Eric Zambon
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Um dia antes de parte do viaduto da Galeria dos Estados desabar, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF) alertou sobre o risco de a Barragem do Lago Paranoá ruir. Com o incidente na Asa Sul, o aviso da entidade ganhou tons de urgência, a contragosto da intenção do próprio presidente, Luiz Carlos Botelho.
Ele passou o dia em reuniões justamente para apresentar um estudo técnico sobre o tema. Conforme sua assessoria, a ideia não era deixar a impressão de que um desastre aconteceria de um dia para o outro, mas somente prevenir para o futuro. O presidente vai se encontrar com engenheiros para elaborar um documento preciso e deve entregar ao Governo de Brasília até 19 de fevereiro.
A preocupação do Sinduscon é que a barragem, construída em 1959 para represar o Rio Paranoá e, assim, viabilizar a vida na árida Brasília, não era para se tornar passagem de carros. Assim, a sugestão da entidade é a construção de uma ponte ou outro tipo de passagem sobre a estrutura, que atualmente recebe milhares de veículos pesados, como ônibus e caminhões, diariamente.
A reportagem visitou o local e não constatou qualquer falha ou fissura aparente. Coincidência ou não, a cerca que protege a passagem de pedestres estava em reforma, na tarde de ontem, e uma equipe trabalhava no local reformando um piso e retocando o amarelo das grades. O asfalto sobre a barragem é falho e tem buracos, como praticamente em toda a cidade, mas não apresenta as rachaduras estruturais constatadas nas Pontes Honestino Guimarães e das Garças, por exemplo.

Asfalto sobre a barragem é falho e tem buracos. Foto: Myke Sena
Há quase três anos, o Jornal de Brasília esteve no mesmo lugar, mas devido a um acontecimento diferente. À época, a represa de rejeitos da Samarco, em Mariana (MG), havia rompido e criou-se uma comoção sobre o tema. A Companhia Energética de Brasília (CEB) garantiu que fazia vistorias semanais, bem como realizava periodicamente a limpeza dos drenos e manutenção das comportas.
Desta vez, o Governo não respondeu, até esta publicação, aos questionamentos sobre a quantidade e periodicidade das manutenções. Em outras ocasiões, porém, o Buriti já havia rebatido a versão do Sinduscon e descartado qualquer tipo de risco de desabamento.
Braghetto
A Ponte do Bragueto, batizada originalmente como Braghetto, em homenagem à empresa que a ergueu, é uma das estruturas em pior estado de conservação dentre todas que o Jbr visitou desde a queda do viaduto. Buracos enormes na parte inferior e uma goteira, fruto de infiltração, próximo a uma das pilastras de sustentação, sugerem fragilidade do monumento, o único que atravessa o Lago Paranoá pelo lado Norte da cidade.
A obra data de 1961 e recebeu manutenções insuficientes, como o Tribunal de Contas do DF (TCDF) constatou em seu relatório de 2012, que também já havia alertado para a precariedade de condições na Galeria dos Estados. Um documento elaborado três anos antes pelo Sindicato de Engenharia e Arquitetura (Sinaenco) constatou o mesmo. Tudo isso agravou a apreensão dos cidadãos, que criaram, pelo site Avaaz, uma petição online para reformar a ponte “antes que ela caia”, como diz a página.
Na tarde de ontem, após anunciar mudanças na hierarquia do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e prometer liberar R$ 50 milhões para cuidar de intervenções estruturais, o Governo de Brasília condicionou a resolução da questão – possivelmente a demolição da ponte – ao término das obras do Trevo de Triagem Norte, previstas para o fim de 2018.