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Brasília

Após invasão, advogado soma prejuízo e estuda ação contra grupo sem-teto e GDF

Arquivo Geral

22/09/2015 6h00

Carla Rodrigues

carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

Após a saída do grupo de sem- teto que ocupava o hotel St. Peter, no Setor Hoteleiro Sul, resta saber quem pagará o prejuízo supostamente causado pelos invasores. Segundo o advogado dos donos do empreendimento, Sérgio Roncador, o Movimento Resistência Popular pelo Direito à Cidade (MRP) é “o primeiro dos devedores”. No entanto, está sendo analisada a possibilidade de o Governo do DF  também responder pela dívida que, nas contas do jurista, podem somar mais de R$ 5 milhões. 

“Meu chute é de R$ 5 milhões a R$ 7 milhões. Aí, estão incluídos dois prejuízos: a reforma que estava em andamento e o que já tinha e foi levado.  Agora, estamos discutindo justamente a questão da responsabilidade do GDF. Se ele é codevedor. Ou corresponsável, por causa da demora em cumprir a decisão da Justiça. Após essa avaliação jurídica vamos decidir”, explicou.

Contudo, por e-mail, a Secretaria de Relações Institucionais contestou a afirmação do advogado. “O Governo de Brasília ainda não foi informado sobre os prejuízos deixados no hotel. E mesmo que haja prejuízo, é necessário que se faça uma auditoria para saber exatamente qual o valor dos danos. Portanto, não há como dizer quem será responsável por arcar com o prejuízo”, ressaltou o órgão. 

Ontem, a Polícia Civil fez perícia no hotel, o que pode ajudar no cálculo. “Até o último levantamento, já tínhamos contabilizado o sumiço de 25 televisores. Mas tem mais coisas. Aí, ainda não estão somados os televisores do depósito, que tinha muita coisa”, disse ainda Sérgio Roncador. Segundo a Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom), o laudo da perícia deve ficar pronto em até 30 dias. 

Clube Primavera

Enquanto os supostos prejuízos deixados pelo grupo  são apurados, o MRP continua instalado no antigo Clube Primavera, em Taguatinga: decisão do próprio GDF na tentativa de solucionar o problema. No entanto, para os moradores das quadras próximas, a solução, ainda que não permanente, trouxe mais transtornos. Na mesma noite em que o movimento mudou-se para o endereço, vizinhos iniciaram uma manifestação.

“Nós fechamos a rua. Não deixamos eles entrarem por aqui. Até porque não fomos comunicados e muito menos questionados se queríamos isso. Há anos, pedimos para podar o mato do clube. Agora, decidiram fazer isso. É, no mínimo, injusto com quem mora aqui. Além disso, sabemos que nem todas as pessoas do grupo são de bem. Tem bandido infiltrado ali. Acabaram com o nosso sossego”, reclamou Lúcio de Oliveira, 43 anos. 

Famílias onde antes havia ratos e drogas

O Clube Primavera, em Taguatinga, está desativado há mais de 17 anos. Até a transferência das mais de 500 famílias do MRP para o local, os únicos ocupantes da área eram usuários de drogas e ratos. O espaço é insalubre. Não tem água nem luz. “O GDF disse que vai resolver o problema da água. Inclusive, representantes da Codhab estiveram aqui hoje para analisar o que pode ser feito. Prometeram nos ajudar no que for preciso”, disse outro coordenador do grupo Edson Silva, de 34 anos. 

O GDF, no entanto, não confirmou que os ocupantes poderão ficar no local até receberem suas casas. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab), o órgão está empenhado em atender os integrantes do Movimento de Resistência Popular (MRP). 

“Eles foram acomodados no antigo clube Primavera, e a Codhab está no local para acolher a demanda e verificar a estrutura que será necessária”, disse. Somente após a identificação das famílias que estão no local e de posse das informações, “será realizado um estudo, caso a caso, para que sejam tomadas as providências necessárias”, afirmou ainda em nota.

Moradores estão amedrontados

Pai de dois filhos pequenos, Lúcio de Oliveira teme pela segurança da família. “Não vamos dormir em paz. Eles já chegaram fazendo ameaças, dizendo que agora mandam na área, tentando pular o muro das casas. A solução para nós, por enquanto, foi chamar um serralheiro e soldar o portão que daria acesso do clube à nossa rua. Pagamos R$ 100 para fazer isso”, disse. 

Outro vizinho, que preferiu não se identificar, ressalta que o local ocupado é área de preservação ambiental. Por isso, os moradores contrataram um advogado para acionar o Ministério Público e a Justiça, pedindo a retirada do grupo sem-teto do Clube Primavera. “Ele já deve ter entrado com o pedido. A informação que temos, inclusive, é que eles matam bichos lá dentro, como cobras e outros animais. Se é área de preservação, não pode, está errado”, salientou o morador. 

Por outro lado, os ocupantes garantem que não sairão dali até receberem suas casas, promessa supostamente feita pelo GDF. “Eles não têm como nos tirar daqui. Nem temos do que nos defender, porque estamos aqui após acordo. A área é da Terracap. Não tem nada ilegal. O governo cedeu esse espaço para nós. E vamos ficar até recebermos nossas casas”, afirmou uma das coordenadoras do Movimento Resistência Popular pelo Direito à Cidade (MRP) Ylka Carvalho, 25 anos.

Saiba mais

Depois de quase uma semana de ocupação, integrantes do Movimento de Resistência Popular (MRP) deixaram o Hotel St. Peter no último domingo. A retirada do grupo aconteceu apenas quatro dias depois da determinação do TJDFT para reintegração e manutenção de posse do hotel.

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