com vontade de conhecer o carnaval de rua local e se divertiu, mesmo não sendo fã habitual de música eletrônica.

O bloco se promove como um espaço democrático e inclusivo, recebendo foliões infantis e pessoas com dificuldade de locomoção. No entanto, a dentista Fabiana Montandon, que acompanha o Aparelhinho há 10 anos e participava mesmo com a perna imobilizada, relatou desafios de acessibilidade nas ruas do setor. ‘Bastante buraco na pista, a calçada não tem rampinhas pra descer e o banheiro é pseudo-acessível’, criticou, apesar de elogiar a diversidade musical e a modernidade do evento.

Com informações da Agência Brasil

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