Júlia Carneiro
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Francisco Rodrigues, 34 anos, foi parar no hospital quando descobriu que havia marcado os números das dezenas sorteadas da Mega da Virada, mas não havia registrado o volante. Quando constatou que um dos jogos tinha as seis dezenas sorteadas, ele desmaiou e foi preciso chamar o Corpo de Bombeiros para socorrê-lo.
O feirante, que trabalha nas Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa), teria combinado de fazer um bolão junto com a dona do box de frutas e verduras onde trabalha e mais cinco colegas. O problema é que em cima da hora, depois de Francisco passar a noite inteira preenchendo as cartelas, os amigos desistiram de pagar os R$ 100 cada um.
Celsi Teresinha Perius, proprietária da banca, havia até aceitado dividir entre os dois o valor das 86 apostas, um total de R$ 516, mas Francisco disse que não conseguiria arcar com sua metade. “Quando o Francisco apareceu na Ceasa, já estava tremendo todo porque achava que tinha acertado os números. Na hora que ele conferiu, desmaiou e caiu duro no chão”, contou Celsi. Ela, porém, não se abalou como o funcionário e encarou a situação com tranquilidade. Apesar de já ter programado o que faria com o dinheiro, a quase vitória não abalou tanto a fé dela: “Deus sabe o que faz. Não foi dessa vez. Mas vamos continuar tentando. Se eu ganhasse, com certeza iria ajudar a minha família e quem mais precisa”, disse.
Francisco foi levado para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), onde passou por uma série de exames de rotina, e foi em seguida transferido para o Hospital de Base para uma avaliação psiquiátrica. Recebeu alta por volta das 16h. Ao final do dia, ele já estava calmo e até fez três jogos para concorrer ao rateio da Mega-Sena ontem, com prêmio de R$ 2,5 milhões, bem menos do que levaria se tivesse sido contemplado na Mega da Virada.
Outro possível participante do bolão também ficou incomodado com a situação, mas mesmo assim passou o dia todo na correria e preocupado com seu colega que passou mal. “Nós íamos dividir entre todo mundo. Eu realmente ia participar, só que muita gente não apareceu para trabalhar na segunda-feira e, acabou que não pagamos”, lembra Warte Pereira, 25 anos, vendedor.
O prêmio de mais de R$ 240 milhões foi dividido entre três ganhadores, dois de São Paulo e um de Aparecida de Goiânia, em Goiás.
DF teria mais um milionário da loteria
O maior prêmio da história das loterias da Caixa embalou os sonhos de muita gente por todo o País. No último dia de apostas, as filas ficaram enormes nas lotéricas, principalmente porque no sábado o sistema ficou bastante lento, provocando o desespero de vários apostadores.
Os bolões, agora regulamentados, foram feitos em vários locais. Famílias, colegas de trabalho, grupos de amigos, todos reuniram as esperanças e jogaram juntos, confiantes de que seriam contemplados. Os planos já estavam na ponta da língua: comprar uma casa e um carro, pagar as dívidas, ajudar a família.
Como mostrou o Jornal de Brasília na edição de segunda-feira, pesquisa do Ibope Media aponta que apesar de 57% da população das principais regiões metropolitanas se declarar satisfeita com o atual estilo de vida, inclusive moradores das capitais, outros 37% afirmam que nunca mais trabalhariam, caso ganhassem na loteria.
Ganhar, porém, não é fácil. Nesta edição da Mega da Virada, a Caixa contabilizou mais de 300 milhões de apostas. Brasília, no entanto, tem fama de ser pé quente. Na Mega da Virada de 2011 e 2009, – o segundo e terceiro maiores prêmios já oferecidos respectivamente –, um dos sorteados foi da capital federal.
Além destes dois sorteios, em 2004 e em 2010 apostas superiores a R$ 51 milhões e R$ 72 milhões também saíram para apostadores de Brasília, assim como um prêmio acima de R$ 14 milhões em agosto do ano passado.