Embora tenha em mãos a melhor seleção dos últimos tempos na história do esporte, o técnico Bernardinho estava preocupado antes do duelo com a Itália nesta sexta-feira, pelas semifinais dos Jogos Olímpicos de Pequim. Com a vitória, o treinador respirou aliviado e já passou a vislumbrar um feito que jamais aconteceu no vôlei masculino: a segunda medalha de ouro consecutiva.
“Temos a chance de entrar para a história e encerrar o segundo ciclo olímpico perfeito”, apontou Bernardinho, que verá seus comandados enfrentarem na decisão pelo ouro os Estados Unidos, na madrugada de sábado para domingo (à 1 hora de Brasília. “Nenhuma equipe jamais alcançou esse feito”, lembrou.
Na história do vôlei masculino nos Jogos Olímpicos de Pequim, nenhuma das duas seleções que já conquistaram dois ouros em seqüência conseguiram manter pelo menos 50% da base entre um torneio e outro.
A primeira seleção bicampeã olímpica na seqüência foi a União Soviética, em 1964 a 1968, mas que conseguiu repetir apenas quatro atletas: Yuri Poyarkov, Ivan Bugaenkov, Yuri Chesnokov e Georgi Mondzolevsky. Duas décadas depois, os Estados Unidos conquistaram o bi em 1988 também com apenas quatro jogadores que haviam disputado os Jogos de 1984: Craig Buck, Karch Kiraly, Dave Saunders e Steve Timmons.
Em relação à seleção campeã olímpica em Atenas-2004 e a que disputa a final de Pequim-2008, oito atletas podem repetir o título conquistado na Grécia: Dante, Gustavo, Giba, André Heller, André Nascimento, Ânderson, Rodrigão e Serginho. Para os Jogos da China, apenas Nalbert, Ricadinho, Maurício e Giovane não poderão ficar com o bi. Em seus lugares, aparecem Murilo, Marcelinho, Bruninho e Samuel.
Mas a conquista do segundo ouro brasileiro não deverá ser fácil, de acordo com Bernardinho. O comandante brasileiro pediu total concentração para seus atletas para a partida contra os Estados Unidos. “Eles têm um jogo consistente e teremos que jogar melhor do que estamos jogando”, analisou.
O time principal norte-americano venceu as duas últimas partidas que disputou contra os titulares brasileiros: na primeira rodada da Copa do Mundo-2007 e na semifinal da Liga Mundial deste ano, em pleno Ginásio do Maracanãzinho. Derrota esta que ainda preocupava Bernardinho antes do confronto desta sexta com a Itália.
“O time estava tenso. A classificação para a final nos tira um peso enorme das costas depois da derrota para os americanos na semifinal da Liga Mundial”, encerrou.