Faltam apenas quatro dias para o Natal e o movimento é intenso nas rodovias e terminais da capital. No Aeroporto Internacional JK, os passageiros precisaram ter muita paciência ontem: dos 182 voos até as 21h, 40,7% atrasaram.
Para tentar evitar os transtornos e garantir qualidade no atendimento, o Procon-DF e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) lançaram a Operação Direito a Bordo, que vai até 10 de janeiro, período de maior movimento.
Uma van do Procon está estacionada no saguão do aeroporto, com uma equipe das duas instituições. “O objetivo é fazer valer os direitos dos consumidores. Quem se sentir lesado receberá todo o nosso suporte”, disse Ildecer Meneses de Amorim, presidente da Comissão de Direito do Consumidor da OAB-DF.
Ela ressalta que as principais reclamações dos passageiros são referentes a atrasos e cancelamentos de voos, além de extravio de bagagem. “É lamentável que haja a necessidade de estar presente com essas operações de fim de ano. A lei é clara e as empresas devem prestar um serviço de qualidade”, completou.
Os números comprovam o descumprimento à lei. Segundo o diretor do Procon-DF, Todi Moreno, de janeiro a outubro deste ano, foram recebidas 562 reclamações contra empresas aéreas.
Os passageiros aprovaram a medida. A estudante Lara Silveira, 18 anos, não conseguiu despachar a bagagem porque a fila estava grande e o atendimento prioritário foi negado. “Eu cheguei 30 minutos antes, pois já tinha feito o check-in na internet”, relata.
Caso as infrações sejam constadas, os fiscais vão fazer a mediação entre consumidor, companhia aérea e o Consórcio Inframérica, responsável pelo aeroporto de Brasília. As multas vão de R$ 20 mil a R$ 6 milhões.
Rodoviária lotada
Muita gente também vai utilizar o transporte terrestre. A previsão é de que cerca de 18 mil pessoas deixem a cidade por meio da Rodoviária Interestadual até hoje. A previsão é da Socicam Terminais de Passageiros, empresa integrante do Consórcio Novo Terminal, que administra o espaço.
É o caso da cozinheira Maria Marques dos Santos, 34 anos, que sempre opta pelo ônibus. “Apesar de ficar mais de dois dias viajando, acho mais prático”, afirma.
Já o vaqueiro Zenildo Moura, 45 anos, confessa que tem receio de viajar “nas alturas”. “Prefiro ir por terra, é mais seguro. Não entro naquilo lá de jeito nenhum”, diz, em tom de brincadeira. Segundo ele, a qualidade dos ônibus deixa a desejar. “Vai muito cheio e não é muito confortável”, reclama.
Para o mestre de obras José Maria Pereira, 57 anos, as passagens são muito caras. “Ida e volta para o Ceará custaram quase R$ 700, o custo-benefício acaba não valendo a pena”, disse. Contudo, ele conta que não abre mão do transporte terrestre. “Viajei uma vez de avião e não gostei. É o único jeito”, declara.
Dinheiro achado em cuecas e meias
A Polícia Federal apreendeu no último ano R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo no Aeroporto JK, escondidos em meias, cuecas ou malas de passageiros. O último flagrante ocorreu na sexta-feira da semana passada, quando a PF interceptou André Luís dos Santos, que vinha de São Paulo com 670 mil em dólares e reais acomodados nas meias que usava. Ele foi indiciado por lavagem de dinheiro.
A soma milionária apreendida entre 2012 e 2013 estava com oito pessoas. Todas tentaram desembarcar em Brasília com os valores sem terem informado à Receita Federal ou comprovado a origem dos recursos, o que é ilegal. A partir da apreensão dos valores, a PF inicia uma investigação e só devolve o dinheiro após a comprovação da origem. A partir dessas apreensões, a PF decidiu abrir uma “delegacia” no aeroporto de Brasília para focar em casos desse tipo.
Dono
No caso de André Luís dos Santos, até o momento ninguém se identificou como dono do montante. O nome dele está associado a um café e um restaurante árabe em Brasília, mas no local funcionários dizem não conhecê-lo. Como endereço, ele informa um bairro pobre de Luziânia (GO), na Região Metropolitana do DF.
Em 16 de maio, a PF interceptou dois homens no aeroporto que tentavam embarcar para o Rio de Janeiro com R$ 500 mil escondidos em meias e cuecas. Carlos Eduardo Carneiro Lemos, sócio da Fides Advisor Consultoria Financeira, se apresentou como dono do dinheiro. Ele foi citado em operação da PF.
Saiba Mais
Até o dia 26, quinta-feira, 95 mil passageiros devem utilizar o transporte rodoviário.
Os destinos mais procurados no transporte rodoviário são Rio de Janeiro, Patos de Minas, Belo Horizonte e Caldas Novas.
Durante esse período, será aumentado em 10% o quadro de funcionários nas áreas de operação, limpeza, manutenção e segurança.