Após uma sequência de episódios de violência registrados no Distrito Federal nas últimas duas semanas, a segurança em áreas onde há a presença de pessoas em situação de rua entrou em discussão. Com isso, a governadora Celina Leão comunicou, nesta terça-feira (11), que vai tomar medidas para conter o problema. O intuito da gestão é manter a política de acolhimento e adicionar ações humanizadas de internação compulsória.
Os casos incluem agressões contra pedestres, ataques a um zelador, invasão de apartamentos e o sequestro de uma idosa de 95 anos, ocorrido na madrugada desta terça-feira (11), na Asa Sul.
Em suas redes sociais, Celina destacou que o governo pretende ampliar as ações de acolhimento e assistência à população em situação de rua e adotar medidas para impedir situações de violência e perturbação da ordem pública.
Segundo Celina, o governo encaminhou à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) um projeto para regulamentar a chamada “internação involuntária humanizada”. A governadora defendeu que pessoas em situação de rua recebam atendimento de assistência social e saúde, mas afirmou que o poder público também deve atuar diante de situações envolvendo uso de drogas e violência.
“Tem que ter coragem para enfrentar esse tema, com a dignidade que o tema merece, mas também protegendo a população, que se sente refém dessa situação todos os dias na porta da sua casa”, declarou.
A governadora afirmou ainda que o governo pretende oferecer acolhimento, assistência social, atendimento de saúde e encaminhamento de pessoas em situação de rua para seus locais de origem.
“Para essas pessoas nós estamos oferecendo acolhimento. O que não dá é para deixar do jeito que tá”, disse.
Segundo ela, também devem ser realizadas abordagens quando houver situações consideradas de perturbação da paz social.
Idosa é feita refém
O episódio mais recente ocorreu na madrugada desta terça-feira (11), em um prédio da quadra 302 da Asa Sul. Segundo a Polícia Militar, um homem invadiu três apartamentos e manteve uma mulher de 95 anos refém.
De acordo com relatos de moradores, o homem entrou no edifício depois de quebrar com o próprio corpo a porta de vidro de uma das portarias. Ele teria invadido inicialmente um apartamento no segundo andar, onde pediu um copo de água, e depois continuado a subir pelos andares.
Testemunhas relataram gritos, pedidos de socorro e barulhos de portas batendo. Em um dos apartamentos, o homem teria entrado em luta corporal com um morador e o atingido com um extintor de incêndio. Em seguida, pegou uma faca e ameaçou a idosa, que estava em outro apartamento.
A Polícia Militar foi acionada e atirou contra o homem. Ele recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros, mas morreu ainda no local. Segundo as informações divulgadas, o homem era uma pessoa em situação de rua. O caso é investigado pela Polícia Civil, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
Ao comentar o episódio, Celina Leão parabenizou a Polícia Militar pela atuação. “Nessa noite conseguiu aí poupar a vida, né, de uma senhora idosa, que foi mantida refém por uma situação como essa que nós estamos vendo todos os dias”, afirmou.
Zelador é agredido a pauladas
Outro caso que ganhou repercussão ocorreu na madrugada de sexta-feira (7), na área comercial da 314 Norte. O zelador Vanderlei Souza Lima, de 53 anos, foi agredido a pauladas no Bloco A.
Segundo a Polícia Militar, o homem apontado como autor fugiu e ainda não havia sido identificado. Imagens de câmeras de segurança registraram o suspeito deixando o local.
A vítima sofreu traumatismo craniano e foi encaminhada ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) em estado grave. Segundo informações divulgadas sobre o caso, Vanderlei chegou à unidade hospitalar com convulsões e precisou ser submetido a cirurgia.
A ocorrência foi registrada pela 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte, como tentativa de homicídio.
Vizinhos relataram à polícia que o zelador costumava impedir a permanência de pessoas em situação de rua e a ocorrência de algazarras na área dos pilotis do edifício. Uma comerciante afirmou que ele já havia sido alvo de agressão anteriormente.
A hipótese de que a atuação do zelador tenha motivado o ataque é investigada pela polícia. Até o momento, contudo, a identidade do agressor não havia sido confirmada.
Outros episódios
O caso da Asa Norte integra uma série de episódios violentos registrados recentemente no Distrito Federal.
Na segunda-feira (3), a Polícia Militar prendeu um homem suspeito de agredir uma mulher com uma garrafa em uma parada de ônibus no Setor Comercial Sul. Segundo a vítima, ela não conhecia o agressor e foi atacada sem motivo aparente.

Policiais que faziam patrulhamento na região prestaram os primeiros atendimentos e acionaram o Corpo de Bombeiros. A mulher foi encaminhada ao Hospital de Base.
O suspeito foi localizado posteriormente e levado à 5ª Delegacia de Polícia. Ele foi autuado por lesão corporal e, por se tratar de crime de menor potencial ofensivo, foi liberado após assumir o compromisso de comparecer à Justiça. Segundo as informações divulgadas, o homem era uma pessoa em situação de rua.
Na quarta-feira (5), uma criança de 11 anos foi esfaqueada depois de sair de uma escola na Estrutural. Já na sexta-feira (7), uma mulher foi agredida por um homem embaixo de um prédio no Sudoeste.
Também houve registro de agressão contra um jovem de 18 anos em uma rua de Águas Claras. Segundo as informações divulgadas, o agressor era uma pessoa em situação de rua.
Os casos têm características distintas e estão sob investigação das autoridades. Nem todos os episódios possuem, até o momento, relação comprovada entre si ou vínculo confirmado com pessoas em situação de rua.
Atuação conjunta
Na declaração divulgada nesta terça-feira (11), Celina Leão afirmou que a política do governo deve combinar ações de assistência social, saúde, acolhimento e segurança. A governadora também disse que o governo pretende atuar nos casos em que houver uso de drogas ou comportamentos que, segundo ela, representem perturbação da paz social.
“As pessoas que estão em situação de rua, a elas serão oferecidas toda assistência, porque nós estamos trabalhando em rede. Mas as pessoas que tão usando droga, perturbando a paz social, porque tem inclusive, né, previsão legal para fazer essas abordagens, nós não vamos permitir. Nós vamos proteger a população”, declarou.
Celina afirmou ainda que pretende manter a política durante sua gestão e defendeu uma resposta considerada por ela “rápida, ágil e corajosa”.
A proposta mencionada pela governadora sobre internação involuntária humanizada deverá ser analisada pela Câmara Legislativa. A medida se soma às ações de assistência e acolhimento já desenvolvidas pelo governo para atender pessoas em situação de rua.