Ingrid Soares
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Os assaltos em coletivos e em residências aumentaram no mês passado em relação a outubro de 2014. De acordo com o balanço da Secretaria de Segurança, os roubos em ônibus passaram de 193 para 314 (62,7%). Já os crimes em casas subiram de 47 para 69, ou 46,8%. Se comparados os primeiros dez meses do ano, o aumento foi de 15%. Mas os índices em alta não pararam por aí.
No mesmo período, os casos de tentativa de homicídio aumentaram de 82 para 102 (24,4%). Os homicídios cresceram em 10%, sendo registrados 55 neste ano, cinco a mais que o mesmo período do ano passado. Por outro lado, no comparativo anual, a redução foi de 13,6%. Em 2014, 573 morreram de forma violenta, e 495 em 2015.
Fora do planejamento
O comandante-geral da Polícia Militar, Florisvaldo Ferreira César, admite que os protestos ocorridos em outubro, período de greves de mais de 30 categorias de servidores, afetaram a segurança no DF. “Muitas dessas manifestações não são informadas. Daí, sai do planejamento. Temos que deslocar pessoal para essas emergências, para controlar o trânsito, garantir o direito dos que se manifestam e dos que querem trabalhar. Isso acaba trazendo um desequilíbrio de atendimento”, justifica.
Segundo ele, no caso das ações na área central, são chamados policiais que estavam em ronda ordinária na zona metropolitana, “o que, obviamente, gera um impacto”.
Em outubro, ocorreram 93 protestos, bloqueios de vias e eventos similares, sendo que apenas 11 foram comunicados previamente. Foram empregados 4.230 policiais militares nessas ocasiões.
A avaliação do chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, é semelhante: “De uma maneira geral, temos de reconhecer que o aumento em alguns crimes aconteceu por conta das manifestações. Foram circunstâncias excepcionais que mexeram com os índices. Pretendemos continuar com investimentos no Programa Pacto pela Vida e nas áreas que mais precisarem da nossa atenção”.
“Provocação de desordem”
O diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba, ressalta também a grande quantidade de paralisações e protestos. “A sociedade pensa que dentro da cidade tudo pode ser feito, mas a segurança publica é responsabilidade de todos. Enxergo uma certa provocação de desordem por irresponsabilidade de parte da nossa sociedade”, dispara.
Passageiros têm medo
Na Rodoviária do Plano Piloto, não faltam relatos de assaltos a ônibus. O segurança Nilton Freire diz ter sido roubado por dois menores quando o coletivo saía do Gama, onde mora, rumo ao Plano Piloto.
A servente de limpeza Vanda Maria Rodrigues também foi abordada por dois adolescentes quando o ônibus chegava em Samambaia Norte, há três meses. “Levaram tudo de todo mundo. Tivemos que entregar, pois estavam armados. A gente tem medo, os assaltos são constantes”, reclama.
O carregador Leonardo Roberto da Cruz, de Ceilândia, conta que a sogra foi roubada por quatro homens em circunstâncias parecidas: “Apenas um estava armado. Ele entrou no ônibus e pagou a passagem como um passageiro comum. Após dez minutos, eles anunciaram o assalto. Os bandidos saíram correndo e entraram no matagal” .
Se nos ônibus os passageiros não se sentem seguros, nas ruas também não. Foram registrados 2.721 roubos a pedestres em outubro, um aumento de 0,4%. Já na comparação com os dez primeiros meses do ano, baixa foi de 6,4%. Segundo o comandante da PM, Florisvaldo Ferreira César, uma operação de fim de ano será lançada até a próxima semana para intensificar o policiamento nas áreas de maior movimento. (Colaborou Rosana Jesus)
Parte dos crimes em queda
Na contramão dos índices em alta, os números de estupro apresentaram queda de 18,2%. Foram 54 casos em outubro, contra 66 no mesmo período do ano passado. Em relação aos primeiros dez meses, a redução chega a 23,9%.
Furtos e roubos de veículos também baixaram 36,6% e 15,9%, respectivamente. Houve registro de 1.344 carros furtados em outubro de 2014, e 852 no mês passado. Entre os roubos, a queda foi de 515 para 433.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Coronel Hamilton, conta que também houve uma redução de 9% dos atendimentos de acidente de trânsito. “Isso é fruto do trabalho conjunto entre as forças. Também estamos atentos aos casos de incêndios florestais e combate à dengue”, garante.
A secretária interina de Segurança Pública, Isabel Seixas de Figueiredo, comentou as estatísticas do mês: “Apesar de apresentarmos alguns números mais altos em outubro, temos uma tendência consolidada de queda nos principais crimes no DF em 2015. Isso se deve ao trabalho coletivo e o aprimoramento das investigações”.