Da totalidade de mortes de pedestres ocorridas em 2009 no Distrito Federal, 9,6% ocorreram na faixa de pedestre, como mostram dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). O índice histórico é mais que o dobro do registrado no ano anterior e quase sete vezes maior que o de 2007. As justificativas dos motoristas variam entre não enxergar as pessoas atravessando as ruas à falta de sinalização por parte do pedestre. Esses, por sua vez, culpam os condutores por dirigirem em alta velocidade e consumir bebidas alcoólicas antes de assumirem a direção. Contudo, especialistas são unânimes em dizer que há desrespeito em ambos os lados e que há necessidade de ampliar as ações de educação no trânsito.
Na última semana, um bebê de dois meses foi vítima de um acontecimento como esse e ficou gravemente ferido. A assessoria do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) não informou o estado de saúde atual dele, mas afirmou que permanece internado. O motorista responsável por atropelar o bebê e sua mãe, Raimundo Benevides, 61 anos, apresentou-se na última segunda-feira. Ele será indiciado por lesão corporal culposa, com dois agravantes. Um terço por ser na faixa de pedestre e outro terço por não prestar socorro. A pena pode variar de seis meses a dois anos por cada vítima.
Campanhas educativas
O professor de Engenharia de Tráfego da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques acredita ser necessário retomar campanhas de paz no trânsito, como a ocorrida em 1996. “O índice de acidentados é alto. De toda forma, é necessário que haja uma atenção maior com relação à condição dos pedestres no DF. Foi criada uma cultura da faixa de pedestre, mas isso ficou parado por um tempo. Outra coisa é que mais pessoas entram no sistema, outras cresceram, então não podemos relaxar”, justifica. “A presença dos agentes de trânsito nas ruas é importantíssima, não somente no sentido de aplicar multas, mas no sentido de dar respaldo à população”, acrescenta.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) diz que a pessoa é obrigada a atravessar na faixa de pedestres quando estiver a até 50 metros dela, no entanto, as passarelas aéreas e as passagens subterrâneas possuem, na maioria das vezes, uma distância superior, o que faz com que o pedestre trafegue por entre as vias. Estudiosos acreditam que o raio médio entre as passagens subterrâneas do Plano Piloto gira em torno de 700 metros. Nesse sentido, para que o pedestre tivesse, necessariamente, que transitar somente pelas passagens exclusivas, seria necessária a construção de outras 12 intercaladas.
O CTB prevê multa para os pedestres que desrespeitam a lei, deixando de usar faixas ou passarelas. Mas, na prática, a penalidade não é aplicada. Se fosse cobrada, a multa seria metade do valor de uma infração leve.
LEIA MAIS NO JORNAL DE BRASÍLIA