Na fábula do flautista de Hamelin, crianças de uma cidade são hipnotizadas e fogem na calada da noite. Na última semana, a realidade imitou a ficção com jovens do DF. Pelo menos cinco meninas, entre 10 e 20 anos, desapareceram desde a última terça-feira e, até o momento, apenas duas foram encontradas.
A última pessoa a ser localizada foi a adolescente Isabelle Galdino, de 17 anos, que fugiu de casa, na Colônia Agrícola Samambaia, na última quinta-feira. Ela teria entrado em contato com o pai na manhã de ontem e foi levada à 38ª DP (Vicente Pires) para encerrar a ocorrência, mas os motivos do desaparecimentos e os detalhes do caso são de cunho pessoal.
A menina Maria Eduarda, de 10 anos, desaparecida durante passeio na casa da irmã, em Planaltina (GO), no último domingo, foi encontrada no mesmo dia. Segundo a mãe, Keila Magalhães, a criança teria se perdido da família e tentado pegar um ônibus para casa, em Ceilândia. Ela foi resgatada por policiais, horas depois, na Rodoviária do Plano Piloto.
Segue o Mistério
Dentre as mulheres com paradeiro ainda desconhecido está Myllena Cristina dos Santos Marques, de 17 anos. Ela teria fugido de casa, no setor de chácaras da Vila Planalto, após ser colocada de castigo pelo pai, na última quinta-feira. Segundo Denei Godinho Marques, a filha juntou algumas coisas e aproveitou a ausência dele e da esposa para sair.
A jovem Alessandra Alves, de 19 anos, protagoniza uma história mais estranha, também iniciada com o sumiço da moça na última quinta-feira. Segundo a irmã, Michelle Alves, Alessandra e ela foram à missa no dia do desaparecimento e se separaram por volta das 21h, quando a mulher alegou querer ir à padaria, mas deixou a bolsa com a sobrinha, também presente no momento.
Minutos depois, os familiares foram à padaria, já fechada, porém não encontraram Alessandra. Eles vasculharam a bolsa dela e viram que havia uma mensagem recém-escrita em um celular. “O texto dizia que ela foi atrás da irmã deficiente e que ama muito a gente”, relata Michelle.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Paz Social do DF (SSP-DF), as estatísticas mais recentes a respeito de desaparecimentos no DF são referentes ao período entre janeiro e setembro de 2015. Conforme a pasta, foram mais de 2,3 mil pessoas com paradeiro desconhecido e, até 19 de outubro do ano passado, 74% foram encontradas. Ao contrário do caso de Isabelle, porém, muitas dessas ocorrências não têm desfecho nas delegacias, o que atrapalha o recolhimento de dados mais precisos.