Menu
Brasília

Ananda escolheu ser feliz

Arquivo Geral

28/09/2013 8h40

Apesar das dificuldades, ela não se deixa abater. Ananda Martins, hoje com 24 anos, até poderia acreditar ter motivos para se queixar da vida que leva. Porém,   fez uma escolha: viver alegremente. Esta é uma história de vida que teve um início traumático, mas a personagem principal   luta  por um presente e um futuro felizes. 

 

Com apenas dois anos, a jovem sofreu um acidente doméstico. Dona Luzenir Martins, 56 anos, mãe de Ananda, é quem relembra a noite de horror que a família viveu.   Era agosto de 1991, em Belmonte, interior do Maranhão, quando tudo aconteceu. “Lá é uma cidadezinha pequena, então não havia luz, usavam-se lamparinas. A Ananda já tinha dormido e estava em uma rede. Mas a irmã dela, dois anos mais velha, estava acordada. Eu me ausentei da casa porque tive que ir ao banheiro, que era fora de casa, como costuma ser  em roça”. 

 

 Nesse instante, a irmã teve curiosidade de ver a mais nova dormindo e pegou a lamparina. “Mas acabou virando na rede. Só percebi o que estava acontecendo quando escutei o choro das crianças e avistei o clarão do fogo”, relembra a mãe. Luzenir diz que ficou aterrorizada quando viu o estado da filha. “Eu só pensei em jogar água, mas ela estava muito queimada. Ela teve 80% do corpo atingido”, lamenta. 

 

Tratamento

 

 Foram meses internada e 22 cirurgias reparadoras, entre elas, enxertos em várias partes do corpo, além de descolamento de mão, pernas, pescoço e a amputação do braço esquerdo. Mesmo diante da história triste e das sequelas que a acompanham, Ananda  vive uma vida feliz. Hoje, ela cursa Letras com habilitação em Francês na Universidade de Brasília (UnB) e tem grandes sonhos para o futuro. Ela estuda o idioma há mais de três anos e faz academia, entre outras atividades.

 
Acidente ficou para trás
 
 
Como sequência do tratamento, veio a proposta de mudança para o Distrito Federal. Ananda é acompanhada na Rede Sarah Kubitschek. Em Brasília, frequentemente atrai olhares.   “Por onde eu passo, as pessoas me olham, mas eu sei que é por curiosidade. Mas me incomodo quando uma pessoa  me para na rua para perguntar o que aconteceu comigo. Nem sempre a gente quer   falar da nossa vida com desconhecidos”, reclama. 
Hoje, ela não vê problemas em falar sobre o assunto com pessoas mais próximas, e não guarda ressentimento pelo que aconteceu.  “Nunca passou pela minha cabeça culpar a minha irmã. Foi uma fatalidade”, define. 
 
 
 E, ao que tudo indica, o acidente realmente ficou para trás. Ananda mostra que não há motivos para se esconder.  “Tenho rede social, posto minhas fotos, meus momentos; vou a barzinhos, a baladas. Tudo normalmente, como eu sou”, sorri. E de tímida, ela não tem nada. “Eu sempre gostei de aparecer. Na escola, minha mãe cansou de ser chamada porque os professores reclamavam que era bagunceira. Gosto de estar com os amigos”, completa.
 Para ela, as pessoas têm que procurar a melhor forma de lidar com os problemas que surgem na vida. “Mesmo com um braço a menos, eu tento fazer tudo. Gosto de ser independente. Só peço ajuda com alguma tarefa se eu não der mesmo conta de fazer”, garante.  
 
 
Perfil 
 
Ananda Martins 
de Sousa
Idade:  24 anos
Naturalidade:  Maranhão
Profissão:  universitária, com previsão de formatura para 2017
Sonho:  viajar e morar na Europa, especialmente na França.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado