Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br
Eles reivindicaram e foram atendidos. Desde ontem, os taxistas ganharam aumento de 16,23% nas tarifas. Mas, após conquistar o reajuste, grande parte da categoria ficou insatisfeita. Para eles, diante da crise e da concorrência com os serviços de transporte particular de passageiros, o aumento “veio na hora errada” e pode piorar a situação da classe. O resultado são corridas mais caras e passageiros em busca de alternativas mais baratas.
O reajuste foi concedido pelo governador Rollemberg por meio de decreto publicado no Diário Oficial do DF (DODF), ontem. Com isso, o consumidor, que gastava R$ 4,51 de bandeira inicial, vai pagar R$ 5,24. As demais taxas tiveram o mesmo adicional. O quilômetro percorrido, na bandeira 1 — antes de R$ 2,45 —, vai para R$ 2,85. Na bandeira 2, o valor passa de R$ 3,12 para R$ 3,66. A hora parada vai de R$ 27,29 para R$ 31,72. O último acréscimo foi concedido em julho de 2014.
Cálculo
Para chegar ao índice, o secretário de Mobilidade, Marcos Dantas, explicou que o governo ponderou as necessidades da categoria e da população. Segundo a pasta, o Sindicato dos Taxistas alegou aumento médio de 10% no combustível, resíduos não implantados nos últimos reajustes de 3,14% e 26,52% pela supressão da bandeira 2. O governo levou em consideração indicadores econômicos como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Na prática, a novidade ainda não está valendo para todo mundo. Muitos táxis estão com as tabelas e os taxímetros desatualizados, o que não deve durar muito tempo. Mesmo assim, o fato de as corridas estarem mais caras não tem agradado. Em um ponto da Quadra 304 do Sudoeste, o taxista Carlos José de Souza Lima, 42 anos, reclamou: “O momento não é bom devido à crise e à concorrência com o Uber. Isso vai favorecê-los”.
Há cinco anos na profissão, Carlos contou que está sem a nova tabela. “Fiz corridas hoje (ontem) pelo preço antigo. Ainda não passei o aumento para o consumidor”, completou. Segundo ele, o certo seria lutar por outras questões, como a diminuição do preço do combustível: “Qualquer melhoria que não pesasse no bolso do cliente seria mais inteligente. Não era hora de encarecer o serviço”.
Por fim, ele também destacou a questão dos aluguéis e das permissões dos veículos. “Essa taxa vai ficar mais cara para os que têm essa despesa. Como solução, sugiro congelar esse aumento até a crise do País melhorar”, concluiu.
Profissionais a favor e contra a mudança
No ponto de táxi da Quadra 105 do Sudoeste, Romilto Ferreira Cruz, 38 anos, diz que o reajuste tinha que acontecer no fim do ano: “A concorrência é grande. A minha sorte é que eu tenho clientes fixos, mas os taxistas que circulam no aeroporto e nos setores hoteleiros vão sentir mais. O momento não é bom”.
Há quem comemore a mudança. É o caso do taxista Braz Pereira dos Santos Júnior, 31 anos, que trabalha no ponto do Venâncio 2000. “Todo aumento é bem-vindo. Só que o reajuste está defasado, não foi suficiente para cobrir as nossas perdas de anos. Em relação à concorrência, nada vai mudar. Cada serviço tem seu público”, declarou.
Entre os passageiros, a notícia foi desanimadora. Para a servidora pública Sandra Helena Vargas Ferreira, 48, usuária de táxi com frequência, o reajuste é um abuso. “O impacto vai direto no bolso do consumidor. Eu já pago quase R$ 80 do Plano Piloto para Sobradinho no preço antigo. Não sei o que fazer agora”, lamentou.
A estudante Michelle Diniz, 23 anos, garante que o aumento é mais um motivo para a população aderir ao Uber. “Eu e meus amigos só usamos o Uber. É muito mais barato”, garantiu. Moradora de Águas Claras, ela contou que paga R$ 28 de casa para o Plano Piloto. “Imagina se fosse de táxi? Além disso, o serviço é infinitamente melhor”, justifica.
O JBr. procurou o Sindicato do Permissionários de Táxis e Motoristas Auxiliares do DF (Sinpetaxi), mas não conseguiu contato. O Uber, questionado pelo JBr. a respeito do crescimento do serviço na capital, informou que não divulga esse tipo de dado.
Saiba mais
As multas aplicadas às infrações do serviço de táxi também terão acréscimo no mesmo percentual. Para as do grupo A, do tipo leve, a quantia passa de R$ 151,14 para R$ 175,67. Grupo B (infração média), de R$ 344,37 para R$ 400,26. Do C (grave), de R$ 395,30 para R$ 459,42, e do D (gravíssima), de R$ 864,40 para R$ 1.004,69. A partir de agora, os autorizatários do serviço têm prazo de 90 dias para aferir os taxímetros.