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Brasília

Aluguel de produtos é alternativa para economizar

Arquivo Geral

09/08/2014 9h00

Alugar é um hábito relativamente comum. Alugamos filmes, imóveis, carros. Mas e a televisão, sagrada nos lares de muitas famílias, por exemplo? E os brinquedos que divertem as crianças enquanto os adultos assistem TV ou conversam? Existe um mercado de prestação desse tipo de serviço que, apesar de ainda pouco disseminado, vem conquistando muitos usuários.

Em Brasília, é algo novo, mas a ideia de alugar os produtos que divertem crianças é bastante conhecida em outros estados, como São Paulo, e no exterior. Após observar o modelo de negócios, o casal Cláudio Henrique e Márcia Souza decidiu abrir uma loja de aluguel de brinquedos, chamada Aleggro, em Águas Claras.

“Vimos que é uma região com muitos casais jovens e com filhos pequenos. Então nosso direcionamento é para crianças de zero a seis anos, apesar de termos produtos para os mais velhos também”, destaca Cláudio, que largou emprego em telecomunicações para se dedicar ao empreendimento próprio.

“O normal de uma criança é explorar um objeto novo e depois não querer mais. Sempre temos oferta de novos brinquedos e evitamos que eles ocupem espaço na casa da família”, salienta sua esposa, Márcia, farmacêutica bioquímica “rumo à aposentadoria”, como define. Ela diz que muitos pais sequer sabiam da existência desse serviço.

Clientela

Donos da Aleggro há seis meses, eles afirmam possuir mais de 90 produtos diferentes, comprados conforme demanda, e uma quantidade razoável de clientes fixos. Na página do Facebook, são cerca de 400 curtidas. Para flexibilizar o empreendimento, eles também fazem aluguel de kits com os brinquedos pré-selecionados, especialmente para festas ou eventos maiores. As locações podem ser de três dias ou um mês.

A ideia pode gerar várias facilidades aos pais, e até acarretar economia. Jung Kim, mãe de Yuna, de um ano e sete meses, conheceu o serviço da empresa após andanças nas redondezas de sua casa, também em Águas Claras. “Ela perde interesse nos brinquedos muito rápido. Então é bom alugar porque quando ela cansa, eu pego outro”, diz.

O tempo ideal para satisfazer a necessidade

Segundo Jung Kim, natural de Seul, em seu país a prática de alugar é normal entre as mães. Ela afirma conhecer comunidades virtuais em que as mulheres, principalmente, compartilham também brinquedos descartados pelos filhos. “Uma vez comprei um pula-pula que custou R$ 899 e ela não usou nem dois meses. Para alugá-lo, não gastaria mais de R$ 60. É economicamente mais viável”, explica.

A pequena Yuna tem preferência pelos aparelhos eletrônicos e que fazem bastante barulho, mas um dos primeiros acessórios a que teve acesso foi um andador. Diferente dos proibidos em dezembro passado pela Justiça, o equipamento teria custado mais de R$ 300 caso Jung tivesse optado pela compra. No entanto, ela deixou de perder cerca de R$ 250 ao locar exatamente pelo tempo em que foi  usado: um mês.

“Nunca tive problema de ela querer ficar com algum deles, por enquanto. Então para mim compensa mais fazer desse jeito”, conclui a mãe.

Equipar a casa

Sentar em um sofá que não é seu ou assistir a uma TV que não é sua pode parecer incômodo à primeira vista, mas tem bastante gente que prefere assim. Uma delas é a aposentada Celma Gurgel de Oliveira, 74 anos. Moradora da 307 Sul, ela diz que aluga eletrodomésticos desde sua chegada à capital, vinda do Rio de Janeiro, em 1976.

“É mais prático. Se alguma coisa comprada quebra, você precisa chamar o reparo, que pode sair caro, ou ir atrás de alguma peça. Se for alugado, nem precisa saber o problema e eles trocam por outro na hora”, explica.

Hábito adotado há muito tempo
 
A aposentada Celma Gurgel aluga, atualmente, duas televisões e um frigobar, este destinado à casa na fazenda da família, em Novo Gama (GO), Região Metropolitana do DF. Seu custo com tudo isso, segundo a própria, não passa de R$ 40 mensais. Esse valor pagaria uma televisão moderna de R$ 1 mil em 25 meses. Em dois anos e um mês, muita gente troca os aparelhos eletrônicos, especialmente devido à obsolescência dos mesmos.
Ademir Francisco de Araújo, gerente da loja em que Celma loca os produtos, Colortel, na 706 Norte, explica que esse tipo de serviço era mais comum antigamente. “Com o Plano Real, em 1994, o público corporativo passou a se tornar mais corriqueiro. Hoje em dia nosso público-alvo é composto por hotéis, hospitais e universidade”, garante.
 
Perfil 
 
Ou seja, usuários como dona Celma estão cada dia mais raros. Apesar disso, a clientela existe e pode ser definida. “São dois tipos de pessoa física que procuram a Colortel: os clientes de longa data, que adquiriram o hábito de locação, e quem está em curta temporada em Brasília”, diz. “Às vezes a pessoa veio estudar para concurso e vai ficar poucos meses, então opta pela locação de móveis para não precisar comprar e gastar muito dinheiro”, completa.
 
Manutenção e renovação são mais acessíveis
 
Segundo Ademir Francisco, no caso de empresas, compensa mais alugar alguns itens do que comprar devido à facilidade de manutenção e renovação dos utensílios. Se um hotel comprasse 200 televisões, por exemplo, e um outro locasse essa mesma quantidade dos mesmos aparelhos, o que optou por não comprar poderia ter televisores novos pagando o mesmo preço, pois a empresa de locação os substituiria automaticamente. O estabelecimento que pagou para possuir os itens teria de comprar tudo de novo e ainda se desfazer dos antigos.
 
Esse tipo de percepção, que fazem os negócios evoluírem e se adaptarem a necessidades observadas pelos empreendedores, é o que pode definir o sucesso. Segundo Carina Aguirre, em artigo ao portal Administradores, “a qualidade na prestação dos serviços é um fator fundamental para uma empresa se fortalecer ou até mesmo desaparecer do mercado”.
Impacto na economia
 
A especialista aponta que o setor tem impacto de aproximadamente 70% do Produto Inter Bruto (PIB) brasileiro, o que o torna essencial. “Sair da zona de conforto não é muito fácil, pois a cada vez que nos colocamos à disposição do mercado consumidor, percebemos que ainda existe muito a ser melhorado, e isso requer muito esforço, tempo e dedicação. Porém, nos coloca em um local diferenciado do restante da concorrência”, destaca.
 
Saiba mais
 
Cláudio e Márcia destacam que os brinquedos para aluguel da Aleggro são todos higienizados antes da próxima locação. Além disso, eles também alugam cadeirinhas de criança para carros e outros acessórios não apenas de divertimento. O site da loja é www.aleggro.com.br.
 
A Colortel afirma que a manutenção dos móveis e eletrodomésticos é de responsabilidade da loja e as trocas por produtos mais novas é feita conforme eles ficam à disposição no mercado.
 
Pense nisso
 
A ideia de alugar uma televisão, principal produto citado na matéria, pode parecer estranha, especialmente por ser um eletrodoméstico muito utilizado no dia a dia. Mas como no caso de Celma, pode compensar o aluguel se pararmos para pensar que trabalhamos muito e não usufruímos tanto das nossas posses quanto imaginamos. Para crianças, saber que precisam cuidar dos brinquedos pois eles não os pertencem pode ajudar os pequenos a desenvolver zelo pelo patrimônio alheio.

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