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Brasília

Biblioteca de Brasília tem três mil livros roubados em um anos

Arquivo Geral

26/04/2010 9h25

E eis que o livro torna-se o personagem principal de uma trágica história da vida real. O roubo de livros está mais comum do que se imagina. Fetiche intelectual, preços abusivos, ou simples cleptomania: são várias as possíveis motivações para os chamados roubos culturais.

Na Biblioteca Demonstrativa de Brasília, somente ano passado, sumiram três mil livros do acervo composto por, aproximadamente, 120 mil títulos. A maioria foi emprestada a usuários cadastrados que nunca os devolveram. Entretanto, existem também aqueles que nem mesmo chegam a efetuar o empréstimo: são os casos de furto.

Localizada na 506 Sul, a biblioteca não conta com um sistema de segurança eletrônico, como barreiras na saída e circuito interno de câmeras. A fiscalização é realizada apenas por seguranças, que revistam as bolsas e mochilas de quem sai. Segundo a bibliotecária do local, Maria Dirce Pereira, por mais que os guardas tenham cuidado e atenção, infelizmente, sempre acaba passando algo. O público que frequenta a biblioteca é grande, o que dificulta o trabalho de controle e fiscalização. São cerca de 270 mil pessoas ao ano.
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Os livros de Direito são os que mais desaparecem. “Eles não são raros, mas são muito caros. É difícil encontrarmos algum por menos de R$ 120”, afirma Maria Dirce. A bibliotecária diz ainda que, para evitar os furtos, já há algum tempo o valor dos detectores eletrônicos é adicionado ao orçamento destinado às bibliotecas, mas que, até hoje, ela não foi contemplada.

Felizmente, ainda podemos encontrar bibliotecas que possuem um baixo índice de furto em Brasília. É o caso da Biblioteca do Senado. De acordo com a diretora, Simone Bastos, as tentativas não chegam a duas por mês. Há pelo menos 15 anos, a biblioteca conta com cinco sistemas de segurança que acabam por inibir que o usuário leve livros inadvertidamente. Sistema interno de televisão, barreiras eletrônicas na entrada e na saída, bem como etiquetas magnéticas em todos os livros são algumas das medidas que previnem os furtos. Além disso, é proibido entrar com bolsa na biblioteca. O local conta com um guarda-volumes na entrada e só permite que o usuário entre com o necessário para o estudo. Por último, um grupo de seguranças permanece todo o tempo fiscalizando o ambiente. “Quem se previne, evita”, alerta Simone.

Mas não são somente as bibliotecas públicas que sofrem com o “sumiço” de livros. No dia 11 de abril,  um jornalista, de 44 anos, foi preso em flagrante ao tentar furtar sete livros da Livraria Cultura, localizada no Shopping Casa Park. O homem retirou os selos de segurança dos livros para evitar o acionamento do alarme, e os escondeu dentro de uma sacola que carregava durante as compras. O jornalista foi enquadrado no artigo 155 da Constituição por fraude e furto e responderá a processo. A pena pode variar  de três a oito anos de reclusão. 

O prejuízo com roubos e furtos nas livrarias e papelarias chega a representar de 1% a 3% do faturamento total desses estabelecimentos. Os dados foram fornecidos pelo presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Escritório, Papelaria e Livraria do Distrito Federal (Sindipel), José Aparecido da Costa. Segundo ele, os roubos e furtos tem maior incidência entre os meses de dezembro e fevereiro.

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