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Brasília

BlaBlaCar: uma mãozinha para reunir quem está em busca de dividir viagens; app ainda requer legalização

Arquivo Geral

10/10/2017 7h00

Foto: John Stan

Amanda Karolyne
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Na mesma linha de grupos de caronas solidárias do Facebook, um aplicativo surgiu com a ideia de intermediar viagens mais longas. Ao ajudar os usuários a economizar em trajetos de longa distância, a plataforma de compartilhamento BlaBlaCar tem a rota Brasília-Goiânia (GO) como uma das mais procuradas. Porém, alternativas semelhantes ainda são consideradas pirataria – condição pela qual já passaram apps como o Uber, hoje dentro da lei.

O diretor da plataforma no Brasil, Ricardo Leite, explica que o objetivo da BlaBlaCar são as caronas intermunicipais. “Viajando juntas, as pessoas podem dividir custos e conhecer gente nova”, considera. O aplicativo faz a intermediação entre condutor e passageiro para ratear o valor do combustível, e assim os custos daquele trajeto são menores. “É como organizar uma viagem entre amigos, cada um contribui com um valor e fica barato para todo mundo”, comenta.

A empresa surgiu na França e chegou ao Brasil em 2015. No site (www.blablacar.com.br), motoristas que oferecem carona e passageiros interessados fazem um cadastro com dados pessoais. Depois de preenchidas as informações, é sugerido um valor para a viagem em questão.

Os envolvidos selecionam a opção de bagagem, o horário e o local de partida. O sistema permite ainda a avaliação do condutor e dos passageiros. A distância média das viagens feitas por intermédio da plataforma é de 240 km. No primeiro ano de funcionamento, foram contabilizados 1 milhão de acentos em caronas.

Partindo da capital do País, os destinos mais populares são Goiânia, Anápolis (GO), Belo Horizonte (MG), Uberlândia (MG) e Rio de Janeiro (RJ). De acordo com o diretor do aplicativo, o condutor que compartilha uma viagem com mais duas pessoas no carro consegue reduzir seus custos em até 75%. Uma viagem entre Brasília e Goiânia de carona fica 40% mais barata do que a viagem de ônibus, e 12 vezes mais econômica que o avião.

“O crescimento da procura pelo aplicativo em Brasília é considerável”, destaca Leite. Ele aponta que, com uma busca rápida no site, é possível observar que a demanda pela rota DF-Goiânia é diária.

Todos de olho nos custos

A professora Claudia Barreto, 41 anos acabou de voltar de Goiânia pelo intermédio do aplicativo. Ela faz o trajeto uma vez por mês e costuma oferecer carona, mas conta que ser passageira é mais cômodo. Por meio de uma página de carona do Facebook, Claudia descobriu a plataforma, que, para ela, é um jeito seguro e barato de viajar.

“Eu me surpreendi com a pontualidade. As pessoas marcam a hora e estão lá de acordo com o que foi marcado. Você combina se pode levar pet e até se quer conversar”, cita.

O guarda civil Gustavo Barbosa, 34 anos, ficou sabendo do aplicativo por um amigo. Ele oferece carona de Goiânia para Brasília há um ano. “Faço esse trajeto quatro a cinco vezes por mês. Esse aplicativo ajuda demais no gasto com combustível ”, comenta.

No início, Gustavo temia a questão da segurança, mas com o cadastro se tranquilizou. “Hoje eu tenho até amizades feitas com gente que dei carona”, destaca. O único receio dele é de ser multado, uma vez que o serviço não é regulamentado pelo Estado.

Ponto de vista

O professor de Engenharia Civil Pastor Willy Gonzales Taco observa que os aplicativos de transporte surgem como uma forma mais prática de atender a demanda. E, com as experiências de sucesso, muitas pessoas passaram a aderir a essas formas de mobilidade.

Para o especialista, a crise econômica motivou os cidadãos a procurarem meios mais baratos e inovadores. “A crise é que motiva a opção de empreender, isso é o lado bom dos aplicativos que surgiram”, destaca. Ele pondera que as pessoas vão atrás dessas soluções primeiro por conta dos preços.

Gonzales aponta, porém, a importância de regulamentar a oferta. Mas faltam dados que reforcem essa necessidade. Segundo ele, as informações poderiam ajudar na análise de comportamento e no planejamento urbano de transportes. “Se toda empresa de aplicativos de transporte fornecesse os dados, o Brasil teria mudanças significativas na questão”, alega.

Versão oficial

Ao pé da letra, uma carona paga é considerada infração pela lei. Em relação à legalidade do aplicativo, segundo o Departamento de Trânsito (Detran-DF), a remuneração da atividade é o que determina a aplicação de uma multa por transporte pirata – R$ 130 e quatro pontos na carteira.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), é importante esclarecer que, para prestar o serviço de transporte interestadual e internacional de passageiros, a empresa deve estar autorizada pela agência, após cumprir as exigências contidas na legislação.

A prestadora dos serviços que for flagrada pela fiscalização fazendo qualquer procedimento diferente do que está determinado pelas resoluções será autuada. As ações de fiscalização da ANTT ocorrem constantemente. Os fiscais verificam, além de itens de segurança, toda a documentação exigida para o transporte. No caso de transporte fretado, por exemplo, o motorista deve apresentar, entre outros documentos, a licença de viagem emitida em sistema da ANTT e a lista de passageiros, contendo nome, sobrenome e documento de identidade de todos que contrataram o serviço.

Além das multas cabíveis, a fiscalização pode aplicar medidas administrativas, inclusive a apreensão do veículo.

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