O corpo do funcionário do Banco Central Ailton Martins Bispo, pharmacy 42 anos, advice foi encontrado, ontem pela manhã, em um matagal às margens da DF-430, quilômetro 17, no Rodeador, Área Rural, em Brazlândia. O bancário estava desaparecido desde as 23h de quarta-feira, quando conversou por telefone com um irmão. A polícia encontrou o carro de Ailton, o Idea placa JGA 6581-DF, carbonizado. O veículo ficou abandonado em um terreno baldio, entre a Estrutural e Taguatinga Norte.
O bancário foi assassinado com dois tiros de revólver. Um na cabeça e outro no braço direito. A polícia agiu rápido. Prendeu em flagrante os soldados do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), Jairo de Carvalho Barbosa e Bruno Lopes Rodrigues, ambos de 19 anos, e encontrou a arma do crime, um revólver calibre 32.
Jairo foi preso durante a madrugada, bebendo com amigos em um bar, no Setor Oeste, Gama. Ele tinha dois cartões de crédito do Banco do Brasil, o número da senha anotado em um papel dentro da carteira, R$ 80 e o celular da vítima. O soldado confessou o assassinato, levou os policiais ao local onde o bancário foi executado e denunciou o cúmplice. Bruno estava no quartel no momento em que a polícia o localizou.
Os soldados afirmaram que bebiam em um bar no Cruzeiro Center, onde Ailton também estava. Quando o bancário saiu, por volta de 1h de quinta-feira e entrava em seu carro, foi abordado. Jairo e Bruno pediram carona, mas empurraram o bancário para dentro do Idea e anunciaram o assalto. A princípio, o objetivo era roubar. Porém, o bancário teria dito que conhecia um dos acusados de vista e eles decidiram matá-lo.
A dupla fugiu no carro da vítima, mas decidiu incendiá-lo para não deixar pistas. Os militares foram autuados por latrocínio (roubo seguido de morte) com extorsão e podem ser condenados a uma pena de 33 anos de prisão.
Requintes de crueldade
Segundo o delegado Eric Seba de Castro, chefe da Divisão de Repressão a Seqüestro (DRS), a família de Ailton registrou ocorrência do desaparecimento por volta das 11h de quinta-feira. A mãe do bancário disse que, além de não ter dormido em casa, o filho não tinha ido trabalhar. Ele exercia uma função no departamento econômico do Banco Central.
Os parentes perceberam ainda que cinco saques, de cerca de R$ 1,5 mil, haviam sido feitos com cartões de crédito, na conta de Ailton. A polícia percebeu que as retiradas tinham sido feitas em caixas eletrônicos no Setor Central do Gama.
Mais de 20 agentes da DRS foram para a cidade. Abordaram várias pessoas em bares e num deles encontraram Jairo. A princípio, ele chegou a dizer que teria encontrado os cartões de crédito da vítima e o celular no Cruzeiro. Depois, disse que teria matado a vítima sozinho.
No entanto, com o desenrolar das investigações, caiu em contradições e confessou que estava com um colega, também soldado do Exército, e um outro rapaz no momento de incendiar o carro do bancário, que agonizou até a morte. Na opinião de Eric Seba, a vítima foi assassinada com requintes de crueldade. “O tiro no braço foi uma reação de defesa e o na cabeça parece ter sido disparado com ele ajoelhado”, disse.