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Brasília

Até onde você iria para descobrir uma traição?

Arquivo Geral

23/07/2014 7h40

Até onde você iria para descobrir uma traição? Nas ruas do DF, muita gente admite bisbilhotar a vida do companheiro em busca de evidências. Mas a invasão, muitas vezes,   configura  crime e, além de acabar com um romance, pode custar caro ao autor desse tipo ação.

A intimidade de um casal brasiliense virou motivo de discussão   depois que a Justiça  determinou ao Banco de Brasília que indenizasse um cliente que teve  os dados bancários quebrados a pedido da companheira, que desconfiava de traição. Após a revelação, o casal se separou. Na decisão da 8ª Vara da Fazenda Pública, o banco foi obrigado a pagar R$ 30 mil de danos morais ao correntista. E a funcionária que vazou os dados acabou demitida. 

À Justiça, o homem argumentou que a ex-mulher teve acesso a seus extratos   e descobriu “despesas que geraram dúvidas quanto a sua fidelidade”. Depois disso, a separação teria lhe causado forte depressão e necessidade de usar medicação controlada. “Toda a paz e tranquilidade que gozava antes dos fatos foi arruinada por um ato infeliz e irresponsável por parte do banco, por meio de seus funcionários”, ressalta a sentença.

Confissões

Ao serem questionados,  muitos brasilienses  admitem que, de uma forma menos “acintosa”, já invadiram a intimidade do parceiro – seja acessando as contas nas redes sociais ou vasculhando gavetas.

As ligações recorrentes de uma colega de trabalho do marido despertaram o ciúme da comerciária Rosane Carvalho de Almeida, 34 anos. “Estranhei porque eram sempre após o expediente”, lembra. A desconfiança a levou  a vistoriar a gaveta dele, onde encontrou a prova:   uma carta escrita por ele para a amante, que acabou não   entregue.

 Em um dos trechos, ele dizia que iria se separar para ficar com a amante. “Nos separamos e hoje não confio em ninguém”, conta.

Para Rosane, o casal não tem de esconder nada. “Ela (a funcionária que vazou os dados do autor da ação contra o BRB) está errada. Mas a mulher dele (autor da ação), não”, analisa. A ferida da separação demorou quatro anos para começar a cicatrizar em Rosane. Somente há cinco meses, ela conseguiu se apaixonar por outro homem. Mas não pensa em casar novamente. “A traição não tem perdão”, conclui. 

Clientes oferecem até dinheiro
 
Assim como nos bancos, funcionários de companhias telefônicas também são constantemente abordados por clientes. Sandra (nome fictício) já recebeu diversas propostas, inclusive com  promessa de pagamento. “Ofereceram R$ 100 para que eu passasse a fatura detalhada com as chamadas. Recusei, pois é crime”, relata. 
A  quebra de sigilo bancário  ou telefônico pode render uma pena de até quatro anos para os envolvidos. “As hipóteses naturais de quebra de sigilo são por ordem judicial e  a mando do Banco Central, mas em casos suspeita de lavagem de dinheiro”, sublinha o conselheiro da OAB,  Rafael Augusto.
 
Redes sociais
 
Os namorados João Lopes, 19, e Ana Rôlo, 18, tiveram apenas uma  crise de ciúmes em três anos por causa de uma “violação autorizada” de rede social. Seguro do sentimento em relação à namorada, João resolveu confiar a ela a senha do Facebook. Numa das visitas à conta dele, Ana se chateou com  mensagens trocadas  com uma amiga. 
A estudante moradora da Asa Norte cobrou explicações de João. Mais serena,   admitiu: “Isso só complicou o relacionamento”. Apesar de perdoá-la, o morador do Guará pediu  que Ana não fizesse mais isso. A confiança, segundo ele, não mudou. Mas  a senha foi trocada.
 
Crime passional
 
Ciúme teria motivado outro delito em   Sobradinho II. Preso ontem por atear fogo em um barraco nas Chácaras Buritis,  um homem diz que cometeu o ato depois de ter visto a ex-mulher com outra pessoa. O acusado, que tem antecedentes criminais por violência doméstica, incendiou a casa onde mora a ex-companheira.

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