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Brasília

Aos poucos, fluxo de tráfego no Eixão Sul volta à rotina

Arquivo Geral

16/02/2018 7h00

Atualizada 15/02/2018 22h04

Há quem tema passar por baixo do viaduto, mas o governo garante ser seguro. Foto: João Stangherlin

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Nove dias após a queda do viaduto no Eixo Rodoviário Sul, que interditou parte da Galeria dos Estados, o fluxo de pedestres e carros foi normalizado. Quem trabalha próximo ou transita no local comemora a reabertura. Os comerciantes, por sua vez, esperam recuperar os prejuízos, depois de mais de uma semana sem vendas. Para o tráfego de veículos, as alças provisórias para desviar o trânsito estão liberadas.

Desde as 6h de ontem o fluxo foi retomado. Para solucionar os problemas de trânsito, as equipes da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) optaram por construir dois desvios, de três faixas, e alargar outras duas vias existentes. Para os pedestres, foram colocados tapumes indicando o caminho e a calçada foi feita com massa asfáltica.

As alterações, no entanto, não serão permanentes. Segundo o diretor-presidente da Novacap, Júlio Menegotto, será preciso restabelecer todas as condições do viaduto. “A área é tombada. Então precisamos preservá-la”, esclareceu.

No primeiro dia de rotina retomada, quem passou pelo local comemorou as facilidades. O assistente administrativo Júlio César de Freitas, 38 anos, trabalha no Setor Bancário Sul e utiliza a galeria para ir e voltar do serviço e acessar restaurantes. “Estava um caos passar pelo Eixão. A volta era grande, fora o sol e o risco de cair”, disse.

Os amigos Pablo de Moraes, 27 anos, e Maria Aparecida da Silva, 37, brincaram no momento em que um passava debaixo do viaduto: “Passa primeiro. Quando chegar do outro lado, me grita que eu passo”, disse a assistente administrativa. No entanto, eles garantiram que tudo não passou de descontração. “Foi só brincadeira. Claro que existe receio, mas temos visto muitas equipes trabalhando”, afirmou o auxiliar operacional.

Os dois tinham o costume de almoçar no Restaurante Floresta, que teve de ser demolido. Após o desabamento, eles procuraram outros restaurantes mais distantes. “Como a Galeria dos Estados estava fechada e era ruim ficar atravessando o Eixão, a gente dava um jeito de almoçar perto do serviço, mas é mais caro”, apontou ele.

Há 20 anos o aposentado Ronaldo Magno, 66 anos, passa por ali. Antes era a trabalho, e agora só para rever os amigos. Ele elogia a agilidade. “Houve um transtorno para quem precisa passar por aqui. Mas até que foi rápida a manutenção”, argumenta. Para ele, o incidente trouxe benefícios: “Uma tragédia dessa fez com que o governo abrisse o olho para outros lugares críticos. Poderia ter sido pior”.

Prejuízo no comércio

Ainda com o movimento fraco, os comerciantes da Galeria dos Estados calculam os prejuízos, mas já se animam com a volta do fluxo de pessoas no espaço. A vendedora de um brechó Vilani Landim, 52 anos, conta que a loja em que trabalha abriu todos os dias desde o desabamento do viaduto. “Mas não teve um cliente. Mesmo aberto, as pessoas não passavam aqui mais. Foi um prejuízo muito grande, mais de uma semana parada”, lamenta.

Para a mulher, a abertura foi necessária tanto para os pedestres como para os lojistas. “A gente depende totalmente desse movimento. Hoje (ontem) percebi que a quantidade de gente que está passando é um pouco menor do que o normal. Tem pessoas com medo de passar aqui. Mas está voltando, não podemos perder a esperança”, destaca.

A queda nas vendas é confirmada pela presidente da Associação de Lojistas da Galeria dos Estados (Alge), Maria Inês Fontenele. “A queda do viaduto foi fatal para as vendas. Parou tudo. Esse fluxo de pessoas na Galeria é essencial, porque elas não passam aqui necessariamente para comprar. Pelo contrário, são pessoas que estão indo e vindo do trabalho, e quando passam aproveitam para olhar as vitrines”, alega. “Com certeza poderemos ter de volta a nossa clientela”, completa.

O medo agora é do que ainda pode acontecer, tendo em vista que não está definido o que será feito no viaduto. Maria Inês teme que, para o reparo ou reconstrução da passagem, a Galeria dos Estados seja fechada.

“Mesmo que temporariamente, fechar as lojas por alguns dias vai afetar diretamente o pagamento dos lojistas, funcionários, fornecedores. As lojas que estão aqui já custam a sobreviver”, aponta.

A presidente da Agel lembra que os comerciantes passaram por situação semelhante em 1998, período de implementação da estação do metrô Galeria.

Saiba mais

O escoramento foi finalizado na parte em que os pedestres vão percorrer. No entanto, o procedimento ainda é feito no restante do viaduto. Na quarta- feira passada, as equipes da Novacap e engenheiros da Universidade de Brasília recolheram amostras do bloco do viaduto que desabou. Até semana que vem, a UnB apresentará os resultados e, somente após a análise dos dados, o governo decidirá qual será a obra a ser realizada: demolir ou reparar o viaduto.

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