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Brasília

Bebê com grave doença no coração luta pela vida no HRT

Arquivo Geral

04/10/2017 7h00

Bernardo nasceu com atresia pulmonar, uma doença congênita grave que pode resultar em morte. Foto: Arquivo Pessoal

Matheus Venzi
matheus.venzi@jornaldebrasília.com.br

Com duas semanas de vida, Bernardo passa por uma situação delicada. O bebê nasceu no dia 20 do mês passado, no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), e foi diagnosticado com um sério problema no coração três dias depois. Atualmente, ele está internado na UTI e aguarda uma cirurgia no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF). Entretanto, não há nenhuma previsão de quando ele será submetido ao procedimento. O menino é uma das cerca 70 crianças que aguardam por cirurgias cardíacas na rede pública.

A mãe do bebê, a vendedora Andréia Ferreira dos Reis, afirma que a família acionou o Ministério Público na última sexta-feira. O caso foi parar na Justiça, que pode estipular um prazo para que a criança seja encaminhada ao ICDF, referência no tratamento. Bernardo sofre de atresia pulmonar, uma doença congênita grave que pode resultar em morte. “Não é fácil ficar sem saber o que vai acontecer daqui para frente. Não saber se ele vai conseguir resistir até chegar lá [cirurgia]”, desabafa.

Por causa de sua condição, o pequeno é alimentado por sonda, pois não pode se esforçar para mamar diretamente no peito. Qualquer esforço físico pode agravar a situação dele. O menino também depende de um medicamento para sobreviver, que está sendo fornecido.

Porém, a cirurgia é o maior problema. A família do bebê não tem condições para pagar a operação, que custa entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. Por causa disso, Bernardo aguarda na fila do sistema público. “Chegaram a me falar que pode demorar dois meses, mas não há nada certo. A médica me informou que cada dia que passa pode acontecer o pior”, conta a mãe.

Condição complicada

O cardiologista Rildo de Andrade explica que a condição de Bernardo é muito complicada. “As crianças com atresia pulmonar nascem com a válvula que separa o coração do pulmão fechada. O coração fica impossibilitado de bombear sangue para os pulmões receberem oxigênio”, diz. Segundo ele, a cirurgia é extremamente necessária.

O cardiologista também fala que a demora pode prejudicar o desenvolvimento da criança. “É um estado gravíssimo e pode torná-lo incapaz de sobreviver. O próprios medicamentos podem prejudicar a criança por causa do uso prolongado”, aponta.

Mesmo assim, Andrade reconhece que a cirurgia exige profissionais extremamente capacitados. “Poucos cirurgiões no DF são capazes de fazer este tipo de procedimento. É necessário encontrar um cirurgião cardíaco pediátrico capaz de operar cardiopatias congênitas”, finaliza.

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que 70 crianças, em média, aguardam por cirurgias cardíacas eletivas e emergenciais na rede pública. Todos os procedimentos são realizados pelo ICDF e os pacientes são triados conforme a gravidade e a condição clínica.

Sobre o caso de Bernardo, a secretaria declarou que os casos judicializados também são priorizados, desde que haja vagas, e não há como dar um prazo. Enquanto isso, todos recebem assistência.

Memória

Em 2016, bebê morreu aguardando cirurgia no coração

  • Um ano atrás, o pequeno Enzo Gabriel Sousa, aos 25 dias de vida, não resistiu a uma parada cardiorrespiratória e faleceu na UTI do Hospital Regional de Taguatinga. O menino também sofria de uma doença congênita no coração e aguardava cirurgia no sistema público de saúde. Os casos das duas crianças possuem semelhanças e refletem a dificuldade de se conseguir uma cirurgia pela rede pública no Distrito Federal.

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