Até onde você iria para descobrir uma traição? Nas ruas do DF, muita gente admite bisbilhotar a vida do companheiro em busca de evidências. Mas a invasão, muitas vezes, configura crime e, além de acabar com um romance, pode custar caro ao autor desse tipo ação.
A intimidade de um casal brasiliense virou motivo de discussão depois que a Justiça determinou ao Banco de Brasília que indenizasse um cliente que teve os dados bancários quebrados a pedido da companheira, que desconfiava de traição. Após a revelação, o casal se separou. Na decisão da 8ª Vara da Fazenda Pública, o banco foi obrigado a pagar R$ 30 mil de danos morais ao correntista. E a funcionária que vazou os dados acabou demitida.
À Justiça, o homem argumentou que a ex-mulher teve acesso a seus extratos e descobriu “despesas que geraram dúvidas quanto a sua fidelidade”. Depois disso, a separação teria lhe causado forte depressão e necessidade de usar medicação controlada. “Toda a paz e tranquilidade que gozava antes dos fatos foi arruinada por um ato infeliz e irresponsável por parte do banco, por meio de seus funcionários”, ressalta a sentença.
Confissões
Ao serem questionados, muitos brasilienses admitem que, de uma forma menos “acintosa”, já invadiram a intimidade do parceiro – seja acessando as contas nas redes sociais ou vasculhando gavetas.
As ligações recorrentes de uma colega de trabalho do marido despertaram o ciúme da comerciária Rosane Carvalho de Almeida, 34 anos. “Estranhei porque eram sempre após o expediente”, lembra. A desconfiança a levou a vistoriar a gaveta dele, onde encontrou a prova: uma carta escrita por ele para a amante, que acabou não entregue.
Em um dos trechos, ele dizia que iria se separar para ficar com a amante. “Nos separamos e hoje não confio em ninguém”, conta.
Para Rosane, o casal não tem de esconder nada. “Ela (a funcionária que vazou os dados do autor da ação contra o BRB) está errada. Mas a mulher dele (autor da ação), não”, analisa. A ferida da separação demorou quatro anos para começar a cicatrizar em Rosane. Somente há cinco meses, ela conseguiu se apaixonar por outro homem. Mas não pensa em casar novamente. “A traição não tem perdão”, conclui.