Dentro do estádio apenas a torcida do tricolor gaúcho comemorou. Mas, do lado de fora, tanto os torcedores de Flamengo e Grêmio quanto o público que se dirijia para um dos quatro eventos na região central de Brasília aprovaram o esquema montado para controlar a chegada do pessoal.
Previstos para horários muito próximos ou até simultâneos, o show do rei Roberto Carlos, a apresentação do Cirque du Soleil e o Samba Brasília poderiam ter causado tumulto no acesso e no estacionamento, principalmente por que na hora em que esses eventos começavam, os torcedores saíam do estádio. Mas, pelo menos nas primeiras horas, tudo correu bem.
Uns aprovam, outros não
O problema com trânsito e pedestres foi contornado com uma medida que agradou quem chegava a pé, mas nem tanto os que estavam de carro: o desvio da pista Norte do Eixo Monumental para a W3 Norte. “Pela quantidade de pessoas que estão aqui, a polícia se mostrou preprada, já que estamos saindo do estádio e atravessando tranquilamente”, elogiou o gremista Rossano Bejarano, 38 anos.
A opinião não foi compartilhada pela esposa de Rossano, Cláudia Silva, 41 anos. Ela acredita que medidas que alteram a vida da população mostram despreparo. “Não acho que a cidade esteja preparada. Esta é uma medida paleativa para que seja possível que esses eventos ocorram”, afirma a autônoma.
Opinião
O bancário Samuel Sales, 32 anos, fazia uma surpresa para a companheira, Aline Costa, 32 anos, enquanto se dirijiam ao Centro de Convenções. Ele aprovou a medida, mas não gostou de ter que andar dois quilomentros até o local para assistir a “uma peça” – na verdade o show de Roberto Carlos.
“É muito bom ver a disciplina que estão tendo aqui. Acredito apenas que eles deveriam ter marcado esses eventos em dias diferentes, para que não haja esses contra-tempos”, afirma Samuel.
Polícia tem, mas faltou iluminação
A região onde ocorreram os quatro eventos estava repleta de policiais, porém algumas pessoas que passavam próximo ao estádio Mané Garrincha reclamaram da escuridão em alguns pontos.
“Não tivemos medo de atravessar porque ainda está cedo, mas quando estivermos saindo do show, lá para às 4h, quando o policiamento deverá estar menor, acho que teremos mais medo”, disse Wagner dos Santos, 32 anos.
Para o professor Ildo Antônio, 45 anos, caso o jogo fosse realizado entre times de torcidas rivais, o problema poderia ser maior. “A iluminação em volta do estádio está muito ruim. Se houvesse uma briga naquele ponto escuro seria difícil de controlar”.
O esquema que alterou o fluxo dos carros de ontem será repetido hoje, segundo nota do Departamento de Trânsito (Detran-DF). Pelo mesmo motivo, a Ciclo Faixa do Lazer, que funciona aos domingo, não será aberta.