Alugar é um hábito relativamente comum. Alugamos filmes, imóveis, carros. Mas e a televisão, sagrada nos lares de muitas famílias, por exemplo? E os brinquedos que divertem as crianças enquanto os adultos assistem TV ou conversam? Existe um mercado de prestação desse tipo de serviço que, apesar de ainda pouco disseminado, vem conquistando muitos usuários.
Em Brasília, é algo novo, mas a ideia de alugar os produtos que divertem crianças é bastante conhecida em outros estados, como São Paulo, e no exterior. Após observar o modelo de negócios, o casal Cláudio Henrique e Márcia Souza decidiu abrir uma loja de aluguel de brinquedos, chamada Aleggro, em Águas Claras.
“Vimos que é uma região com muitos casais jovens e com filhos pequenos. Então nosso direcionamento é para crianças de zero a seis anos, apesar de termos produtos para os mais velhos também”, destaca Cláudio, que largou emprego em telecomunicações para se dedicar ao empreendimento próprio.
“O normal de uma criança é explorar um objeto novo e depois não querer mais. Sempre temos oferta de novos brinquedos e evitamos que eles ocupem espaço na casa da família”, salienta sua esposa, Márcia, farmacêutica bioquímica “rumo à aposentadoria”, como define. Ela diz que muitos pais sequer sabiam da existência desse serviço.
Clientela
Donos da Aleggro há seis meses, eles afirmam possuir mais de 90 produtos diferentes, comprados conforme demanda, e uma quantidade razoável de clientes fixos. Na página do Facebook, são cerca de 400 curtidas. Para flexibilizar o empreendimento, eles também fazem aluguel de kits com os brinquedos pré-selecionados, especialmente para festas ou eventos maiores. As locações podem ser de três dias ou um mês.
A ideia pode gerar várias facilidades aos pais, e até acarretar economia. Jung Kim, mãe de Yuna, de um ano e sete meses, conheceu o serviço da empresa após andanças nas redondezas de sua casa, também em Águas Claras. “Ela perde interesse nos brinquedos muito rápido. Então é bom alugar porque quando ela cansa, eu pego outro”, diz.
O tempo ideal para satisfazer a necessidade
Segundo Jung Kim, natural de Seul, em seu país a prática de alugar é normal entre as mães. Ela afirma conhecer comunidades virtuais em que as mulheres, principalmente, compartilham também brinquedos descartados pelos filhos. “Uma vez comprei um pula-pula que custou R$ 899 e ela não usou nem dois meses. Para alugá-lo, não gastaria mais de R$ 60. É economicamente mais viável”, explica.
A pequena Yuna tem preferência pelos aparelhos eletrônicos e que fazem bastante barulho, mas um dos primeiros acessórios a que teve acesso foi um andador. Diferente dos proibidos em dezembro passado pela Justiça, o equipamento teria custado mais de R$ 300 caso Jung tivesse optado pela compra. No entanto, ela deixou de perder cerca de R$ 250 ao locar exatamente pelo tempo em que foi usado: um mês.
“Nunca tive problema de ela querer ficar com algum deles, por enquanto. Então para mim compensa mais fazer desse jeito”, conclui a mãe.
Equipar a casa
Sentar em um sofá que não é seu ou assistir a uma TV que não é sua pode parecer incômodo à primeira vista, mas tem bastante gente que prefere assim. Uma delas é a aposentada Celma Gurgel de Oliveira, 74 anos. Moradora da 307 Sul, ela diz que aluga eletrodomésticos desde sua chegada à capital, vinda do Rio de Janeiro, em 1976.
“É mais prático. Se alguma coisa comprada quebra, você precisa chamar o reparo, que pode sair caro, ou ir atrás de alguma peça. Se for alugado, nem precisa saber o problema e eles trocam por outro na hora”, explica.