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Brasília

Após denúncia, caixões chegam à rede pública

Arquivo Geral

31/03/2016 6h00

Carla Rodrigues

carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

Hoje, após 17 dias de angústia, Silvana Gomes de Matos, de 36 anos, finalmente vai enterrar suas filhas gêmeas, que nasceram prematuramente no Hospital Regional de Taguatinga no dia 13 deste mês. A edição de ontem do JBr. relatou o drama da mulher.

Leia mais: No DF, até caixões faltam na rede pública

Depois de denunciar que não havia caixões pequenos na rede pública, o Centro de Referência de Assistêncial Social (Cras) do Recanto das Emas entrou em contato com Silvana para avisá-la de que as urnas haviam chegado. Segundo ela, o comunicado foi feito ontem pela manhã.  “Agora, vou poder enterrar minhas filhas”, disse Silvana. O sepultamento das bebês será às 10h30 de hoje, no cemitério de Taguatinga. 

“Se eu pudesse, não participaria do enterro. Não queria ver minhas filhas desse jeito”, diz chorando a gari. “Mas, pelo menos, elas serão enterradas dignamente”, salienta. 

Segundo a Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh), o auxílio por morte tem o “objetivo de reduzir vulnerabilidades provocadas por morte de membro da família”.

Ainda de acordo com a pasta,  o que aconteceu “foi o desabastecimento temporário do tamanho de urna correspondente a 60 centímetros, mas foi normalizado na última terça-feira, e os sepultamentos estão ocorrendo normalmente”.

A secretaria, no entanto, não deixou claro por que chegou a faltar caixões. Hoje, o órgão dispõe de urnas de tamanhos variados: 60 centímetros; 80 cm; 1 metro; 1,40 m; 1,90 m; e 2,10 m. 

A pasta informou que, na última aquisição com vencimento em 2016, “foram adquiridas 680 urnas, além das 637 disponíveis, que ainda constavam em estoque correspondente aos anos de 2014 e 2015”. 

Segundo a Lei 5.165, que dispõe sobre a Política de Assistência Social do DF, instituída em 2013, o auxílio previsto tem como objetivo atender, prioritariamente, despesas de urna funerária, velório e sepultamento e as  necessidades urgentes da família para enfrentar vulnerabilidades advindas da morte de um de seus provedores ou membros.

Hoje, os caixões ficam guardados, segundo a Sedestmidh, no Núcleo de Serviços Funerários, no Setor de Indústria e Abastecimento  (SIA).

Saiba mais

O auxílio por morte, em dinheiro, é concedido em parcela única no valor de R$ 415. 

Caso a família, em situação de extrema vulnerabilidade, não consiga o enterro por meio da administração pública, cabe ressarcimento das despesas, também no valor de  R$ 415. 

A Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) não informou ao Jornal de Brasília o valor da compra dos caixões, como foi questionado.

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