Um agente penitenciário foi preso na noite de ontem, suspeito de praticar fraudes bancárias em contas correntes de clientes do Banco de Brasília (BRB). Ele ludibriava funcionários públicos oferecendo descontos no pagamento de impostos como IPTU e IPVA dizendo que pagaria os mesmos com precatórios que possuía. A estimativa é de que o prejuízo do banco seja de R$ 60 milhões.
Foram três meses de investigação até chegar a Marcos Paulo Silva Barbosa, 34 anos. Uma das vítimas, cliente da instituição, teve sua conta fraudada em mais de R$ 19 mil, com 20 fraudes em um único dia. A vítima realizou a ocorrência na delegacia e, ao apresentar o extrato, perceberam que as fraudes eram vinculadas a impostos do governo e multas de trânsito.
Intimação
A ação foi batizada de Operação Safira, em alusão à cor da logomarca do banco, que até então era a pedra preciosa dos criminosos. Os donos dos imóveis e dos carros foram intimados e apontaram Barbosa como o corretor que teria realizado os procedimentos.
Na primeira parte da investigação, foram apreendidos, na casa do suspeito, diversos documentos, agendas e computadores com informações comprometedoras. Essa é a segunda parte da investigação e, ao que tudo indica, trata-se de uma organização criminosa. Ele também realizava empréstimos com esse montante e os juros eram depositados em outras contas.
Barbosa se manteve calado. Foi oferecida delação premiada e, caso ele colabore com as investigações, poderá ter a pena diminuída.
Segundo o delegado da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante) Victon Dan, a quadrilha estaria agindo no Distrito Federal desde 2013 e outras pessoas estariam envolvidas:“Ele é o intermediário de uma organização criminosa muito bem estruturada. O papel dele era o de conseguir pessoas para repassar para o grupo. Mas ele é apenas a ponta do iceberg”, garante.
O advogado do suspeito, José Hygino de Azevedo, conta que entrará com um pedido de revogação da prisão. “Ele possui bons antecedentes e não foi preso em flagrante”, relata.
Conta bancária fraudada
Marcos Paulo Silva Barbosa também teve a conta bancária fraudada. Ele entrou na Justiça contra o Banco de Brasília e recebeu R$ 50 mil de indenização. “Os indícios apontam que é possível que ele tenha fraudado a própria conta bancáaria com os impostos pagos. Identificamos aqui o mesmo modo de agir da organização”, conta o delegado.
A situação se tornou uma bola de neve. Barbosa oferecia descontos de 30% aos clientes e alguns dos beneficiários até ganhavam com isso. Caso chamassem mais pessoas, acabavam recebendo 10% em cima, pois repassariam o desconto em 20%, o que acabou formando uma espécie de corrente.
Mesmo assim, a polícia do Distrito Federal acredita que os beneficiários não agiram de má fé, uma vez que foram enganados em relação aos precatórios. Isso não exclui a possibilidade de que eles tenham de ressarcir o banco dos valores utilizados.
O delegado da 11ª Delegacia de Polícia (Núcleo Bandeirante), Victon Dan, alerta usuários e clientes do banco: “Desconfiem dessas benfeitorias oferecidas. Não existe desconto de pagamento nesses valores. O governo dá desconto de 5% à vista. Se oferecem mais do que isso, pode ter certeza que é fraude”, garante.