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Brasília

Afogamentos dobram em um ano no DF

Arquivo Geral

16/01/2016 6h30

Ingrid Soares

insoares@jornaldebrasilia.com.br

Mais um caso de morte por afogamento engrossa as estatísticas do DF. Um estudante  de 21 anos  morreu após tentar atravessar um trecho do Lago Paranoá na madrugada de ontem. A água batia na altura do peito do jovem, mas, ao cair em um buraco, ele acabou afundando. O Corpo de Bombeiros registrou quase o dobro de ocorrências semelhantes no ano passado em comparação a 2014: o número subiu de  36  para 60. Em 2016,   é o primeiro   caso. 

O afogamento de ontem ocorreu na altura do Projeto Praia do Cerrado, ao lado do Pontão, sentido Lago Sul.  De acordo com o capitão Reynaldo, do Corpo de Bombeiros, a vítima,  Mayron Bezerra da Cruz,  e dois amigos, moradores da Vila Telebrasília, tinham saído para se divertir. Eles teriam passado a noite bebendo e, de madrugada,  foram  a pé até o local onde aconteceu o incidente. 

“Eles tiveram a ideia de entrar na água caminhando. Dois deles sabiam nadar, mas o outro não. Nisso, dois resolveram sair da água e o outro rapaz continuou. Ele estava com água na altura do peito, mas caiu num buraco no meio do lago e se desesperou ao não sentir   o chão. Talvez, se ele soubesse nadar, manteria a calma e daria um passo para trás. Mas, como não sabia,   afundou”, relata.

Um dos amigos da vítima, o estudante de Educação Física  Diego Soares, 23 anos, foi quem tentou socorrê-la. Ele conta que, antes de saírem de casa, Mayron teria dito algo estranho para os amigos.

“Foi esquisito, parecia que ele estava prevendo. Ele falou para a gente: ‘Se eu morrer, fala para o meu pai que eu gosto do Jack  (o gato de estimação)’. E o estranho foi que ele repetiu essa história de novo, assim que chegamos aqui no lago”, lembra.

Segundo Diego, o rapaz aparentava tranquilidade. “Saímos da água e ele ficou. Daí, percebemos que ele estava se afogando e perguntamos se ele estava bem. Ele fez um sinal de ok com a mão, afundou e não o vimos mais. Mergulhei muitas vezes tentando encontrá- lo, mas não consegui”, relata o jovem.

Quarenta minutos de tentativas

Ao todo, 20 bombeiros, um carro, duas lanchas e uma moto aquática foram utilizados na busca e salvamento de Mayron, que passou mais de 20 minutos submerso e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Foram feitas manobras de reanimação por cerca de 40 minutos, além da retirada de líquido do pulmão, mas ele não resistiu. A perícia da Polícia Civil esteve no local para investigar o incidente.

Amigo da vítima, William Pires Martins, 19 anos, foi quem chamou o Corpo de Bombeiros. Ele conta que conhecia o rapaz há cinco anos. “Estou anestesiado. A gente   sentou nos balanços aqui em frente e ficou conversando. Estava escuro ainda. Daí, ele disse que também ia dar um mergulho. Pedi para ele não ir, mas ele teimou. Ainda o vi   fazendo uns gestos estranhos, achei que estava brincando, mas depois percebi que estava se afogando”, afirma. Ele conta que o rapaz estudava para o Enem  a fim de conseguir uma bolsa de estudos para a faculdade. 

O pai da vítima, Marcelo Gonçalves da Cruz, visivelmente abalado, se limitou a dizer que o filho era alegre e uma boa pessoa.

Alerta 

Diante do incidente, os bombeiros alertam para os riscos de afogamento. “O lago dá a impressão de ser raso em alguns lugares, mas tem muitos desnivelamentos e é cheio de buracos. Se a pessoa ingerir bebida alcoólica, não deve entrar. Se não souber nadar, não pode se arriscar. Também nunca se deve entrar sozinho”, conclui o capitão Reynaldo.

Memória

Esse foi o primeiro caso de morte por afogamento em 2016 no DF, mas não na Região Metropolitana.  Em 1º de janeiro, em Planaltina  (GO),   a vítima foi Ademar Rodrigues,  46 anos. Ele participava de um partida de futebol, resolveu tomar banho em uma lagoa e se afogou.

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