Carla Rodrigues e Manuela Rolim
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No início da audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-10), parecia que o acordo entre o Metrô- DF e os sindicalistas era quase certo. Porém, foi justamente no meio do encontro, depois do intervalo, que a empresa retornou decidida a não negociar mais. O motivo, afirmou o chefe da Assessoria de Relações do Trabalho do Metrô-DF, Marco Antônio Fortes, é que nem os diretores da empresa nem o governo aceitarão entrar em um consenso com o Sindicato dos Metroviários (SindMetrô) enquanto os funcionários estiverem em greve.
Entre as principais reivindicações da categoria, parada desde a última terça-feira, estão a convocação dos aprovados no concurso de 2013, a retirada de comissionados e terceirizados em excesso e a execução dos projetos de modernização do sistema.
“Apresentamos a proposta, inicialmente, com relação a contratar concursados quando a empresa saísse do limite prudencial. E negociamos a questão dos comissionados. A gente fez proposta, mas não avançou na questão do auxílio- alimentação para compor o reajuste salarial e elevá-lo em R$ 382. Mas, infelizmente, tivemos isso retirado pela empresa e pelo GDF devido ao início do movimento paredista”, disse o representante do Metrô-DF. “A proposta estava condicionada à não decretação da greve”, frisou.
Enquanto isso, o funcionamento do sistema é incerto. O desembargador Pedro Foltran, que conduziu a audiência no TRT, abriu prazo de dez dias para apresentação da defesa por parte do sindicato. Até lá, garantem os grevistas, a ideia é continuar a paralisação.
Também não se sabe se haverá funcionários suficientes para continuar com o plano de contingência nos horários de pico hoje, a exemplo do que aconteceu ontem. O Metrô acusa os grevistas de não cumprir com os 30% de funcionários.
“Foi criado um período de três horas de funcionamento para levar a população para a casa. Agora, a gente vai depender do efetivo”, disse Marco Antônio Fortes.
Já o sindicato assegura que cumpre a determinação. O que teria acontecido ontem pela manhã, explicou o diretor de Relação Sindical Ronaldo Amorim, é que a direção do Metrô paralisou o sistema, impedindo que os funcionários trabalhassem. “O Metrô não permitiu que o sistema rodasse com a justificativa de falta de segurança”, salientou. “Inclusive, estão colocando gerentes, que não têm costume de pilotar, para essa função. Se estão falando de segurança, esse é o método mais inseguro”, criticou.
Negociação
Segundo o chefe da Assessoria de Relações do Trabalho da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF), Marco Antônio Fortes, antes do início da greve, a proposta era um aumento de R$ 382 no vale-alimentação dos servidores. Isso até que o reajuste salarial se tornasse uma possibilidade real. O aumento equivale à correção de 75% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Com a greve e depois de terem consultado os diretores da empresa e o Governo do Distrito Federal, o acordo foi retirado da mesa de negociação. Os sindicalistas reagiram.
“A gente tentou intermediar algum tipo de proposta. Mas o GDF simplesmente disse ‘olha, continuem em greve, porque a gente não vai mais fazer nada’”, afirmou o diretor de Relação Sindical do Sindmetrô, Ronaldo Amorim.
Menos tumulto na volta pra casa
No segundo dia de greve dos metroviários, a volta para casa no fim do expediente foi menos tumultuada ontem. Isso porque, ao contrário da última terça-feira, algumas estações da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) ficaram abertas entre 17h30 e 20h30. No total, 12 estações funcionaram para embarque e desembarque. A companhia abriu os outros 12 terminais apenas para desembarque. Pela manhã, no entanto, o serviço ficou completamente paralisado.
No fim da tarde, na Estação Central, na Rodoviária do Plano Piloto, ainda que carente de informações sobre o regime especial de funcionamento, nenhuma confusão foi registrada. Ainda assim, o terminal recebeu passageiros incomodados com os transtornos da greve.
A doméstica Marlene Vieira da Silva, de 37 anos, que trabalha no Lago Sul e mora em Ceilândia Sul, contou que chegou atrasada ao serviço. “Pela manhã, a estação do metrô que eu pego todos os dias estava fechada. Tive que pegar dois ônibus lotados para chegar, super atrasada, ao trabalho. É um transtorno, pois acordo cedo, e patrão nenhum quer saber de atraso”, afirmou.
O servidor público Wasley Maurício Teles, de 30 anos, também teve problemas para chegar ao trabalho, na Esplanada dos Ministérios. “Moro em Ceilândia, e a estação da Guariroba, que eu sempre pego, estava fechada. Gastei quase duas horas no trajeto de ônibus”, lamentou o servidor.
Saiba mais
Mesmo depois da falta de acordo entre as partes, os servidores da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) se reuniram às 20h, na Praça do Relógio, em Taguatinga, para repassar o resultado da reunião.
A nova audiência entre os sindicalistas e o Metrô-DF foi marcada para o dia 16 de novembro.