Alunos do ensino médio e fundamental da rede pública de ensino do Distrito Federal aprenderão um pouco sobre uma das mais autênticas e festejadas manifestações da cultura popular brasileira. Cinco escolas de cinco cidades do DF receberão, a partir desta segunda-feirA (10) as obras que compõem a exposição Xilogravura e Literatura de Cordel. A mostra reúne cerca de 400 obras de cordelistas e xilogravadores como J. Borges, Marcelo Soares, Abraão Batista, Kirbano Sabóia (Dila), Costa Leite, Airton Laurindo, J. Miguel e José Lourenço.
Cada escola receberá a exposição por uma semana nos turnos matutino, vespertino e noturno. A abertura será realizada sempre às segundas-feiras em cada instituição com a apresentação de duplas de repentistas tradicionais da cidade. Aos sábados, ocorrerá a desmontagem para que a exposição possa ser montada na escola seguinte.
As gravuras serão expostas em molduras e as matrizes em paineis típicos do ambiente nordestino. A exposição terá também um canto de leitura, onde os visitantes poderão apreciar diferentes cordeis. As escolas contempladas com as atividades do projeto receberão uma maleta literária composta de acervo bibliográfico a respeito da Xilogravura e Literatura de Cordel, além de exemplares que passarão a integrar o acervo da biblioteca escolar.
Além da exposição, os alunos terão ainda oficinas de literatura de cordel que serão ministradas pelos repentistas Chico de Assis, Joáo Santana e Valdenor de Almeida e pelo cantador e cordelista Donzílio Luiz. “Faremos uma introdução teórica sobre a história do cordel no Brasil, sua chegada e disseminação no país. Também apresentaremos noções básicas de métrica e ritmo para a leitura do cordel”, explica Chico de Assis.
A comunidade escolar, composta por pais e familiares dos alunos das escolas também estará convidada a participar dos programas e atividades do projeto Xilogravura e Literatura de Cordel. A exposição faz um recorte da cultura e da vida sertaneja. Retrata a criatividade e a maneira bem humorada do povo nordestino transcender a realidade. Em cada escola serão expostas obras, matrizes, cordeis e instrumentos de trabalho dos cordelistas e xilogravadores. As oficinas de literatura de cordel serão trabalhadas paralelamente em parceria com os professores das escolas.
A curadoria da exposição é de Átila Ribeiro Regiani, que cursa o doutorado em Teoria e História da Arte pela Universidade de Brasília (UnB) e possui mestrado em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (2008), e de Ruth Sousa, que cursa doutorado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e possui o título de mestre pela mesma instituição. “Optamos por selecionar xilogravuras que têm mais ligação com o universo lúdico de crianças e adolescentes como imagens que representam o sertanejo, figuras como Lampião e o Padre Cícero e também personagens fantásticos e mitológicos no imaginário nordestino”, diz Átila Ribeiro.
A realização do projeto, que tem o apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal por meio do Fundo de Apoio à Cultura, é justificada pelo valor educativo, histórico e artístico que a exposição contém. É uma das mais completas e representativas iniciativas sobre xilogravura e literatura de cordel já realizadas para crianças e adolescentes no país. O Distrito Federal apresenta na grade curricular da educação básica das escolas públicas, nas áreas de artes e língua portuguesa, o ensino de manifestações socioculturais e históricas, entre elas a xilogravura e a literatura de cordel.
A xilogravura e a literatura de cordel
Um dos aspectos mais intrigantes desse tipo de expressão popular é a figura do artista nordestino: o sertanejo. Em geral, pessoas pobres, autodidatas ou semi-analfabetas, que tem no semi-árido brasileiro sua maior inspiração, ilustrando as ilusões e esperanças do sonho nordestino de superação da realidade e o imaginário fantástico em que deuses, diabos, pessoas comuns e personagens fabulosos convivem alegoricamente lado a lado. Esse tipo de produção costuma ser espontânea e sem vínculos com instituições comerciais, como editoras, por exemplo. Os artistas vendem suas obras nas feiras e nas ruas, passando essa tradição de pai para filho.