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Brasília

Bebê foi abandonado por ser fruto de traição, diz mãe

Arquivo Geral

04/09/2014 17h59

Um caso que chocou Brasília no início da semana teve as investigações concluídas pela polícia. A história do bebê que foi abandonado na Rodoviária na última segunda-feira (1º) poderia muito bem ter sido uma narrativa de novela. Encontrada em um banco da praça em frente ao Conjunto Nacional, a criança  – um menino – estava limpa e agasalhada e aparentava ter cerca de três dias de nascida. 
 
De acordo com a polícia, o fio condutor para a apuração do caso foi o grampo utilizado para amarrar o cordão umbilical do bebê. O objeto não correspondia ao padrão utilizado pela rede pública de saúde, indicando que o bebê teria nascido em algum hospital privado do DF.
 
Ao identificar em que hospital o bebê nasceu, o polícia procurou por crianças do sexo masculino que nasceram na instituição entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira, chegando ao pequeno Arthur (batizado assim por aqueles que o encontraram) que nasceu na madrugada do dia 1º, às 1h da manhã, e teve alta no mesmo dia à tarde. Assim foi possível identificar também a sua mãe.
 
História

Segundo o delegado da 5ª DP Marco Antônio de Almeida, a mãe seguiu para a casa de uma amiga em Planaltina, onde pediu ajuda.  “A colega, por sua vez, consultou o Conselho Tutelar e achou complicado o processo de entrega para a adoção, aumentando as possibilidades da mãe em abandonar a criança”, explicou Almeida. 
 
A genitora pediu então que a amiga a deixasse na Rodoviária do Plano Piloto, onde abandonou a criança, por volta das 22h44. De acordo com o depoimento da mulher, ela só deixou o local após se certificar de que a criança foi encontrada.
 
A moça explicou que o abandono foi motivado pelo fato de a criança ter sido fruto de uma traição. Ela disse  que ‘escondeu’ a gravidez de seu marido, alegando estar com um mioma. Para o pai do bebê, ela disse que a criança havia nascido morta.
 
O pai da criança, que tem 32 anos e mora no DF, contou à polícia que tinha planos de criar o bebê e que chegou a montar um quarto para ele. De acordo com o delegado, a mulher teria ligado para ele na terça-feira (2) e dito que o filho havia morrido no parto.
 
O marido da mulher está em estado de choque, assim como os familiares. “Ela demonstrou arrependimento, mas não deu sinais de que iria lutar pela guarda do filho”.
 
O pai, que chegou a dar o nome de Isaac ao bebê antes de nascer, tentará na Justiça o direito de visitar e de criá-lo. “A Vara da Infância é quem definirá com quem o bebê ficará”, detalhou o delegado Marco Antônio de Almeida. O recém-nascido encontra-se no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) e tem previsão de alta nesta quinta-feira (4). A mãe pode pegar de seis meses até dois anos de prisão e responderá em liberdade por abandono de recém-nascido.

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