Por Thamires Pinheiro
Quem passa pelo estacionamento do Hospital de Base do Distrito Federal nesta semana pode encontrar roupas, calçados, brinquedos, acessórios e objetos para a casa. Mas, por trás das mais de 15 mil peças reunidas no espaço, existe uma rede de apoio que há quase três décadas atua para amenizar as dificuldades enfrentadas por pacientes em tratamento contra o câncer.
O Mega Bazar da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília começou nesta segunda-feira (10/08) e segue até sexta-feira (14/8), das 8h às 17h. Pela primeira vez, a edição será realizada durante os cinco dias. A mudança acompanha uma procura que, segundo a organização, cresceu nas últimas edições. A proposta é reunir um grande volume de doações, oferecer produtos a preços acessíveis e transformar as vendas em recursos para os projetos assistenciais da instituição.

A Rede Feminina é uma associação sem fins lucrativos fundada em Brasília em 1996. A entidade atua no Hospital de Base com voluntários e mantém projetos voltados ao acolhimento e à assistência de pacientes de baixa renda. Entre as ações estão a distribuição de cestas básicas, auxílio para transporte, doação de medicamentos e exames, lanches para pacientes e acompanhantes, além de apoio à autoestima durante o tratamento.
Segundo Larissa Bezerra, gestora da Rede Feminina, a instituição sobrevive principalmente de doações e utiliza iniciativas como o bazar para conseguir manter as ações durante o ano.

“Esse projeto da Rede Feminina, ajuda também a Casa de Apoio, que fica fora do hospital, e atende pacientes que vêm de fora de Brasília e não têm onde ficar”, explica.
A Casa de Apoio recebe pacientes que chegam de outras localidades para realizar o tratamento no Distrito Federal. Além de oferecer hospedagem, a estrutura também auxilia com alimentação e acolhimento. A Rede Feminina mantém ainda projetos de transporte, cestas básicas, medicamentos e exames para pessoas em situação de vulnerabilidade.
O dinheiro arrecadado no Mega Bazar é destinado justamente a esse tipo de necessidade. Larissa conta que, com os recursos, a instituição consegue financiar cestas básicas, passagens e exames, além de atender pedidos emergenciais.
“Temos pacientes aqui que pensam em desistir do tratamento porque, por exemplo, uma radioterapia é feita todos os dias e o paciente fala para a gente o seguinte: ‘Eu não vou fazer porque como é que eu vou sobreviver? Como é que eu vou comer?’”.
A dimensão desse tipo de assistência aparece também nos dados divulgados pela própria entidade. Atualmente, mais de 500 famílias estão cadastradas para receber cestas básicas mensalmente, enquanto o lanche solidário é oferecido diariamente a pacientes e acompanhantes no ambulatório.
Um bazar que cresceu de doações
A relação da Rede Feminina com os bazares não começou com o evento desta semana. A instituição mantém um bazar permanente no ambulatório do Hospital de Base, onde roupas, calçados, acessórios e outros objetos recebidos em doação são colocados à venda.
A iniciativa tem uma dupla função. De um lado, permite que pessoas encontrem produtos por valores mais baixos. De outro, transforma itens que não seriam mais utilizados em recursos para pacientes.
O Mega Bazar é uma versão maior desta iniciativa. De acordo com Larissa, esta é a 17ª edição e costuma ocorrer duas ou três vezes ao ano. A diferença desta vez está na duração. Em vez de apenas dois dias, como ocorreu em outras edições, o evento foi ampliado para toda a semana.
Os preços também fazem parte da estratégia para atrair o público. Há produtos a partir de R$2, enquanto os itens de maior valor chegam a R$50. O pagamento pode ser feito em dinheiro, Pix, cartão de débito ou crédito, com parcelamento em até dez vezes sem juros.
A expectativa da organização é arrecadar mais de R$10 mil por dia durante a edição.
Do outro lado do balcão, o voluntariado

Para que uma estrutura desse tamanho funcione, as doações não são a única força. O trabalho dos voluntários também sustenta a rotina da Rede Feminina.
A entidade afirma ter mais de 250 voluntários atuantes. Eles participam de diferentes projetos e podem trabalhar em turnos dentro do hospital ou colaborar de outras maneiras. A instituição também mantém capacitações para quem deseja atuar no ambiente hospitalar.
Entre as pessoas que encontraram no voluntariado uma forma de participar está Giovana Cristina. Ela começou depois de participar de um curso de corte de cabelo oferecido pela instituição e acabou sendo convidada para atuar no bazar da Casa de Apoio.
“Eu sou voluntária aqui faz três meses e tomo conta do bazar da Casa de Apoio. Eu acho isso incrível. O projeto faz com que a gente ajude muita gente e nós precisamos dessa vontade de querer apoiar”, conta.
Para Larissa, o trabalho voluntário é parte essencial da estrutura mantida pela instituição. “Quando a gente fala de amor, a gente desperta nas pessoas a vontade de ser amor e ação, que é uma missão da Rede Feminina”.
Quem quiser participar pode fazer o cadastro pelo site da instituição e escolher a opção para se tornar voluntário. A Rede Feminina também recebe doações de roupas, calçados, utensílios domésticos, acessórios e outros itens que possam ser aproveitados nos bazares.
30 anos de força
A história da Rede Feminina começou em 1996, quando Maria Thereza Simões Falcão fundou a entidade em Brasília e levou o trabalho voluntário para o Hospital de Base. O primeiro espaço cedido para a atuação das voluntárias foi uma mesa e uma cadeira. Pouco depois, a organização ajudou na reforma de um andar do hospital atingido por um incêndio e passou a contar com uma sala própria para atender pacientes.
Quase 30 anos depois, a estrutura cresceu e também se multiplicaram os projetos. O bazar, que começou como uma forma de aproveitar doações e ajudar diretamente pessoas em situação de vulnerabilidade, tornou-se uma das fontes de recursos para manter essa rede funcionando.
Por isso, quem visita o Mega Bazar, ajuda a transformar doações em comida, transporte, medicamentos, exames e outras formas de apoio para quem enfrenta um tratamento de câncer.
Serviço
Mega Bazar da Rede Feminina de Combate ao Câncer
Quando: de segunda-feira (10/8) a sexta-feira (14/8)
Horário: das 8h às 17h
Onde: estacionamento do Hospital de Base do Distrito Federal
Formas de pagamento: dinheiro, Pix, débito e crédito