Após o reajuste nos valores dos ingressos, a fundação responsável pelo Zoológico de Brasília deve depender menos do Tesouro do Distrito Federal para custear o espaço. Atualmente, menos de 10% dos gastos anuais são pagos com receita própria. Com a medida, a ser publicada no Diário Oficial do DF — quando também será divulgada a data da mudança —, espera-se que 22% das despesas sejam quitadas pela própria fundação.
Em 2014, por exemplo, o custeio liquidado do zoológico chegou a R$ 17.143.935,08, enquanto a arrecadação com ingressos e espaços cedidos a permissionários e concessionários foi de R$ 1.242.877,69.
A entrada, que custa R$ 2, passará a R$ 10 e R$ 5 (meia). De terça a quinta-feira, qualquer visitante desembolsará o menor valor. Pessoas com deficiência e crianças de até 5 anos não precisam pagar pelo acesso ao local.
Essa é a primeira vez que o valor passa por reajuste em mais de seis anos. O último ocorreu em abril de 2009 — antes disso, era de R$ 1,50, conforme previsto no Decreto nº 18.758, de 24 de outubro de 1997. Na época, o aumento de R$ 0,50 foi insuficiente para recompor a inflação do período, que agora será corrigida.
Planos
A nova tarifa possibilitará melhorias que até então estavam fora da lista de prioridades da Fundação Jardim Zoológico de Brasília. Com pouca verba, a instituição concentrou-se em manter a qualidade no tratamento dos animais, com compra de alimentos e remédios e contratação de exames para os bichos.
Para os próximos quatro anos, com o incremento na receita, está prevista a construção de recintos mais modernos e adequados, de uma usina de compostagem e de um novo complexo veterinário. Os responsáveis pelo zoo também pretendem expandir os serviços de educação ambiental e de conservação de espécies, além de investir em infraestrutura para atender melhor ao público.
Mesmo com os valores defasados dos ingressos, alguns investimentos vêm sendo feitos na medida do possível. Foram reformados cinco blocos sanitários, a portaria, a bilheteria e parte do calçamento. Dois recintos estão sendo ampliados e outros dois construídos.
Contenção de gastos
Nos últimos anos, o zoológico adotou medidas para reduzir despesas. Com atitudes simples, como contenção de vazamentos, troca de tubulações e fechamento do hidrômetro durante a noite, a fundação conseguiu economizar mais de 98% na conta de água, que passou de R$ 937.113,42 em 2010 para R$ 12.131,80 em 2014. O mesmo ocorreu com a tarifa da telefonia fixa, que caiu de R$ 207.270,06 em 2010 para R$ 43.653,01 em 2014: uma redução de aproximadamente 78%.
Em 2015, o contrato da empresa terceirizada que prestava serviços de limpeza, bilheteria e manutenção, por exemplo, foi revisto e cortado em 20%. A escala, com 41 funcionários a menos, foi alterada para garantir que os animais e o público não fossem afetados.
Ao mesmo tempo, trabalha-se para aumentar as fontes de receita da Fundação Jardim Zoológico de Brasília. Estão em fase de conclusão editais para duas lanchonetes, uma loja de lembrancinhas e uma exposição permanente de animatrônicos — bonecos ou fantoches mecanizados. A direção também estuda fazer concessão para restaurante, sistema de transporte interno e teleférico.
Segundo a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil, o zoo de Brasília está entre os três melhores do País. Na Fundação Parque Zoológico de São Paulo, que ocupa o primeiro lugar do ranking, a entrada custa R$ 25.