Por Vítor Ventura
Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), o número de ataques a pessoas envolvendo abelhas na capital neste ano já superou o do ano passado. Até outubro, foram 179 ocorrências contra 145 confirmadas em 2024. Mas não foram apenas os ataques que aumentaram. O número de vezes que o Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF) foi acionado em ocorrências relacionadas à averiguação e captura de insetos, abelhas e similares também subiu consideravelmente na comparação entre os dois anos.
Em 2024, os militares foram acionados 3.530 vezes. Neste ano, o número já chegou a 9.319. A média é de 28 chamados por dia. Às vezes, pela quantidade de enxames, o Corpo de Bombeiros aciona especialistas que têm a experiência necessária para tirar os insetos de áreas urbanas. José Serafim, apicultor que trabalha com a retirada de abelhas e similares, é uma dessas pessoas.

Mais conhecido como Paraíba das Abelhas, José conversou com o Jornal de Brasília na tarde desta segunda-feira (1) depois de fazer a retirada de um enxame que havia se aglomerado em um poste próximo a uma quadra esportiva no Bloco E da 209 Sul. Ele explicou que a expansão urbana é um dos motivos pelos quais enxames de abelhas são cada vez mais vistos em diferentes cantos do DF.
“A gente invadiu o habitat delas. As abelhas que já nascem na cidade não procuram abrigo em regiões de mata, elas procuram justamente na cidade”, contou José. De acordo com ele, os insetos só atacam quando se sentem ameaçados, por isso ao se deparar com um enxame o ideal é se manter afastado das abelhas e acionar o Corpo de Bombeiros.
De acordo com a SES-DF, os ambientes urbanos são propícios para a instalação de colônias, pois fornecem abrigo e recursos para a sobrevivência das abelhas. Outro fator que pode contribuir para o aumento do risco de acidentes é a migração de enxames para as cidades. Além disso, durante a estação seca, a ocorrência de queimadas é frequente, algo que reduz o habitat natural das abelhas, ocasionando a busca por alimento e abrigo na área urbana.
Na Asa Sul, os moradores têm relatado a presença dos insetos frequentemente. Na última quinta-feira (27), três pessoas ficaram feridas após um ataque de abelhas na quadra 713. Nas redondezas da 209 Sul, onde José fez a retirada, uma moradora contou ao JBr que outros enxames haviam sido vistos recentemente.
De acordo com Gabriela Lagos, que gerencia uma pequena banca na região, os moradores ficaram sabendo logo cedo que havia abelhas perto da quadra esportiva. “Na semana passada tinha um [enxame] aqui no bloco E. Em outra semana tinha outro atrás do comércio”, relatou.
Ela disse que não houve ataques na 209 Sul, apesar da frequência de aparição das abelhas. No entanto, ela contou que os moradores ficam preocupados com essa situação. “Muitas crianças brincam por aqui. Hoje mesmo nenhuma desceu para brincar. Aqui é uma quadra muito família, nesse horário ela estaria cheia se não fossem as abelhas”, destacou Gabriela.
Cuidados com as abelhas
José Serafim reforçou que não é recomendado se aproximar de enxames de abelhas para que elas não se sintam ameaçadas. “É muito perigoso, a gente tem que ter muito cuidado, porque parece fácil, mas não é. Eu mexo há muito tempo e ainda aprendo uma coisa diferente todos os dias. Não vai mexer com elas, é o conselho que eu dou”, comentou o apicultor.

Com uma experiência de 45 anos, José disse ao JBr que tem atendido cerca de 10 chamados por dia para fazer retiradas de abelhas. Após colocar os insetos em um recipiente, ele os leva para inseri-los de volta na natureza. “A gente tem uma chácara no Lago Norte. Nós soltamos as abelhas lá no habitat delas”.
O que fazer com ataques
José ressaltou a importância de acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros ou um apicultor ao encontrar uma colmeia. Se os insetos começarem a atacar, a orientação que o apicultor dá é se afastar o máximo do foco do enxame. “Se abrigar em um carro, dentro da casa, você tem que sair de perto da colmeia. Ataque de abelha, para você se livrar, é muito complicado”, contou. Os bombeiros podem ser chamados através do número 193.
O Corpo de Bombeiros orienta que as pessoas evitem movimentos bruscos ou que agitem as mãos perto do rosto e se afastem rapidamente do local, procurando abrigo em um ambiente fechado. Conforme o CBMDF, caso a pessoa seja picada, a recomendação é lavar a área com água fria e aplicar compressas frias ou gelo para aliviar a dor e o inchaço. Em casos de reações alérgicas, múltiplas picadas ou sintomas como falta de ar, inchaço na garganta ou tontura, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente.