Os últimos dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) de apreensões de crack são assustadores. Em 2008, a polícia tirou de circulação 4.342 pedras da droga. No ano seguinte, o número subiu para 11.967 pedras, o equivalente a um crescimento de 175%. O número comprova que o crack se expandiu pela capital do País e atingiu todas as classes sociais. Este mal tem provocado sofrimento e desespero a milhares de famílias.
É comum encontrar crianças, adolescentes e jovens, inclusive, meninas grávidas fumando e vendendo a droga, em plena luz do dia na região central de Brasília, a pouco metros da Esplanada dos Ministérios e do Congresso Nacional. Desesperadas, mães costumam telefonar para a polícia pedindo ajuda.
Uma delas, moradora de uma quadra nobre da Asa Sul, ligou para a Coordenação de Repressão às Drogas (Coord). Desesperada e chorando muito, conversou com o diretor João Emílio Ferreira de Oliveira. Pediu que o delegado a socorresse. Disse que tem dois filhos jovens e estudantes da Universidade de Brasília (UnB). Porém, usuários de crack, abandonaram o trabalho, os estudos e estavam totalmente entregues à droga. Naquele momento, a situação era muito grave. Um traficante ameaçava invadir o apartamento para receber o dinheiro que os rapazes deviam. A dívida era com o crack.
Novas apreensões
Drama como o dessa mãe tem sido comum. A polícia intensificou as operações para coibir tanto o tráfico quanto o uso. Nos dois primeiros meses deste ano, só a Coord apreendeu cerca de 5 quilos de crack. Em apenas pouco mais de uma semana do mês de março, a delegacia retirou de circulação 14,5 quilos da pasta-base, usada na preparação de cocaína, merla e crack. No entanto, os investigadores descobriram que toda a pasta era destinada à fabricação de crack.
De acordo com João Emílio, o crack é a droga que está em evidência. Ele explica que o usuário de maconha, cocaína e droga sintética consegue, com todos os problemas, manter a vida trabalhando, estudando ou desenvolvendo outra atividade. No entanto, o crack, pelo alto poder de destruição, deixa o usuário completamente sem noção de convívio social. Muitas vezes abandona a família para viver na rua. “Uma, duas ou três pedras não o satisfaz e ele fica refém da droga”, afirma.
Na opinião de João Emílio, o crack não é apenas um problema policial. O delegado afirma ser necessário um esforço concentrado de toda a sociedade em uma frente de prevenção para combater esse mal que assusta e mata a população. Atualmente, o foco da Coord está voltado para traficantes que movimentam muita pasta-base para fazer o crack.
O delegado Aelio Caracelli Jr, adjunto da 5ª DP (Setor Central), garante que a preocupação da delegacia é o combate diário ao tráfico e uso de drogas. “Não é só um problema policial, mas social e de saúde pública”, diz.
Caracelli afirma que a lei coloca o usuário como dependente e vítima da droga. Por isso, merece cuidados especiais do Estado. Porém, falta entidades suficientes para atender a crescente demanda. O delegado afirma que o combate tem que ter uma visão multidisciplinar para evitar que a droga usada desde cedo por menores seja a porta de entrada para crimes mais graves.