Tida como o bicho-papão para muitos alunos, a Matemática tem deixado de ser uma dificuldade para estudantes do Centro de Ensino Fundamental 15 de Taguatinga. Um projeto pedagógico desenvolvido pela professora Rosely Moreira Leite tem mudado uma realidade comum no processo ensino-aprendizagem da disciplina: a resistência – dos professores em buscar alternativas didáticas e dos alunos de se interessar pelo que está sendo ensinado.
Depois de passar por uma especialização em Educação Matemática, a professora passou a pensar em formas novas de apresentar a disciplina para os alunos e desenvolveu o projeto interdisciplinar A Matemática faz a Diferença, que há três anos está em prática na escola.
Com o apoio de professores de Língua Portuguesa, Arte, Geografia, Ciências, Informática, além do apoio logístico da coordenação pedagógica e da direção, o projeto tem desmistificado a Matemática e mostrado sua utilidade para os alunos de 6ª a 8ª séries.
“Não é a toa que temos dois alunos medalhistas de bronze e de 20 a 30 alunos que anualmente recebem menção honrosa nas Olimpíadas de Matemática. Nossos alunos perderam o medo de estudar Matemática”, orgulha-se a professora.
O trabalho de desmistificação começa já na 6ª série, nas aulas de Arte. Os alunos são apresentados aos símbolos matemáticos e às formas geométricas de forma lúdica – em trabalhos de corte e colagem. Na 7ª série, nas aulas de Ciências e Geografia, temas da atualidade como gravidez na adolescência, obesidade juvenil, viram ótimas oportunidades para a realização de gráficos e pesquisas que demonstrem de forma prática o retrato dessas realidades no aís.
Os alunos das oitavas séries, nas aulas de Português, são apresentados ao trabalho do professor Júlio César de Mello e Souza, internacionalmente conhecido como Malba Tahan, um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil, autor de O Homem que Calculava. A partir da leitura deste romance infanto-juvenil, que traz em sua narrativa uma coleção de problemas e curiosidades matemáticas de um calculista persa, os alunos criam histórias em quadrinhos inspiradas na obra e descobrem formas diferentes de fazer conta, além de desenvolver habilidades de escrita.
“Essas atividades interdisciplinares promovem um desbloqueio na cabeça dos alunos. Eles passam a perceber que a Matemática está inserida em tudo. Assim, quando apresento o conteúdo formal, eles aceitam com tranquilidade”, explica Rosely.