Menu
Brasília

Aumento no número de transplantes de órgãos leva esperança a pacientes do DF

Rede pública de saúde realiza mais de 400 transplantes no primeiro semestre de 2025 e reforça importância da cultura da doação

Redação Jornal de Brasília

28/07/2025 18h04

Foto: Acervo pessoal

Foto: Acervo pessoal

Quando o telefone tocou pela oitava vez, Ingrid do Carmo, 32 anos, ainda não sabia, mas sua vida estava prestes a mudar. Do outro lado da linha, a notícia que esperava há meses: um novo fígado estava disponível. “Foi um misto de alívio, medo e gratidão”, relembra. “Hoje, vivo uma outra fase. Consigo pensar em fazer uma viagem, voltar a estudar, trabalhar”.

Diagnosticada com hepatite autoimune em 2021, Ingrid iniciou o tratamento no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). Após dois anos, os medicamentos perderam a eficácia e os sintomas se intensificaram. “Passei a me sentir muito mal, não conseguia mais trabalhar, então fui encaminhada ao ICTDF [Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal]”, conta. Lá, recebeu o diagnóstico de que precisaria de um transplante com urgência. “Foi um choque”.

O transplante aconteceu no fim de dezembro de 2024. Desde então, Ingrid transformou a rotina antes limitada pela doença. “Todos os dias eu vomitava, vivia enjoada, sempre amarela, sempre mal. Depois do novo fígado, esses sintomas passaram. A equipe do ICTDF e a minha família fizeram toda a diferença. Sem eles, eu não seria nada. São pessoas iluminadas”.

Transplantes em alta

A história de Ingrid se soma a outras centenas no Distrito Federal. De janeiro a junho deste ano, a rede pública de saúde realizou 424 transplantes – um aumento de quase 4% em relação ao mesmo período de 2024. Os procedimentos envolvem órgãos e tecidos como rim, fígado, coração, córneas, pele e medula óssea.

As cirurgias são realizadas em hospitais como o de Base (HBDF), Universitário de Brasília (HUB) e o próprio ICTDF, que atua por contrato com a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF). A rede ainda se destaca por procedimentos exclusivos, como o transplante de pele, feito apenas no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), e o transplante de medula óssea pediátrico autólogo, disponível no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB).

Trabalho sensível e essencial

A organização de todo o sistema de transplantes no DF é responsabilidade da Central Estadual de Transplantes (CET-DF), que atua tanto na rede pública quanto privada. Entre as funções da central estão o gerenciamento de listas de espera, o recebimento de notificações de morte encefálica e a logística de captação e distribuição dos órgãos.

Parte desse trabalho envolve contato direto com famílias em luto. “O momento mais difícil é a entrevista com a família que perdeu alguém”, relata Isabela Rodrigues, chefe do Banco de Órgãos do DF. “É preciso equilibrar o dever de esclarecer a importância da doação com a sensibilidade diante da dor”.

Isabela afirma que, apesar de não haver contato direto entre doadores e receptores, alguns transplantados buscam a equipe médica para demonstrar gratidão. “De vez em quando aparece alguém dizendo que só teve uma chance de viver melhor por causa daquela doação – é emocionante”, afirma.

Conversas que salvam vidas

Especialistas reforçam a importância da conscientização sobre a doação de órgãos. “Falta cultura de doação”, alerta Isabela. “Às vezes, a pessoa queria doar, mas a família não autoriza porque nunca conversou a respeito. A gente precisa falar mais sobre o assunto, em casa, com amigos, como quem defende o amor à vida”.

Histórias como a de Ingrid mostram que uma conversa em vida pode significar o recomeço para quem está na fila de espera. E que, por trás dos números, existem pessoas que hoje voltam a sonhar, trabalhar, viajar – e viver.

Com informações da Secretaria de Saúde

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado