O palhaço perdeu a alegria. Depois de 18 anos encarnando o personagem Palhaço Psiu, Genilson Lopes, 37 anos, pela primeira vez não conseguiu fazer o público sorrir. Ele mesmo não conseguia. “Hoje não vai dar para levar alegria pro povo”, disse, depois de assistir ao primeiro tempo da partida entre Brasil e Alemanha. Para ele, “o brasileiro vive esperando por uma vitória do Brasil. A sensação é de que perdemos uma das poucas alegrias que esse país tem. O brasileiro já sofre tanto. Não merecíamos um jogo assim. O futebol amenizava nossa dor”.
E assim, aos poucos, num clima de completo espanto e decepção, o público de 25 mil pessoas da Fan Fest, no Taguaparque, foi diminuindo. Os torcedores que antes estavam de pé, aguardando ansiosamente o início do jogo, foram sentando no chão, tirando a tinta azul, amarela e verde do rosto. “Tô muito triste. Mesmo sem o Neymar, a gente não esperava um jogo assim. Eu queria ver o Brasil ganhar essa Copa. Queria muito”, afirmou o pequeno Felipe Félix, 11 anos. Ao lado da mãe, Rejane, ele chorava copiosamente ao longo da partida.
Lágrimas
Assim como ele, outras centenas de pessoas, já bem crescidas, se entregavam às lágrimas. “Acabou a Copa pra mim. Parece exagero nosso, mas é que o brasileiro, de forma geral, não tem muito o que comemorar. Essa festa, a taça, era uma coisa que a gente precisava”, disse, também chorando, a técnica em radiologia Thalita Martins, 26. Os corações que ela havia desenhado no rosto, com as cores da bandeira, foram sumindo com o passar dos minutos no telão e se misturando às lágrimas.
No sexto gol da Alemanha, a Fan Fest já não tinha mais 25 mil torcedores. Muitos foram embora. Quem persistia em continuar no evento, entretanto, apostava em um possível milagre. “Ainda dá. E mesmo se não der, continuamos torcendo”, discursou a pequena Bruna, 11 anos.