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Brasília

Ano começa com desemprego em queda no Distrito Federal

Arquivo Geral

01/02/2018 7h00

Atualizada 31/01/2018 23h56

“Algumas empresas fecharam durante a crise, mas acho que o movimento do mercado está crescendo de novo. Torço para eu conseguir um emprego”, Elailton Lima Carvalho, carpinteiro. Foto: João Stangherlin

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

A taxa do desemprego no Distrito Federal apresentou queda, ao passar de 18,4% em novembro para 17,9% em dezembro. A capital fechou o ano com 292 mil brasilienses sem trabalho – número ainda maior do que em 2016. Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Companhia de Planejamento do Distrito Federal, a Codeplan.

O maior aumento no nível ocupacional foi no setor de serviços, com oito mil pessoas empregadas, seguido pelo da construção civil, que representa mais 2 mil postos de trabalho. Houve redução na indústria de transformação (-11,8%) e estabilidade no comércio. A pesquisa constatou ainda que no setor privado houve queda de 1,4% de assalariados com carteira de trabalho e aumento de 5,7% dos sem carteira. Cresceu, e muito, o número de autônomos, com 2,1%.

De acordo com o diretor de pesquisas da Codeplan, Bruno de Oliveira Cruz, embora os resultados do desemprego ainda sejam altos, no Distrito Federal vêm em queda gradativa desde o primeiro trimestre de 2017. “Começamos o ano tendo um pico muito grande do desemprego. Mas estamos vindo numa queda que é em constante desde abril. A primeira [queda] mais acentuada foi de julho para agosto, e agora de novembro para dezembro”, pondera.

No entanto, o ano passado apresentou dois comportamentos distintos, segundo Cruz. “Em 2016, diminuiu o total de pessoas ocupadas e ao mesmo tempo mais gente estava procurando emprego. Por exemplo, o chefe de uma família, o pai ou a mãe, perdeu o emprego, e os filhos tiveram que sair para procurar”, explica. “Aí em 2017, teve crescimento das pessoas ocupadas. Por exemplo: pai e filha vão procurar emprego. Mas vai que o irmão conseguiu uma vaga. Então aumenta o número de pessoas ocupadas, mas tem duas a mais desempregadas”, acrescenta.

O carpinteiro Elailton Lima Carvalho, de 47 anos, integra as estatísticas do desemprego há quatro anos. Desde então, depende da esposa para se sustentar. “Faço alguns bicos em marcenaria, quando aparece. Ultimamente está horrível, bem parado”, lamenta. Ele se considera um frequentador assíduo da Agência do Trabalhador. “Não escolho mais o tipo de serviço. O que aparecer para mim eu vou pegar. Já olhei para serviços gerais e motoboy”, conta.

Para Carvalho, nem mesmo uma oportunidade no mercado informal apareceu. “Eu sempre trabalhei de carteira assinada. Então não tenho contato com esses empregos para poucos dias. Fica mais complicado”, afirma. Mesmo diante das dificuldades, a expectativa do carpinteiro é que 2018 tratá uma vaga com carteira assinada.

Quando analisado todo o mercado de trabalho no ano de 2017, o nível de ocupação na capital do País aumentou 2,8% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, somaram mais 38 mil pessoas desempregadas, representando na média anual um aumento de 14% em relação a 2016. De um ano para o outro, a taxa de desemprego total passou de 17,8% para 19,3%, ou seja, 277 mil desempregados, em 2016, contra 315 mil, em 2017.

Ao todo, 36 mil postos de trabalhos foram criados, mas foram insuficientes para absorver o crescimento da População Economicamente Ativa (PEA).

Segundo o diretor de pesquisas da Codeplan, os ocupados são aqueles que estão exercendo algum tipo de função, inclusive como empregador. “Pode ser um autônomo que vende cachorro-quente na rua, por exemplo. Essa pessoa exerce um tipo de atividade econômica de maneira regular, mas também pode estar procurando emprego. Só não vai ser considerado desempregado”, levanta.

Wanderson Silva de Sousa, de 21 anos, vende dindin – ou geladinho – nas ruas por apenas R$ 1. A opção veio com a necessidade de conseguir uma renda extra. “Trabalho desde os meus 17 anos. Já fui auxiliar de dentista, trabalhei em restaurante, fui vendedor. Por estar ná um ano sem nada, tive que pensar em alternativa. Mas com o dindin, eu sei que o lucro vai ser mínimo”, afirma.

No País, alta de quase 1%

O País ganhou 811 mil postos de trabalho em apenas um trimestre, ao mesmo tempo em que 650 mil pessoas deixaram o contingente de desempregados. O total de ocupados cresceu 0,9% no quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre de 2017. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados ontem pelo IBGE.

No quarto trimestre de 2017, o mercado de trabalho ganhou, porém, apenas 21 mil vagas com carteira assinada em relação ao terceiro trimestre. O contingente de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado cresceu em 204 mil pessoas, e outros 288 mil indivíduos aderiram ao trabalho por conta própria.

O setor público teve redução de 18 mil postos de trabalho em um trimestre. O emprego como trabalhador doméstico aumentou em 193 mil pessoas, segundo o IBGE.

A indústria criou 117 mil postos de trabalho em um trimestre, o equivalente a um aumento de 1% no total de ocupados no setor no quarto trimestre de 2017 ante o terceiro trimestre.

Os demais setores que contrataram no período foram a construção, com 73 mil postos de trabalho a mais; comércio, com 368 mil funcionários a mais; alojamento e alimentação, mais 4 mil; informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com 86 mil a mais; serviços domésticos, 204 mil a mais; e outros serviços, com a geração de 163 mil novos postos.

Por outro lado, houve demissões em transporte, armazenagem e correio, com 54 mil ocupados a menos, e em agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 158 mil vagas extintas.

Na administração pública, defesa, seguridade social, educação e saúde a ocupação ficou estável.

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