Embora tenha chegado a esta segunda-feira com apenas um ponto perdido em duas eliminatórias realizadas anteriormente, o brasileiro Rodrigo Pessoa cometeu uma falta em sua última apresentação e terminou a fase classificatória dos saltos nas Olimpíadas no sétimo lugar. Mas o erro cometido pelo conjunto do ginete com o cavalo Rufus não preocupa: pelo contrário, teria até sido proposital.
“No reconhecimento da pista no domingo, o Rodrigo me disse que, caso conseguisse zerar o percurso, não iria ajudar o Rufus a fazer o último salto na segunda”, revelou Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda. “Ele ia fazer isso para que, na próxima etapa, o cavalo a entrar com mais atenção”, emendou o ginete, que não pôde competir nos Jogos de Pequim porque sua égua, AD Picolien, não foi aprovada na vistoria veterinária.
“Com um cavalo ruim o Rodrigo não poderia fazer isso, pois teria o resultado inverso: o animal ficaria com medo e menos confiante”, comentou Doda, que embora tenha elogiado Rufus não deixou de citar o eqüino com que Pessoa foi campeão olímpico em 2004. “O Rodrigo teve um ano difícil para acertar o cavalo e chega sem pressão por não estar com o Baloubet du Rouet, embora o Rufus seja também excelente. Ele está num momento espetacular e acho que pode defender o seu ouro”, prosseguiu.
Rodrigo Pessoa não confirmou que teria ‘errado de propósito’ em seu último salto nesta segunda-feira, mas destacou o lado positivo da falta. “O importante era saltar hoje sem muita pressão, e o fato de o Rufus ter cometido essa penalização pode até ter sido bom. Agora, ele entrará mais esperto”, destacou o ginete.
Não foi apenas Doda que apontou Rodrigo Pessoa como favorito. Chefe da equipe brasileira, Marcelo Artiaga também apontou o cavalo Rufus como o grande trunfo do ginete para conseguir o ouro. “O Rufus é melhor do que o Chupa Chup (cavalo de Bernardo Alves, também classificado para a final individual). Acredito que por isso o Rodrigo tenha mais chances, mas pode ser que eu esteja errado”, concluiu.